O Senhor, porém, responde: 'Porque o que é impossível aos homens é possível a Deus.' Isso também está repleto de grande sabedoria. O homem que, por si mesmo, trabalha e se esforça para libertar-se das paixões nada consegue. Mas, se demonstra claramente grande desejo e empenho nisso, alcança-o com o auxílio do poder de Deus. Pois Deus coopera com as almas dispostas. Se elas abandonam seu zelo, também é contido o espírito concedido por Deus. Salvar os que não querem seria obra de quem exerce coação; salvar os que querem é obra de quem manifesta graça. O reino dos céus tampouco pertence aos adormecidos e preguiçosos, 'mas os esforçados o tomam à força'. Pois só esta violência é louvável: constranger a Deus e tomar dEle a vida à força. Ele, conhecendo os que perseveram firmemente, ou melhor, impetuosamente, cede e concede; pois Deus Se compraz em ser vencido nessas coisas.
2Ao ouvir essas palavras, o bem-aventurado Pedro, o escolhido, o eminente, o primeiro dos discípulos, por quem, além de Si próprio, o Salvador pagou tributo, logo apreendeu e compreendeu a declaração. E que disse? 'Eis que deixamos tudo e Te seguimos.' Se por 'tudo' ele entende seus próprios bens, gaba-se de ter deixado talvez quatro óbolos ao todo e se esquece de mostrar que o reino dos céus é a recompensa deles. Mas, se, ao lançar fora aquilo de que falávamos, as antigas posses mentais e enfermidades da alma, seguem os passos do Mestre, isso os une aos que serão inscritos nos céus. Pois é assim que se segue verdadeiramente o Salvador: almejando estar sem pecado e atingir Sua perfeição, adornando e compondo diante dEle a alma como diante de um espelho e dispondo tudo, em todos os aspectos, de modo semelhante.