Ó povos da soberba Ásia e da Europa,
2Ouvi quão verdadeiras são as coisas que estou prestes,
3Através de uma voz de múltiplos tons, desde o meu grande recinto,
4A profetizar; nenhum oráculo sou eu
5Do mentiroso Febo, a quem homens vãos chamaram deus,
6E ainda mais falsificaram chamando-o vidente;
7Mas do Deus poderoso, a quem mãos de homens
8Não formaram como ídolos mudos esculpidos em pedra.
9Pois ele não tem por morada uma pedra
10Mui muda e desprovida de dentes, arrastada para um templo,
11Grande desonra para os imortais;
12Pois ele não pode ser visto da terra nem medido
13Por olhos mortais, nem formado por mão mortal;
14Ele, contemplando de pronto a todos, é visto
15Por ninguém; seus são a noite tenebrosa,
16E o dia, e o sol, e as estrelas, e a lua, e os mares
17Com peixes, e a terra, e os rios, e a fonte
18De mananciais perenes, criaturas destinadas à vida,
19E as chuvas que produzem a um só tempo o fruto do campo
20E da árvore, e a videira e o azeite. Este Deus um açoite
21Vibrou no meu íntimo coração para fazer-me declarar
22Com verdade aos homens que coisas agora sucederam
23E quantas ainda lhes hão de sobrevir
24Desde a primeira geração até a décima primeira;
25Pois ele mesmo, cumprindo-as todas,
26Provará todas as coisas. Mas tu, em tudo,
27Ó povo, dá atentos ouvidos à Sibila,
28Que de boca consagrada derrama uma voz verdadeira.
29Bem-aventurados dentre os homens serão sobre a terra
30Todos quantos amarem o Deus poderoso,
31Rendendo-lhe louvores antes que bebam e comam;
32Confiando na piedade. Quando contemplarem
33Templos e altares, figuras de pedras mudas,
34Imagens de pedra e estátuas feitas por mãos humanas,
35Poluídas com o sangue de seres viventes
36E sacrifícios de animais quadrúpedes,
37Eles os rejeitarão a todos; e olharão
38Para a excelsa glória de um só Deus, e não
39Cometerão homicídio presunçoso nem comerciarão
40Com ganhos de furto, coisas que são sobremodo horríveis;
41Nem vergonhosa cobiça pelo leito alheio
42Terão eles, nem vil e detestável torpeza com varões.
43O seu procedimento, piedade e caráter,
44Os outros homens, que amam uma vida impudente,
45Jamais imitarão; porém, escarnecendo deles
46Com chufas e zombarias como crianças insensatas,
47Imputar-lhes-ão falsamente tantas obras
48Censuráveis e perversas quantas eles próprios cometem.
49Pois tardia é toda a raça do gênero humano
50Para crer. Mas quando o juízo do mundo
51E dos mortais vier, o qual o próprio Deus trará,
52Julgando a um só tempo os ímpios e os piedosos,
53Então, na verdade, enviará os ímpios de volta
54Às trevas inferiores, e então saberão eles
55Quanta impiedade praticaram; mas os piedosos
56Permanecerão sobre a terra frutífera,
57Dando-lhes Deus fôlego, vida e graça.
58Porém todas estas coisas na décima geração
59Hão de cumprir-se; e agora as coisas que serão
60Desde a primeira geração, essas declararei.
61Primeiramente sobre todos os mortais governarão os assírios,
62E por seis gerações reterão o domínio
63Do mundo, desde o tempo em que o Deus do céu,
64Estando irado contra as cidades e todos os homens,
65Cobriu a terra com o mar em impetuoso dilúvio.
66A estes os medos subjugarão, mas no trono
67Por duas gerações somente exultarão;
68Em cujos tempos estes acontecimentos sucederão:
69Noite escura virá ao meio-dia,
70E dos céus as estrelas e a lua circular
71Desaparecerão; e a terra, abalada em tumulto
72Por um grande terremoto, lançará muitas cidades
73E obras de homens de rojo; e do abismo
74Despontarão as ilhas do mar.
75Mas quando o grande Eufrates bramir
76Com sangue, então se suscitará também
77Entre os medos e os persas uma terrível contenda
78Na batalha; e os medos cairão e fugirão
79Sob as lanças persas para além das caudalosas águas
80Do Tigre. E o poder persa será
81O maior em todo o mundo, e terão
82Uma geração de domínio mui próspero.
