Depois disto, indo Pilatos ao templo dos judeus, reuniu todos os principais sacerdotes, e doutores, e escribas, e mestres da lei, e entrou com eles no santuário do templo, e ordenou que todas as portas fossem fechadas, e disse-lhes: Ouvimos dizer que tendes uma certa grande coleção de livros neste templo; peço-vos, pois, que seja apresentada diante de nós.
2E tendo quatro oficiais trazido aquela coleção de livros, adornada de ouro e pedras preciosas, Pilatos disse a todos: Conjuro-vos pelo Deus de vossos pais, que vos mandou edificar este templo no lugar do Seu santuário, que não me oculteis a verdade.
3Todos vós sabeis o que está escrito nessa coleção de livros; dizei agora se achastes nas Escrituras que aquele Jesus a quem crucificastes haveria de ser o Filho de Deus que havia de vir para a salvação do gênero humano, e em quantas revoluções dos tempos haveria de vir.
4Declarai-me se O crucificastes na ignorância disto, ou sabendo-o.
5Sendo assim conjurados, Anás e Caifás ordenaram a todos os outros que estavam com eles que saíssem do santuário; e eles mesmos fecharam todas as portas do templo e do santuário, e disseram a Pilatos: Fomos conjurados por ti, ó bom juiz, pela edificação deste templo, a dar-te a verdade e um claro relato deste assunto.
6Depois que crucificamos a Jesus, não sabendo que Ele era o Filho de Deus, pensando que fazia milagres por meio de algum sortilégio, realizamos uma grande reunião neste templo.
7E conferindo uns com os outros os sinais dos prodígios que Jesus fizera, achamos muitas testemunhas de nossa nação que disseram ter visto Jesus vivo depois de sofrer a morte, e que Ele havia penetrado na altura dos céus.
8E vimos duas testemunhas, as quais Jesus ressuscitou dos mortos, as quais nos contaram muitas coisas admiráveis que Jesus fez entre os mortos, as quais temos por escrito em nossas mãos.
9E é nosso costume, cada ano, perante a nossa congregação, abrir aquela santa coleção de livros e buscar o testemunho de Deus.
10E achamos no primeiro livro dos Setenta, onde o arcanjo Miguel falou ao terceiro filho de Adão, o primeiro homem, acerca de cinco mil e quinhentos anos nos quais o Cristo, o mui amado Filho de Deus, haveria de vir dos céus; e com base nisto consideramos que talvez Ele fosse o Deus de Israel que disse a Moisés: Faze para ti a arca da aliança, de dois côvados e meio de comprimento, de um côvado e meio de largura e de um côvado e meio de altura.
11Nesses cinco côvados e meio compreendemos e reconhecemos, pela estrutura da arca da antiga aliança, que em cinco mil e quinhentos anos Jesus Cristo viria na arca do corpo; e achamos que Ele é o Deus de Israel, o Filho de Deus.
12Porque, depois de Sua paixão, nós, os principais sacerdotes, maravilhados com os sinais que aconteceram por causa d'Ele, abrimos esta coleção de livros, examinando todas as gerações até a geração de José, e calculando que Maria, a mãe de Cristo, era da descendência de Davi; e achamos que desde o tempo em que Deus fez o céu e a terra e o primeiro homem até o dilúvio são dois mil duzentos e doze anos; e do dilúvio até a edificação da torre, quinhentos e trinta e um anos; e da edificação da torre até Abraão, seiscentos e seis anos; e de Abraão até a vinda dos filhos de Israel do Egito, quatrocentos e setenta anos; da saída dos filhos de Israel do Egito até a edificação do templo, quinhentos e onze anos; e da edificação do templo até a destruição do mesmo templo, quatrocentos e sessenta e quatro anos.
13Até aqui achamos no livro de Esdras.
14Após investigar, achamos que desde a queima do templo até o advento de Cristo e o Seu nascimento há seiscentos e trinta e seis anos, os quais somam cinco mil e quinhentos anos, conforme achamos escrito no livro que o arcanjo Miguel predisse a Sete, o terceiro filho de Adão, que em cinco mil e quinhentos anos viria Cristo, o Filho de Deus.
15Até o presente não dissemos isto a ninguém, para que não houvesse dissenção em nossas sinagogas.
16E agora tu nos conjuraste, ó bom juiz, por este santo livro dos testemunhos de Deus, e nós to manifestamos.
17E agora nós te conjuramos, por tua vida e segurança, que a ninguém em Jerusalém reveles estas palavras.