Mas, cuidando o Deus amoroso de Polixena, a embarcação chegou à Grécia, onde estava o bem-aventurado Filipe, que descera à praia por causa de uma visão, acompanhado de grandes multidões dos que eram instruídos por ele.
2E eis que avistaram o barco de Polixena terrivelmente açoitado pelas ondas.
3Disse o bem-aventurado Filipe: Eis a embarcação por cuja causa descemos aqui, na qual viaja uma alma em grande perigo.
4Aportando o navio e descendo todos a terra firme, jaziam quase mortos de tão sacudidos que tinham sido no mar.
5Ordenou então o apóstolo Filipe que recolhessem Polixena e a conduzissem ao seu aposento, e que cuidassem dos demais tripulantes.
6Porém o raptor de Polixena, refeito do enjoo do mar, quis apoderar-se dela novamente; contudo Filipe, tendo confiado a jovem a um de seus fiéis discípulos, continuara alegremente a sua jornada.
7Disse o discípulo que a guardava: Foi-me confiada por um varão santo, e não a entregarei a ti.
8Ele, porém, sem lhe dar ouvidos e encontrando ali um nobre seu parente, preparou-se para a guerra e reuniu oito mil homens.
9Sabendo disto Polixena, fugiu às escondidas durante a noite; e o discípulo que dela cuidava disse: Tomarei a túnica de Filipe e sairei sozinho ao encontro deles; mas ao dizer isto anunciaram-lhe que a donzela desaparecera.
10Então ele, abandonando qualquer pensamento de guerra, correu à câmara e, não encontrando a donzela, lançou-se ao chão, dizendo: Ai de mim, desventurado, que me tornei inimigo de Filipe!
11Que lhe responderei quando me pedir contas da virgem?
12Vieram os servos e disseram-lhe: Levanta-te, nosso senhor, pois o exército cerca a nossa casa e a jovem não aparece.
13Respondeu ele: Deixai-me perecer aqui por causa dela.
14Talvez até com isso Filipe, servo de Cristo, fique plenamente satisfeito, já que serei encontrado desprezando sua ordem.
15Então os servos, vendo que ele não lhes dava ouvidos, deliberaram fugir dos inimigos; mas, pouco depois, movidos novamente pela presciência de Deus, disseram: Não é justo que nosso senhor morra.
16Eia, saiamos ao encontro dos inimigos empunhando o sinal da cruz.
17Erguendo então a santa cruz avançaram cerca de trinta homens contra o exército adversário, abateram cinco mil inimigos e puseram em fuga os restantes.
18Regressaram vitoriosos ter com o amo louvando a Deus: Que Deus é tão grande como o nosso Deus, que livrou o Seu servo das mãos dos ímpios?
19E achando o amo ainda em lágrimas disseram-lhe: Levanta-te, senhor, e cessa o pranto, pois não se faz o que nós queremos, mas o que apraz ao Senhor.