Ó Luz, não te esqueças dos meus cânticos de louvor.
2Pois o Soberbo e o seu poder de face de leão abriram as suas fauces contra mim e agiram com astúcia contra mim.
3Eles me cercaram, desejando arrebatar o meu poder, e me aborreceram porque entoei louvores a ti.
4Em vez de me amarem, caluniaram-me; contudo, eu cantava louvores.
5Tramaram uma conspiração para tirar o meu poder, porque entoei louvores a ti, ó Luz; e me odiaram porque te amei.
6Venham as trevas sobre o Soberbo, e permaneça à sua destra o regente das trevas exteriores.
7E quando proferires sentença, tira dele o seu poder; e a trama que maquinou para tirar de mim a minha luz, toma tu a dele.
8E acabem-se todos os poderes da luz que nele há, e receba outro dos três poderes tríplices a sua soberania.
9Fiquem sem luz todos os poderes das suas emanações, e seja a sua matéria destituída de qualquer luz em si.
10Permaneçam as suas emanações no caos e não ousem ir para a sua região; desvaneça-se a luz que nelas há e não subam ao décimo terceiro éon, a sua morada.
11Que o Receptor, o Purificador das luzes, purifique todas as luzes que estão no Soberbo e as retire deles.
12Governem os arcontes das trevas inferiores sobre as suas emanações, e ninguém lhes dê acolhimento na sua região; e ninguém atenda à força das suas emanações no caos.
13Tirem a luz das suas emanações e apaguem o nome delas do décimo terceiro éon; antes, tire-se o seu nome para sempre daquela região.
14E sobre o poder de face de leão recaia diante da Luz o pecado daquele que o emanou, e não seja apagada a iniquidade da matéria que o gerou.
15E esteja o pecado deles perpetuamente diante da Luz, e não lhes seja permitido olhar para além do caos, sendo os seus nomes extirpados de todas as regiões;
16Porque não se compadeceram de mim e oprimiram aquela de quem arrebataram a luz e o poder; e, em conformidade com os que me lançaram aqui, quiseram tirar de mim toda a minha luz.
17Amaram descer ao caos; assim, nele permaneçam, e não sejam dali tirados de agora em diante. Não desejaram a região da Justiça por morada, e não serão levados para lá doravante.
18Vestiu as trevas como uma veste, e ela penetrou nele como água, e entrou em todos os seus poderes como azeite.
19Envolva-se ele no caos como num manto, e cinja-se com as trevas como com um cinto de couro para sempre.
20Mas tu, ó Luz, compadece-te de mim por amor do mistério do teu nome, e salva-me na bondade da tua graça.
21Pois tiraram a minha luz e o meu poder; e o meu poder vacilou no meu íntimo, e não pude suster-me firme no meio deles.
22Tornei-me como matéria que decaiu; sou sacudida de um lado para o outro como um demônio no ar.
23O meu poder pereceu, porque não possuo mistério algum; e a minha matéria murchou por causa da minha luz, pois que ma tiraram.
24E escarneceram de mim; olhavam para mim, meneando a cabeça.