Mas eia, ouvi de mim o tempo lamentável
2Dos filhos do Lácio. E antes de tudo,
3Depois que os reis do Egito foram destruídos
4E a mesma terra para baixo os tragou a todos,
5E depois do cidadão de Pela, sob o qual
6Todo o Oriente e o rico Ocidente foram prostrados,
7A quem Babilônia desonrou, e estendeu
8A Filipe um corpo morto (não de Zeus,
9Nem de Amom coisas verdadeiras foram profetizadas),
10E depois daquele da raça e do sangue
11Do rei Assáraco, que veio de Troia,
12Aquele mesmo que fendeu a violência do fogo,
13E depois de muitos senhores, e depois de homens
14Caros a Ares, e depois dos tenros infantes,
15Os filhos da fera que se apascenta de ovelhas,
16O primeiríssimo senhor será, o qual somará
17Duas vezes dez com a primeira letra de seu nome;
18Em guerras sobremaneira poderoso será ele;
19E ele terá o sinal inicial de dez;
20E da mesma maneira depois dele há de reinar
21Um que tem a primeira letra do alfabeto;
22Diante dele a Trácia e a Sicília se prostrarão,
23Depois Mênfis, Mênfis lançada de cabeça à terra
24Por causa da covardia dos governantes
25E de uma mulher não escravizada que tomba
26Sobre a onda. E leis ordenará ele
27Para os povos e porá todas as coisas sob si;
28Mas depois de longo tempo transmitirá
29O seu poder a outro, o qual terá
30Trezentos por seu primeiro sinal inicial,
31E de um rio o amado nome,
32E sobre os persas reinará e sobre Babilônia;
33E então ferirá os medos com a sua lança.
34Depois reinará um que tem o sinal inicial
35Do número três. E depois haverá um senhor
36Que terá por inicial primeira duas vezes dez;
37E ele chegará até à derradeira água do Oceano
38E junto à Ausônia fenderá a maré refluente.
39E um cuja marca é cinquenta será senhor,
40Uma terrível serpente respirando funesta guerra,
41Que algum dia estendendo as suas mãos porá
42Fim à sua própria raça e transtornará todas as coisas,
43Representando o atleta, conduzindo carros,
44Entregando à morte e ousando inumeráveis coisas;
45E ele fenderá o monte dos dois mares
46E o aspergirá com sangue; mas fora da vista
47Também desaparecerá o homem destruidor;
48Então, fazendo-se igual a Deus,
49Ele retornará; mas Deus o reduzirá a nada.
50E depois dele três reis serão destruídos
51Uns pelos outros. Então um grande destruidor
52De homens piedosos virá, a quem sete vezes dez
53Indicará com clareza. Mas dele um filho,
54A quem a primeira letra de trezentos comprova,
55Tomará o poder. E depois dele haverá
56Um governante, do sinal inicial de quatro,
57Um destruidor de vidas. Depois um venerando varão
58Do número cinquenta. Em seguida, sucedendo àquele
59Que tem a primeira marca do sinal inicial
60Trezentos, um montanhês celta,
61Avançando para a refrega da batalha,
62Não escapará a um destino impróprio, mas será
63Consumido até à morte; a ele pó estrangeiro,
64Mas pó que tem o nome da flor de Nemeia,
65Ocultará como cadáver. E depois dele reinará
66Outro homem, adornado com elmo de prata;
67E ele terá o nome de um mar;
68E ele será o melhor homem de todos
69E em todas as coisas prudente. E sobre ti,
70Ó tu, o melhor de todos, acima de todos, de cabelos escuros,
71E sobre os teus renovos serão todos estes dias.
72Depois dele três reinarão; mas o terceiro
73Em tempo tardio deterá o poder real.
74Exausta estou eu, três vezes desgraçada,
75Irmã de Ísis, por guardar no coração
76Uma funesta mensagem, e um cântico inspirado
77De oráculos. Primeiro as Mênades se arremessarão
78Ao redor dos degraus do teu mui lamentado templo,
79E tu estarás em más mãos naquele dia
80Quando o Nilo algum dia encher toda a terra
81Do Egito até à profundeza de dezesseis côvados;
82Lavará toda a terra, e a regará
83Para os mortais; e o regozijo da terra
84Cessará, e a glória de sua face.
