LUX VERITAS

Escrituras & Manuscritos

Apócrifos · Capítulo 3 de 15

Sobre a Paciência (Tertuliano) 3

Tratado Patrístico

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Essa espécie de paciência divina, por estar, por assim dizer, distante, talvez seja considerada uma das coisas elevadas demais para nós. Mas que dizer daquela que, de certo modo, foi palpada entre os homens, à vista de todos, na terra? Deus consente em ser concebido no ventre de uma mãe e espera o tempo de nascer; depois de nascido, suporta a demora de crescer; depois de crescido, não tem pressa de ser reconhecido, antes Se humilha ainda mais e é batizado por Seu próprio servo. Repele apenas com palavras os ataques do tentador; de Senhor torna-Se Mestre, ensinando ao homem a escapar da morte, depois de exercitar a absoluta mansidão da paciência ofendida. