Tampouco honramos, com muitos sacrifícios e grinaldas de flores, divindades que os homens formaram, colocaram em santuários e chamaram de deuses; pois vemos que são inanimadas e mortas e não têm a forma de Deus (pois não consideramos que Deus tenha uma forma como a que alguns dizem imitar para honrá-lo), mas têm os nomes e as formas daqueles demônios perversos que apareceram. Pois por que precisaríamos dizer-vos, a vós que já o sabeis, em que formas os artesãos moldam os materiais, esculpindo e talhando, fundindo e martelando? E muitas vezes, apenas mudando a forma de objetos desonrosos e fazendo uma imagem com a figura desejada, produzem aquilo a que chamam deus; o que consideramos não só insensato, mas até ofensivo a Deus, que, possuindo glória e forma inefáveis, vê assim seu nome ligado a coisas corruptíveis que exigem cuidado constante.
2E sabeis muito bem que os artífices dessas imagens são intemperantes e, para não entrar em detalhes, versados em todos os vícios; corrompem até as próprias moças que trabalham com eles. Que desvario! Dizer que homens dissolutos modelam e fazem deuses para o vosso culto, e designar esses homens como guardiões dos templos onde são colocados, sem reconhecer que é ilícito sequer pensar ou dizer que homens são guardiões de deuses.