85Mênfis, tu sobremaneira hás de uivar sobre o Egito;
86Pois outrora governando poderosamente a terra
87Te tornarás pobre, de modo que lá do céu
88O Trovoador em pessoa clamará com grande voz:
89"Ó poderosa Mênfis, que te jactavas outrora
90Grandemente sobre covardes mortais, tu uivarás
91Cheia de dores e de todo infeliz, de sorte que tu
92Mesma perceberás o Deus eterno,
93Imortal nas nuvens. Onde entre os homens
94Está agora a tua altiva soberba? Porque tu
95Contra os meus filhos ungidos por Deus te enfureceste,
96E incitaste o mal contra homens bons,
97Padecerás por tais coisas a pena
98De semelhante modo. Não mais abertamente
99Para ti haverá justiça entre os bem-aventurados;
100Caída das estrelas, não subirás ao céu."
101Agora estas coisas contra o Egito Deus me ordenou
102Declarar pela última vez, quando os homens forem
103De todo perversos. Mas eles trabalham arduamente,
104Homens ímpios aguardando coisas ímpias, a ira
105Do imortal Trovoador nos céus,
106Adorando pedras e feras em lugar de Deus,
107E temendo também muitas coisas além disso
108Que não têm fala, nem mente, nem poder de ouvir;
109Coisas as quais não é lícito para mim mencionar,
110Cada uma um ídolo, formado por mãos mortais;
111De seus próprios labores e presunçosos pensamentos
112Receberam os homens deuses feitos de madeira e de pedra,
113E de bronze, e de ouro e de prata, insensatos também,
114Sem vida e mudos, fundidos no fogo
115Fizeram-nos, confiando em vão em tais coisas . . . .
116Tmuis e Xois estão em grave aflição,
117E ferida jaz a morada de Héracles
118E de Zeus e de Hermes (rei). E quanto a ti,
119Ó Alexandria, afamada nutriz
120(Das cidades) a guerra não te poupará, nem a (peste) . . .
121Por tua soberba pagarás tantas coisas
122Quantas dantes fizeste. Silenciosa ficarás
123Por uma longa era, e o dia do teu retorno . . .
124Não mais para ti fluirá bebida suntuosa . . .
125Pois virá um persa sobre o teu vale,
126E como saraiva destruirá toda a terra,
127E homens astutos, com sangue e cadáveres . . . .
128Junto aos sagrados altares um de mente bárbara,
129Forte, cheio de sangue e enfurecendo-se insensatamente,
130Com incontáveis multidões precipitando-se à destruição,
131E então tu, em cidades mui opulentas,
132Ficarás mui fatigada. Tombando por terra
133Toda a Ásia uivará por causa das dádivas
134Coroando a sua cabeça com as quais por ti foi
135Deleitada. Mas, como ele mesmo obteve
136A terra persa por sorte, fará guerra
137E matando a todo homem destruirá toda a vida,
138De modo que restará para míseros mortais
139Uma terceira parte. Mas com ágil salto ele
140Mesmo se apressará do Ocidente, e toda a terra
141Sitiará e assolará. Mas quando ele possuir
142O ápice do poder e odiosa reverência,
143Virá, desejando destruir a cidade
144Até mesmo dos bem-aventurados. E certo rei
145Enviado da parte de Deus contra ele destruirá
146A todos os reis poderosos e aos mais bravos homens. E assim
147O juízo pelo Imortal sobrevirá aos homens.
148Ai, ai de ti, coração infeliz!
149Por que me moves a declarar estas coisas,
150O penoso domínio do Egito sobre muitos?
151Vai para o Oriente, para as raças dos persas
152Que carecem de entendimento, e mostra-lhes
153Aquilo que agora é e aquilo que há de ser.
154O rio Eufrates trará consigo
155Um dilúvio, e destruirá os persas,
156Ibéricos e babilônios,
157E os massagetas que se deleitam na guerra
158E confiam em arcos. Toda a Ásia em chamas
159Resplandecerá brilhantemente até às ilhas. Pérgamo,
160Venerada na antiguidade, perecerá desde os alicerces,
161E Pitane entre os homens aparecerá
162Totalmente desolada. Toda Lesbos submergirá profundamente
163No abismo, e assim será destruída.
164Esmirna, arrojada pelos seus despenhadeiros, uivará em alta voz,
165Ela que outrora fora reverenciada e tivera um grande nome
166Perecerá inteiramente. Os bitínios
167Hão de chorar sobre o seu próprio país, então reduzido
168A cinzas, e sobre a grande Síria,
169E sobre a Fenícia que tem muitas tribos.
170Ai, ai de ti, ó Lícia;
171Quantos males o mar maquina
172Contra ti, erguendo-se por sua própria vontade
173Sobre a terra dolorosa! E arremeterá
174Com funesto terremoto e com amargas torrentes
175Sobre a áspera terra lícia que dantes respirava perfumes.
