Além de tudo isso, acrescento um exame das próprias doutrinas que já existiam
2nos dias dos apóstolos e foram por eles denunciadas e condenadas. Por esse método será mais fácil reprová-las, ao constatar que já existiam então ou que eram ao menos brotos do joio daquele tempo. Paulo, na primeira epístola aos Coríntios, assinala certos homens que negavam ou punham em dúvida a ressurreição. Essa opinião era característica dos saduceus. Parte dela, porém, é sustentada por Marcião, Apeles, Valentino e todos os demais adversários da ressurreição. Ao escrever aos Gálatas, também ataca os que observavam e defendiam a circuncisão e a Lei mosaica: tal é a heresia de Ebião. Em suas instruções a Timóteo, censura igualmente os que ‘proíbem o casamento’: essa é a doutrina de Marcião e de seu seguidor Apeles.
3O apóstolo dirige golpe semelhante aos que diziam que ‘a ressurreição já ocorreu’. Essa opinião os valentinianos atribuíram a si próprios. Quando menciona ‘genealogias intermináveis’, reconhecemos Valentino, em cujo sistema certo Éon, qualquer que seja, de nome novo, gera por sua graça o Entendimento e a Verdade; estes, por sua vez, produzem a Palavra e a Vida, e estas geram depois o Homem e a Igreja. Desses oito primeiros surgem outros dez Éons e, em seguida, mais doze com nomes espantosos, completando a história dos trinta Éons. O mesmo apóstolo, ao censurar os ‘escravos dos elementos’, aponta para alguma doutrina de Hermógenes, que apresenta a matéria como sem princípio e a equipara a Deus, igualmente sem princípio.
4Ao transformar a mãe dos elementos numa deusa, pode tornar-se ‘escravo’ de um ser que coloca no mesmo nível de Deus. João, porém, no Apocalipse, é encarregado de censurar os que ‘comem coisas sacrificadas aos ídolos’ e ‘praticam a fornicação’. Ainda hoje há outra espécie de nicolaítas.
5Sua doutrina se chama heresia gaiana. Em sua epístola, João designa especialmente como ‘anticristos’ os que ‘negavam que Cristo viera em carne’ e os que recusavam reconhecer Jesus como Filho de Deus. A primeira doutrina foi sustentada por Marcião; a segunda, por Ebião. Já a doutrina da feitiçaria de Simão, que inculcava o culto dos anjos, foi contada entre as idolatrias e condenada pelo apóstolo Pedro na própria pessoa de Simão.