E, quando também dizemos que a Palavra, primogênita de Deus, foi gerada sem união sexual e que ele, Jesus Cristo, nosso Mestre, foi crucificado, morreu, ressuscitou e subiu aos céus, nada propomos de diferente daquilo em que credes a respeito dos que considerais filhos de Júpiter. Pois sabeis quantos filhos vossos estimados escritores atribuíram a Júpiter: Mercúrio, palavra intérprete e mestre de todos; Esculápio, que, embora fosse grande médico, foi atingido por um raio e assim subiu ao céu; também Baco, depois de ter sido despedaçado; Hércules, quando se entregou às chamas para escapar aos seus trabalhos; os filhos de Leda, os Dióscuros; Perseu, filho de Dânae; e Belerofonte, que, embora nascido de mortais, subiu ao céu no cavalo Pégaso.
2Pois que direi de Ariadne e daqueles que, como ela, foram declarados postos entre as estrelas? E dos imperadores que morrem entre vós, a quem julgais dignos de divinização e em favor dos quais apresentais alguém que jura ter visto César, em chamas, subir ao céu da pira funerária? E que espécie de feitos se narram de cada um desses reputados filhos de Júpiter é desnecessário contar a quem já o sabe. Diga-se apenas que tais relatos são escritos para proveito e incentivo dos jovens estudantes; pois todos consideram honroso imitar os deuses.
3Mas esteja longe de toda alma bem formada pensar dos deuses que o próprio Júpiter, governante e criador de todas as coisas, foi parricida e filho de parricida e que, vencido pelo amor a prazeres vis e vergonhosos, procurou Ganimedes e as muitas mulheres que violentou, e que seus filhos praticaram atos semelhantes. Mas, como dissemos acima, foram demônios perversos que perpetraram essas coisas. Aprendemos que só são divinizados aqueles que viveram perto de Deus em santidade e virtude; e cremos que os que vivem perversamente e não se arrependem são castigados no fogo eterno.