176E haverá para a Frígia uma terrível cólera
177Por causa da aflição pela qual Reia veio,
178Mãe de Zeus, e ali permaneceu por longo tempo.
179O mar derrubará a raça dos Centauros
180E nação bárbara, e debaixo da terra
181Arrancará a terra lapiteia.
182O rio de fundos remoinhos e profundo caudal,
183Peneu, destruirá a terra tessália,
184Arrebatando homens da terra. Eridano
185(Fingindo outrora trazer as formas de feras).
186A Hélade três vezes miserável os poetas chorarão,
187Quando um vindo da Itália ferir o colo
188Do istmo, poderoso rei da poderosa Roma,
189Um homem feito igual a Deus, a quem, dizem eles,
190O próprio Zeus e a augusta Hera geraram;
191Ele, granjeando por sua voz maviosa
192Aplausos para os seus doces cantos, entregará à morte
193Juntamente com a sua própria miserável mãe a muitos homens.
194De Babilônia fugirá o temível senhor
195E desavergonhado a quem todos os mortais e os homens mais nobres
196Abominam; pois ele matou a muitos e pôs as mãos
197Sobre o ventre materno; contra as suas esposas pecou
198E de homens manchados de sangue fora formado.
199E virá ter com os monarcas dos medos
200E dos persas, primeiros a quem amou e a quem
201Trouxe renome, enquanto com aqueles ímpios homens
202Andava à espreita contra uma nação indesejada;
203E sobre o templo feito por Deus deitou as mãos
204E aos cidadãos e ao povo que ali entrava,
205Dos quais com justiça cantei o louvor, ele queimou;
206Pois quando este homem surgiu toda a criação
207Foi abalada e reis pereceram — e contudo o poder
208Permaneceu entre eles, e destruíram inteiramente
209A grandiosa cidade e o povo justo.
210Mas quando no quarto ano uma grande estrela brilhar,
211A qual sozinha dominará sobre toda a terra
212Por causa da honra, que primeiramente fora concedida
213Ao soberano Posídon; então uma grande estrela virá
214Do céu sobre o terrível mar e queimará
215O vasto abismo, e a própria Babilônia,
216E a terra da Itália, por causa da qual
217Pereceram muitos homens santos e fiéis
218Entre os hebreus e um povo verdadeiro.
219Serás posta entre míseros mortais
220Para padecer aflições, mas permanecerás
221Totalmente desolada por eras inteiras por ti mesma,
222Aborrecendo o teu próprio solo; pois tiveste apetite
223Por feitiçarias, adultérios estiveram contigo
224E torpe comércio carnal com mancebos,
225Ó cidade má, efeminada, injusta,
226Mal-aventurada sobre todas. Ai, ai de ti!
227Tu, cidade da terra latina, impura
228Em todas as coisas, Mênade que se compraz em serpentes,
229Sobre as tuas margens viúva te assentarás
230E o rio Tibre pranteará por ti,
231Sua consorte a ti, que tens um coração manchado de sangue
232E alma ímpia. Porventura não compreendeste
233O que Deus pode fazer, e o que Ele maquina?
234Mas tu disseste: "Estou só, e a mim ninguém
235Há de saquear." Mas agora Deus, que eternamente é,
236A ti e a tudo o que é teu destruirá, e naquela terra
237Não mais permanecerá o teu estandarte,
238Como dantes, quando o poderoso Deus recebia
239As tuas honrarias. Permanece só, ó iníqua,
240E mesclada com fogo consumidor habita tu
241No Hades, na terra tártara sem lei.
242E agora novamente, ó Egito, eu deploro
243A tua cega ilusão; Mênfis, primeira nos labores,
244Serás repleta de mortos; em ti
245As pirâmides proferirão um som impiedoso.
246Ó Píton, que foste com razão chamada antigamente
247A cidade dupla, guarda silêncio pelas eras,
248Para que possas cessar de tua maldade.
249Temerária em malefícios, tesouro de fadigas,
250Mênade mui carpideira, padecendo cruéis males,
251Mui chorosa, viúva permanecerás
252Por todo o tempo. Cheia de anos te tornaste
253Enquanto reinavas sozinha sobre o mundo;
254Mas quando a branca veste Barca sobre si
255Puser por cima daquilo que está manchado,
256Antes não fora eu viva nem houvesse nascido!
257Ó Tebas, onde está a tua grande força? Um homem feroz
258Matará o povo; mas tu, infeliz,
259Apertando o teu manto escuro uivarás sozinha,
260E farás expiação por todas as coisas
261Que outrora com alma desavergonhada
262Perpetraste. Eles também contemplarão
263Um luto por causa de obras iníquas.
