Havendo então o Salvador dito isto, João adiantou-se e disse: Senhor meu, suporta-me se eu te interrogar, porque de agora em diante começarei a interrogar-te acerca de todas as coisas quanto ao modo como havemos de proclamá-lo à humanidade. Se, portanto, eu der àquele irmão um mistério dentre os mistérios do princípio que estão no primeiro espaço de fora, e se lhe der muitos mistérios e ele não fizer o que é digno do reino dos céus — queres tu que o deixemos passar aos mistérios do segundo espaço? Porventura ganharemos a alma daquele irmão, e ele se converterá, se arrependerá e herdará o Reino da Luz. Queres tu que o deixemos passar aos mistérios que estão no segundo espaço ou não?
2E o Salvador respondeu e disse a João: Se for um irmão que não finge, mas em verdade suspira por Deus, se lhe destes muitas vezes os mistérios do princípio e pela fatalidade dos elementos do Destino ele não fez o que é digno dos mistérios do Reino da Luz, então perdoai-lhe, deixai-o passar e dai-lhe o primeiro mistério que está no segundo espaço. Porventura ganhareis a alma daquele irmão.
3E se ele não tiver feito o que é digno dos mistérios da Luz e houver cometido transgressão e diversos pecados, e depois disso novamente se houver convertido e estado em grande arrependimento e houver renunciado a todo o mundo e cessado de todos os pecados do mundo, e vós souberdes com certeza de que ele não finge mas em verdade anela por Deus, então voltai-vos de novo, perdoai-lhe, deixai-o passar adiante e dai-lhe o segundo mistério no segundo espaço do Primeiro Mistério. Porventura ganhareis a alma daquele irmão e ele herdará o Reino da Luz.
4E novamente, se ele não tiver feito o que é digno dos mistérios, mas houver estado em transgressão e diversos pecados, e depois disso de novo se houver convertido e estado em grande arrependimento e renunciado a todo o mundo e a toda a matéria nele contida e cessado dos pecados do mundo, de maneira que saibais verdadeiramente que ele não finge mas anela com fidelidade por Deus, então voltai-vos de novo, perdoai-lhe e recebei o seu arrependimento, porque o Primeiro Mistério é compassivo e benigno; deixai também aquele homem passar e dai-lhe os três mistérios juntos que estão no segundo espaço do Primeiro Mistério.
5Se aquele homem então transgredir e estiver em diversos pecados, daquele momento em diante não haveis de perdoar-lhe nem de receber o seu arrependimento; mas seja ele entre vós como uma pedra de tropeço e como um transgressor. Pois em verdade vos digo: Aqueles três mistérios serão testemunhas para o seu último arrependimento, e ele não terá arrependimento daquele momento em diante. Porque em verdade vos digo: A alma daquele homem não será lançada de volta ao mundo acima desde aquele momento em diante, mas estará nas moradas do dragão das trevas exteriores.
6Pois acerca das almas de tais homens vos falei outrora em parábola, dizendo: Se teu irmão pecar contra ti, traze-o perante ti a sós. Se ele te ouvir, ganhaste o teu irmão; se não te ouvir, leva contigo ainda outro. Se não ouvir a ti e ao outro, dize-o à assembleia. Se não ouvir os outros, seja ele para vós como um transgressor e como uma pedra de tropeço. — Isto é: Se ele não for aproveitável no primeiro mistério, dai-lhe o segundo; e se não for aproveitável no segundo, dai-lhe os três reunidos, o que é a assembleia; e se não for aproveitável no terceiro mistério, seja para vós como uma pedra de tropeço e como um prevaricador.
7E a palavra que vos disse outrora: Para que pela boca de duas a três testemunhas toda palavra seja estabelecida — é esta: Aqueles três mistérios darão testemunho para o seu último arrependimento. E em verdade vos digo: Se aquele homem se arrepender, nenhum mistério poderá perdoar-lhe os seus pecados, nem o seu arrependimento poderá ser aceito, nem poderá ele de modo algum ser ouvido por meio de qualquer mistério, a não ser pelo primeiro mistério do Primeiro Mistério e pelos mistérios do Inefável. São estes sós os que receberão o arrependimento daquele homem e perdoarão os seus pecados; pois aqueles mistérios na verdade são compassivos e benignos e perdoadores em todo o tempo.