83E haverá tantas más ações
84Quantas os homens quiserem afastar: o estrépito da guerra,
85E assassínios, e pelejas, e desterros,
86E derrocada de torres e desolação de cidades,
87Quando a Hélade mui gloriosa navegar
88Sobre o largo Helesponto, e levar
89À Frígia pesar e à Ásia a ruína.
90E ao Egito, terra de muitos sulcos,
91Virá penosa fome, e a esterilidade
92Há de prevalecer durante vinte anos em curso,
93No tempo em que o Nilo, nutridor do trigo, ocultar
94A sua escura vaga em algum lugar sob a terra.
95E virá da Ásia um grande rei
96Empunhando uma lança, com naus inumeráveis,
97E caminhará sobre as sendas úmidas do abismo,
98E navegará depois de haver cortado o monte
99De alcantilado cume; a ele, foragido
100Da batalha, a temível Ásia receberá.
101E à mísera Sicília uma corrente
102De impetuoso fogo abrasará por completo, enquanto o Etna
103Vômitos de labaredas lançar; e no profundo abismo
104A poderosa cidade de Cróton cairá de rojo.
105E contenda haverá na Hélade; enfurecer-se-ão
106Uns contra os outros, derribarão muitas cidades,
107E pelejando consumirão muitos homens;
108Contudo, igualmente equilibrada será a peleja para ambos.
109Porém, quando a raça dos homens mortais chegar
110À décima geração, também então
111Sobre os persas haverá um jugo servil
112E terror. Mas quando os macedônios
113Ostentarem o cetro, haverá para Tebas
114Uma nefasta conquista pela retaguarda, e cários
115Habitarão em Tiro, e os tírios serão destruídos.
116E Babilônia, imponente de ver mas fraca para lutar,
117Ficará com muros que foram edificados em vãs esperanças.
118Em Báctria habitarão os macedônios;
119Mas aqueles de Susã e de Báctria
120Fugirão todos para a terra da Hélade.
121Acontecerá entre os que ainda hão de nascer,
122Quando o Píramo de prateados remoinhos as suas margens
123Transbordando, chegar à ilha sagrada.
124E Cíbira cairá, e Cízico,
125Quando, sacudida a terra por terremotos, as cidades ruírem.
126E a areia ocultará toda a Samos sob bancos.
127E Delos não mais será visível, mas as coisas
128De Delos serão todas invisíveis.
129E a Rodes sobrevirá o mal por derradeiro, mas o maior de todos.
130O poderio macedônio não subsistirá;
131Mas do ocidente uma grande guerra italiana
132Há de medrar, sob a qual o mundo suportará
133Um jugo servil, e servirá aos italianos.
134E tu, ó mísera Corinto, contemplarás
135Em algum tempo a tua conquista. E a tua torre,
136Ó Cartago, prostrar-se-á humilhada sobre o chão.
137Mísera Laodiceia, a ti em algum tempo
138O terremoto abaterá, lançando-te precipitada por terra,
139Mas tu, cidade firmemente fundada, outra vez
140Ficarás em pé. Ó formosa Mira da Lícia,
141A ti jamais a terra alvoroçada
142Manterá firme; mas caindo de rojo sobre a terra,
143Hás de, à maneira de um forasteiro, suplicar
144Para fugir para outra terra,
145Quando em algum tempo a água escura do mar,
146Com trovões e terremotos, calar o estrondo
147De Pátara por causa de suas impiedades.
148Também para ti, Armênia, resta
149Uma sorte de escravidão; e virá também
150Sobre Solima uma rajada funesta de guerra
151Da Itália, e o grande templo de Deus despojará.
152Mas quando estes, fiando-se na insensatez, rejeitarem
153A sua piedade e consumarem homicídios
154Ao redor do templo, então da Itália
155Um poderoso rei, à semelhança de escravo fugitivo,
156Fugirá sobre as correntes do Eufrates sem ser visto,
157Desconhecido, o qual em algum tempo ousará abominável culpa
158De matricídio, e muitas outras coisas,
159Tendo confiança em suas mãos perversíssimas.
160E muitos pelo trono ensanguentarão
161O solo de Roma enquanto ele foge pela terra dos partos.
162E da Síria virá o homem principal de Roma,
163O qual, havendo incendiado o templo de Solima,
164E havendo degolado a muitos dos judeus,
165Lançará destruição sobre a sua grande e espaçosa terra.