264E um homem poderoso dentre os etíopes
265Derrubará Siene; por seu poderio
266Índios morenos ocuparão Teuqueira.
267Pentápolis, um varão de grande força
268Queimar-te-á inteiramente. Ó Líbia toda em lágrimas,
269Quem explicará as tuas loucuras? E Cirene,
270Dentre os mortais quem lamentará com piedade
271Por ti? Não cessarás nem até ao tempo
272De tua ruína o teu odioso uivo.
273Entre os bretões e entre os gauleses,
274Ricos em ouro, o Oceano rugirá em alta voz
275Cheio de muito sangue; pois coisas más
276Fizeram contra os filhos de Deus, quando um rei
277Dos sidônios, um fenício, conduziu
278Um poderoso exército gálico desde a Síria;
279E ele trucidará a ti, a ti mesma, Ravena,
280E para a carnificina abrirá o caminho.
281Ó indianos e etíopes de grande coração,
282Temei juntamente; pois quando com estes o curso
283De Capricórnio e Touro nos Gêmeos
284Girar em torno do meio do firmamento,
285Virgem então se levantando, e sobre a sua fronte
286Atando um cinto o sol guiar todo o céu,
287Haverá um movimento descendo para a terra,
288Uma vasta conflagração no alto do ar,
289E uma nova natureza nas estrelas guerreiras,
290De modo que toda a terra dos etíopes
291Perecerá no meio de fogo e gemidos.
292E chora tu, Corinto, a triste destruição
293Que está em ti; pois quando com flexíveis fios
294As Parcas, três irmãs, tecendo levarem ao alto
295Aquele que foge por dolo contra a voz
296Do istmo, até que todos olhem para ele
297Que outrora fendeu a rocha com bronze maleável,
298Ele também destruirá e ferirá a tua terra,
299Como foi determinado. Pois a ele
300Deus concedeu força para cumprir aquilo que não pôde
301Nenhum dantes de todos os reis juntos.
302E primeiro com foice decepando as raízes
303De três cabeças ele dará sustento com excesso
304A outros, de modo que reis impuros comerão
305A carne de seus pais. Pois para todos os homens
306Matança e terrores estão entesourados
307Por causa da grande cidade e do povo justo
308Salvo através de todas as eras, a quem a Providência sustentou no alto.
309Ó tu, instável e mal aconselhada,
310Cercada por funestos fados, para a humanidade
311Tanto princípio como grande termo de aflição, —
312Da criação sofredora e de uma porção
313Restaurada de novo, — ó tu, líder insolente
314De males, e para os homens uma grande maldição, quem
315Dentre os mortais suspirou por ti? Quem não se tem
316Amargurado desde o íntimo? Derrubado em ti
317Um rei perdeu a sua honrada vida. Com perversidade
318Dispuseste todas as coisas e lavaste para longe
319Tudo o que é formoso, e por ti foram mudadas
320As belas dobras do mundo. Em contenda conosco porventura
321Apresentaste estas coisas movediças;
322E como dizes tu: "Eu te persuadirei",
323E "Se em alguma coisa me culpas, fala"?
324Houve outrora entre os homens a clara luz do sol,
325O raio comum dos profetas sendo derramado;
326A fala destilando mel, suave bebida para todos os homens,
327Apareceu e floresceu, e o dia despontou para todos.
328Por causa disto, ó tu de mente estreita,
329Líder dos maiores males, tanto espada
330Como dor sobrevirão naquele dia. Pois para a humanidade
331Tanto princípio como grande termo de aflição, —
332Da criação sofredora e de uma porção
333Restaurada de novo, — ouve, ó maldição dos homens,
334O amargo e intolerável oráculo.
335Mas quando a terra persa se mantiver afastada
336Da guerra, da praga e do gemido, naquele dia
337Uma raça divina de judeus celestiais e benditos
338Oferecerá oração, habitando ao redor
339Da cidade de Deus nas porções centrais da terra,
340E até mesmo até Jope edificando ao redor
341Um grande muro, levantá-lo-ão nas alturas
342Até às nuvens sombrias. Não mais trombeta
343Soará o fragor da batalha, nem por furiosas mãos de inimigos
344Serão eles cortados; mas erguerão
345Os seus troféus para uma era de homens perversos.
346E um virá novamente lá do céu, um varão
347Preeminente, cujas mãos sobre a frutuosa árvore
348O mais nobre dos hebreus estendeu,
349Aquele que outrora fez o sol deter-se
350Quando falou com formosa palavra e santos lábios.
