Mas recebemos pela tradição que Deus não necessita das ofertas materiais que os homens lhe podem dar, visto que ele mesmo provê todas as coisas. E fomos ensinados, estamos convencidos e cremos que ele aceita somente aqueles que imitam as virtudes que nele residem: temperança, justiça, amor aos homens e todas as virtudes próprias de um Deus que não é chamado por nenhum nome particular. E fomos ensinados que ele, no princípio, por sua bondade e por amor ao homem, criou todas as coisas a partir da matéria informe; e, se os homens demonstrarem por suas obras ser dignos desse seu propósito, serão considerados dignos, conforme recebemos, de reinar com ele, livres da corrupção e do sofrimento.
2Pois, assim como no princípio ele nos criou quando ainda não existíamos, consideramos que, do mesmo modo, aqueles que escolhem o que lhe agrada são, por sua escolha, considerados dignos da incorruptibilidade e da comunhão com ele. Pois vir à existência no princípio não estava ao nosso alcance; e, para que sigamos as coisas que lhe agradam, escolhendo-as por meio das faculdades racionais com que ele próprio nos dotou, ele nos persuade e nos conduz à fé. E pensamos que é vantajoso a todos os homens que não sejam impedidos de aprender essas coisas, mas até incentivados a isso.
3Pois a contenção que as leis humanas não conseguiram produzir, a Palavra, por ser divina, teria produzido, se os demônios perversos não tivessem tomado como aliada a inclinação para a maldade que existe em cada homem e o arrasta de várias maneiras a toda espécie de vício, difundindo muitas acusações falsas e profanas, nenhuma das quais se aplica a nós.