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Escrituras & Manuscritos

Apócrifos · Capítulo 19 de 42

Quem é o Rico que se Salva? (Clemente) 19

Tratado Patrístico

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É, pois, verdadeira e propriamente rico quem é rico em virtude e sabe fazer uso santo e fiel de qualquer fortuna; falsamente rico é quem o é segundo a carne e transforma a vida em posse exterior, transitória e perecível, que ora pertence a um, ora a outro e, por fim, a ninguém. De modo semelhante, há um pobre verdadeiro e outro falso, assim chamado impropriamente: o pobre de espírito, que é o que importa, e o pobre em sentido mundano, que é coisa diferente. Àquele que é pobre em bens terrenos, mas rico em vícios, que não é pobre de espírito nem rico para com Deus, diz-se: abandona as posses estranhas que estão em tua alma, para que, tornando-te puro de coração, vejas a Deus; o que equivale a dizer: entra no reino dos céus. E como abandoná-las? Vendendo-as. Que significa isso? Deves receber dinheiro por bens, efetuando uma troca de riquezas e convertendo em dinheiro tua substância visível? De modo algum. Deves introduzir, em lugar do que antes habitava tua alma, que desejas salvar, outras riquezas que divinizam e servem à vida eterna: disposições conformes ao mandamento de Deus, pelas quais receberás recompensa e honra sem fim, salvação e imortalidade eterna. Assim vendes corretamente as muitas posses supérfluas que te fecham os céus, trocando-as por aquelas que podem salvar. Deixa as primeiras aos pobres segundo a carne, privados das segundas. Tu, ao receberes em troca a riqueza espiritual, terás desde já um tesouro nos céus.

Palavras deste capítulo

O que estas palavras diziam no original — e onde mais elas aparecem.

Sobre Quem é o Rico que se Salva? (Clemente)

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Publicado aqui a partir de tradução em domínio público, revisado para leitura corrida.