351Não mais aflijas a tua alma no teu seio
352Por causa da espada, rica filha de Deus,
353Flor por Ele unicamente anelada, radiante luz
354E nobre renovo, um rebento mui amado,
355Aprazível Judeia, formosa cidade,
356Inspirada por hinos, não mais o pé imundo
357Dos gregos andará em folguedos ao redor da tua terra,
358Que guardavam no peito uma mente iníqua;
359Mas a ti gloriosos filhos muito honrarão
360E serão peritos em cânticos e línguas santas,
361Com sacrifícios de toda espécie e orações
362Honradas por Deus. Todos os que suportam as fadigas
363De pequena aflição e os justos terão
364Mais daquilo que é de todo formoso;
365Mas os ímpios, que ao céu enviaram palavras iníquas,
366Cessarão de falar uns contra os outros,
367E se esconderão até que o mundo seja transformado.
368E haverá uma chuva de fogo resplandecente
369Desde as nuvens; e não mais os mortais segarão
370O bom trigo da terra; todas as coisas semeadas não serão
371Nem aradas, até que os homens mortais conheçam
372O Senhor de todas as coisas, o Deus imortal
373Que sempre existe, e não mais reverenciem
374Coisas mortais, nem cães nem ninhos de abutres,
375E as coisas que o Egito ensinou a engrandecer
376Com bocas mudas e lábios embotados. Mas todas estas coisas
377A terra santa dos únicos homens piedosos
378Produzirá, da rocha que goteja mel
379Um ribeiro e de uma fonte leite ambrosíaco
380Fluirá para todos os justos; pois num só Deus,
381Um só Pai, que somente é glorioso,
382Tendo grande piedade e fé esperaram.
383Mas por que a mente sábia me concede estas coisas?
384E agora a ti, mísera Ásia, piedosamente
385Pranteio e à raça dos jônios
386E aos cários e aos lídios ricos em ouro.
387Ai, ai de ti, ó Sardes; e ai
388De Trales tão amada; ai, ai,
389Laodiceia, cidade formosa;
390Assim serás por terremotos derrubada
391E arruinada, e serás também tornada em pó.
392E à sombria Ásia . . .
393O templo de Ártemis assentado em Éfeso . . .
394Por abismos e terremotos virá abaixo precipitadamente.
395Em algum tempo no temível mar, como tempestades
396Soçobram navios. E Éfeso transtornada
397Clamará em alta voz, lamentará junto às suas margens,
398E buscará o seu templo que já não existe.
399E então, indignado, Deus o incorruptível,
400Que habita nas alturas, arremessará raios do céu
401Sobre a cabeça daquele que é impuro.
402E no lugar do inverno haverá
403Naquele dia verão. E aos homens mortais
404Haverá então grande aflição; pois o Trovejador
405Destruirá de todo todos os homens desavergonhados
406E com os seus trovões e com as chamas de seus relâmpagos
407E raios ardentes os homens de má vontade,
408E assim destruirá os ímpios,
409De sorte que restarão sobre a terra
410Corpos mortos em número maior do que a areia.
411Pois Esmirna também, chorando o seu Licurgo,
412Irá até às portas de Éfeso
413E ela própria perecerá ainda mais.
414E a insensata Cime com as suas correntes inspiradas
415Abatida por mãos de homens ímpios, injustos
416E transgressores, ao céu nem sequer
417Uma palavra proferirá; mas permanecerá
418Morta nas águas cimeias. E então eles
419Juntos chorarão, aguardando coisas más.
420A ríspida plebe de Cime e a tribo desavergonhada,
421Tendo um sinal, saberão pelo que labutaram.
422E então, quando tiverem pranteado a sua terra
423Reduzida a cinzas, pelo Erídano
424Será Lesbos para sempre subvertida.
425Ai de ti, Córcira, cidade formosa,
426Ai de ti, cessa dos teus folguedos.
427Tu também, Hierápolis, única terra
428Com riquezas mesclada, o que anelaste ter
429Terás, a saber, uma terra de muitas lágrimas,
430Visto que te iraste contra uma terra ao lado
431Das correntes do Termodonte. Tripo lis que se apega à rocha,
432Junto às águas do Meandro, a ti
433Pelas vagas noturnas sob a praia
434A ira e a presciência de Deus de todo destruirão.
435Não me leves de boa vontade à terra vizinha
436De Febo; em algum tempo um raio
437A delicada Mileto lá do alto destruirá,
438Porque se apossou do ardiloso cântico de Febo
439E do sábio cuidado e prudente desígnio dos homens.