166E então também um terremoto derribará
167Tanto a Salamina como a Pafos, quando a água escura
168Arremeter sobre Chipre banhada de muitas ondas.
169Mas quando da fenda profunda da terra italiana
170Fogo faiscar no espaçoso céu,
171E muitas cidades queimar e homens destruir,
172E muita cinza negra encher o vasto firmamento,
173E pequenas gotas como terra vermelha caírem do céu,
174Sabei então a ira do Deus do céu,
175Porque sem razão destruíram
176A nação dos piedosos. E então a discórdia
177Despertada da guerra virá para o Ocidente,
178Virá também o foragido de Roma,
179Empunhando grande lança, havendo marchado através
180Do Eufrates com as suas muitas miríades.
181Ó desventurada Antioquia, chamar-te-ão
182Não mais cidade, quando ao redor das lanças deles,
183Por causa de tuas próprias insensatezes, caíres.
184E então sobre Ciros virá uma peste
185E o terrível fragor da batalha trará destruição.
186Ai, ai! Ó desventurada Chipre, a ti
187Uma larga onda do mar cobrirá, a ti
188Arrojada nas alturas pelos ventos tempestuosos em turbilhão.
189E na Ásia entrarão grandes riquezas,
190Que a própria Roma outrora, pilhando, entesourou
191Em suas faustosas moradas; e o dobro
192E ainda mais tornará ela a retribuir à Ásia,
193E então haverá um transbordamento de guerra.
194E cidades da Cária junto às águas do Meandro,
195Cingidas de torres e sobremodo formosas,
196Por amarga fome serão destruídas,
197Quando o Meandro ocultar a sua escura água.
198Mas quando a piedade perecer dentre os homens,
199E a fé e o direito ficarem ocultos no mundo,
200Inconstantes e em ousadia profana
201Vivendo, praticarão desenfreada violência,
202E temerárias obras más, e dos piedosos
203Ninguém fará caso, mas antes a todos eles,
204Por leviandade, destruirão por completo,
205Em infantil loucura, em sua violência
206Exultando e ensanguentando as suas mãos;
207Sabe tu então que Deus não mais será benigno,
208Mas rangendo com furor e destruindo toda
209A raça dos homens com grande conflagração.
210Ah! Míseros mortais, mudai estas coisas,
211Nem leveis o Deus poderoso a ira extrema;
212Mas abandonando as vossas espadas e afiados punhais,
213E assassínios e desenfreada violência,
214Lavai todo o vosso corpo em correntes perenes,
215E levantando as vossas mãos ao céu buscai perdão
216Pelas obras passadas, e expiai com louvor
217A amarga impiedade; e Deus concederá
218Arrependimento; ele não vos destruirá; e a ira
219Ele outra vez conterá, se em vossos corações
220Todos vós praticardes a honrosa piedade.
221Mas se, mal-intencionados, não me derdes ouvidos,
222Mas com apego a uma estranha falta de juízo
223Receberdes todas estas coisas com ouvido maligno,
224Haverá sobre todo o mundo um fogo
225E grandíssimo presságio com espada e com trombeta
226Ao nascer do sol; o mundo inteiro ouvirá o bramido
227E o poderoso sonido. E ele queimará toda a terra,
228E destruirá toda a raça dos homens, e todas
229As cidades, e os rios, e o mar;
230Todas as coisas queimará, e tudo se tornará pó negro.
231Mas quando agora todas as coisas tiverem sido reduzidas
232A pó e cinza, e Deus houver aplacado
233O fogo indizível que acendeu,
234Os ossos e as cinzas dos homens o próprio Deus
235De novo modelará, e ele outra vez
236Ressuscitará os mortais, tal como eram dantes.
237E então será o juízo, no qual Deus
238Mesmo como juiz julgará o mundo outra vez;
239E todos os que pecaram com corações ímpios, a esses mesmos
240Ele de novo ocultará debaixo de montões de terra,
241No escuro Tártaro e na Geena estígia.
242Mas todos quantos forem piedosos viverão
243De novo sobre a terra, e herdarão ali
244O inesgotável bem-aventurado favor do grande Deus imortal,
245Dando-lhes Deus espírito, vida e alegria,
246Aos piedosos; e todos eles verão a si mesmos
247Contemplando a doce e vivificadora luz do sol.
248Ó ditoso sobre a terra será aquele homem.