440Pai de todos, sê propício à terra
441De Judá, bem nutrida, fértil em frutos, grandiosa,
442A fim de que os teus juízos possamos ver.
443Pois tu, ó Deus, com benignidade olhaste
444Para esta terra primeiro para que aparecesse como
445A tua graciosa dádiva a todos os homens mortais
446E para reterem firmemente o que Deus pôs sob o seu encargo.
447As obras três vezes míseras dos trácios
448Anelo por ver, e o muro entre dois mares
449Arrastado no pó ao longo sob a névoa,
450Semelhante a um rio para os peixes nadadores.
451Ó mísero Helesponto, em algum tempo um filho
452Dos assírios lançará um jugo
453Sobre ti; o combate dos trácios vem
454E despojará a tua força. E reinará
455Sobre a terra da Macedônia
456Um rei do Egito, e um clima bárbaro
457Consumirá a força dos capitães. Os lídios
458E os gálatas, e os panfílios
459Com os pisídios, todos apercebidos para a guerra
460Em massa suscitarão funesta contenda.
461Três vezes mísera Itália, tu permanecerás
462De todo desolada, não chorada, em terra viçosa
463Por mortífero aguilhão para pereceres totalmente.
464E em algum tempo no alto do vasto céu
465Como estrondo de trovão a voz de Deus será ouvida.
466E as chamas inextinguíveis do próprio sol
467Não existirão mais, nem a luz brilhante
468Da lua tornará a brilhar no tempo derradeiro,
469Quando Deus for o soberano. E densas trevas
470Cobrirão toda a terra, e homens cegados
471E feras malignas e aflição; aquele dia durará
472Muito tempo, de modo que os homens vejam que o próprio Deus
473É o Senhor, o vigia de tudo
474Diante do céu. E então Ele mesmo
475Não se compadecerá dos homens inimigos, que sacrificam
476Os seus rebanhos de cordeiros e ovelhas e bezerros e bodes
477E touros mugidores de chifres dourados, oferecendo-os
478A estátuas inertes de Hermes e a deuses de pedra.
479Mas seja a lei da sabedoria o vosso guia
480E a glória dos justos; para que em algum tempo
481O Deus imperecível, indignado, não destrua
482Toda raça de homens e tribo desavergonhada de vida;
483Cumpre-lhes fielmente amar
484O Pai, o sábio Deus que para sempre existe.
485No último tempo, ao virar da lua,
486Haverá bramindo pelo mundo uma guerra
487E conduzida com astúcia e engano.
488E dos confins da terra virá,
489Fugindo, e ponderando agudas coisas em sua mente,
490Um homem matricida que a toda terra
491Há de subjugar e sobre todas as coisas dominar,
492E verá todas as coisas com mais sagacidade do que todos os homens;
493E aquilo por causa de quem ele próprio foi morto
494Tomará de pronto. E destruirá
495Muitos homens e grandes tiranos e queimará
496A todos eles, como nenhum outro jamais fez,
497E levantará os que estão temerosos
498Por causa de emulação. E do Ocidente
499Muita guerra virá aos homens, e sangue fluirá
500Encosta abaixo até formar correntes de fundos remoinhos.
501E nas planícies da Macedônia
502Destilará a ira e dará socorro desde o Ocidente,
503Mas ao rei destruição. E um vento
504De inverno soprará então sobre a terra,
505E a planície será cheia de maligna guerra outra vez.
506Pois choverá fogo das celestiais planícies
507Sobre os mortais, e juntamente sangue, água, lampejo
508De relâmpago, escuridão tenebrosa, noite no céu,
509E devastação na guerra e sobre a matança névoa,
510E estas coisas juntas destruirão todos os reis
511E os mais nobres varões. Assim se fará cessar
512Então a lastimosa destruição da guerra.
513E ninguém mais pelejará com espadas nem com ferro
514Nem mesmo com dardos, coisas que não mais
515Serão lícitas. Mas o povo sábio terá paz,
516Os que restaram, tendo passado pela prova da iniquidade,
517Para que no fim fossem cheios de alegria.
518Vós, matricidas, deixai a vossa desfaçatez
519E ousadia malfazeja, que outrora
520Provestes ilicitamente leito dissoluto com rapazes,
521Pondo como meretrizes donzelas dantes puras
522Em lupanares por violência e castigo
523E por indecência que muito labora.
524Pois em ti a mãe com o seu filho manteve
525Cópula ilícita, e a filha foi
526Com o seu próprio pai desposada como noiva;
527E em ti reis a sua boca desventurada
528Contaminaram, e em ti homens perversos
529Acharam leito com animais. Fica muda em silêncio,
530Cidade iníqua e de todo pranteada, entregue
531A folguedos; pois por ti as donzelas virgens
532Não mais cuidarão do fogo divino
533Da lenha sagrada que com zelo nutre;
534Diante de ti uma casa outrora mui amada
535Foi extinta, quando vi a segunda casa
536Derrubada e submergida em fogo
537Por uma mão profana, casa sempre florescente,
538O templo vigilante de Deus, erigido por seus santos
539E sendo para sempre indestrutível,
540Pela alma esperado e pelo próprio corpo.
541Pois não sem os ritos de sepultura
542Há alguém de louvar a Deus desde a terra invisível,
543Nem sábio artífice fez uma pedra entre eles,
544Nem teve temor do ouro, engano do mundo
545E das almas, mas ao poderoso Pai, Deus
546De todas as coisas inspiradas por Deus, reverenciou
547Com santas ofertas e formosas hecatombes.
548Mas agora um rei invisível e profano
549Com grande multidão e com varões de renome
550Subiu ao poder e deitou abaixo a sua morada
551E a deixou desfeita. Mas ele próprio,
552Quando pôs o pé na terra imortal,
553Destruiu o solo. E tal sinal não mais
554Foi operado sobre os homens, de modo que pareceu
555Que outros destruiriam a grande cidade.
556Pois veio das celestiais planícies um varão,
557Um bem-aventurado, com um cetro na mão,
558Que Deus lhe deu, e ele governou bem todas as coisas,
559E a todos os bons restituiu
560As riquezas que os homens dantes haviam tomado.
561E muitas cidades com muito fogo destruiu
562Desde os seus fundamentos, e pôs a arder
563As vilas dos mortais que dantes fizeram o mal,
564E fez aquela cidade, a qual Deus amou,
565Mais resplandecente do que estrelas e sol e lua,
566E estabeleceu a ordem, e uma santa casa
567Fez encarnada, pura, mui formosa, e conformada
568Em muitos estádios, uma grande e desmedida torre
569Tocando as próprias nuvens e vista por todos,
570Para que todos os santos e todos os homens justos
571Vissem a glória do Deus eterno,
572Visão que tem sido anelada. O sol nascente
573E o dia que finda entoavam hinos de louvor a Deus.
574Pois não há mais então coisas terríveis
575Para os míseros mortais, nem adultérios
576E torpe amor de rapazes, nem homicídio
577Nem tumulto, mas uma justa emulação em todos.
578É o tempo derradeiro dos santos quando Deus
579Cumprir estas coisas, o alto Trovejador,
580Fundador do templo magnificente.
581Ai, ai de ti, ó Babilônia,
582Afamada por trono dourado e sandália de ouro,
583Reino de muitos anos e do mundo
584Única dominadora, que foste grande no tempo antigo
585E cidade de todas as cidades, tu não mais
586Jazerás em montes de ouro e junto às correntes
587Do Eufrates; serás prostrada
588Pela ruína de terremoto. Mas os terríveis partos
589Fizeram-te padecer todas as coisas. Guarda firmemente
590A tua língua desconhecida, impura raça caldeia;
591Não perguntes nem te inquietes de como guiarás
592Os persas ou como reinarás sobre os medos;
593Pois por causa da tua supremacia,
594Que tiveste, enviando reféns a Roma
595E servindo à Ásia, tu que outrora
596Também te julgavas rainha, virás
597Ao juízo dos adversários,
598Por causa dos quais padeceste coisas funestas;
599E darás em lugar de palavras tortuosas
600Amarga vexação aos inimigos.
601E no último tempo secará o mar
602E os navios não mais navegarão para a Itália,
603E a grande Ásia então, de todo infeliz, será
604Água, e então Creta será uma planície.
605E Chipre suportará grande miséria
606E Pafos pranteará um terrível destino,
607De modo que até Salamina, grande cidade, será
608Vista passar por grande miséria;
609E agora a terra seca será areia estéril
610Sobre a praia. E gafanhotos não poucos
611Destruirão de todo a terra cipriota.
612Olhando para Tiro, mortais condenados, vós chorareis.
613Fenícia, terrível ira resta para ti,
614Até que caias em indigna ruína,
615De sorte que até as Sereias em verdade lamentem.
616Na quinta geração, quando a ruína
617Do Egito tiver cessado, acontecerá
618Que reis desavergonhados se ajuntarão,
619E raças de panfílios acamparão
620No Egito, e na Macedônia
621E na Ásia e entre os líbios
622Haverá no pó uma guerra que enlouquece o mundo,
623Sobremaneira sangrenta, a qual o rei de Roma
624E os governantes do Ocidente farão cessar.
625Quando tormenta invernal cair como a neve,
626Estando congelados o grande rio e os vastos lagos,
627De pronto uma raça bárbara abrirá caminho
628Para dentro da terra asiática e destruirá
629A estirpe dos temíveis trácios, difíceis de domar.
630E então os mortais, alimentando-se impiamente,
631Devorarão os seus pais, consumidos pela fome,
632E engolirão as entranhas. E feras selvagens
633Devorarão de todas as casas a comida da mesa,
634E elas e as aves todos os mortais devorarão.
635O oceano com corpos mortos se encherá
636Desde o rio e ficará vermelho com carne e sangue
637Dos insensatos. Então assim uma debilidade
638Haverá sobre a terra, de modo que dos homens o número
639Possa ser visto e a medida das mulheres.
640E a terrível raça clamará por miríades de coisas
641Por fim quando o sol se puser para não mais se erguer,
642Mas para permanecer submerso nas ondas do Oceano;
643Pois contemplou a imunda maldade
644De muitos mortais. E uma noite sem lua
645Espalhará renome ao redor do vasto céu,
646E densa névoa ocultará os desfiladeiros do mundo
647Pela segunda vez; então depois a luz de Deus
648Guiará os homens bons, que cantaram louvores a Deus.
649Ísis, deusa três vezes desventurada, tu só
650Sobre as águas do Nilo permanecerás,
651Uma Mênade desordenada sobre as areias
652Do Aqueronte, e não mais restará
653Memória de ti sobre toda a terra.
654E também tu, Serápis, que estás colocado
655Sobre muitas pedras reluzentes, uma ruína vasta
656Na três vezes infeliz terra do Egito jazerás.
657Mas aqueles a quem o amor do Egito conduziu a ti
658Todos amargamente te chorarão; mas os que puseram
659Razão incorruptível em seu peito,
660E os que louvaram a Deus, saberão que nada és.
661E em algum tempo um varão vestido de linho,
662Um sacerdote, dirá: "Vinde, levantemos a Deus
663Um formoso e verdadeiro templo; vinde, mudemos
664A temível lei de nossos antepassados,
665Por causa da qual não compreenderam
666Que a deuses de pedra e barro
667Faziam procissões e ritos religiosos.
668Voltemos as nossas almas, rendendo louvor a Deus
669O incorruptível, que é Ele próprio o Pai,
670O Eterno, o Senhor de todos,
671O Verdadeiro, o Rei, Pai que sustenta a vida,
672O Deus poderoso que existe para todo o sempre."
673E então haverá um grande e puro templo
674No Egito, e o povo feito por Deus
675Trará para ele os seus sacrifícios.
676E a eles Deus dará vida incorruptível.
677Mas quando os etíopes, abandonando
678As tribos desavergonhadas dos tribalos,
679Cultivarem o seu Egito, eles então
680Começarão a sua vileza, para que as coisas posteriores
681Possam todas suceder. Pois derrubarão
682O poderoso templo da terra egípcia;
683E Deus fará chover sobre a terra terrível ira
684Entre eles, de modo que todos os ímpios
685E todos os insensatos pereçam. E não mais
686Haverá poupança alguma naquela terra,
687Porque não guardaram aquilo que Deus deu.
688Vi a ameaça do sol resplandecente
689Entre as estrelas, e no lampejo do relâmpago
690A terrível ira da lua; as estrelas entraram em dores de parto
691Na batalha; e Deus as entregou à peleja.
692Pois longas chamas de fogo se rebelaram contra o sol;
693Lúcifer pisando sobre o dorso de Leão
694Começou o combate; e o duplo chifre da lua
695Mudou a sua forma; Capricórnio feriu o pescoço de Touro;
696E Touro tirou de Capricórnio
697O dia que retorna. Órion não mais quis
698Suportar o seu jugo; a sorte de Gêmeos
699Virgem mudou em Áries; não mais brilharam
700As Plêiades; Dragão desmentiu o seu cinto;
701Para baixo no cinto de Leão Peixes desceu.
702Câncer não permaneceu, pois temeu a Órion;
703Escorpião desceu recuando sobre o temível Leão;
704E da chama do sol Sírio se esquivou;
705E a força do grande e resplandecente
706Aquário acendeu. O próprio Urano
707Foi despertado, até sacudir os que pelejavam;
708E indignado arremessou-os para a terra.
709Então caindo velozmente sobre as fontes
710Do Oceano puseram toda a terra em chamas;
711E o alto céu permaneceu sem uma estrela.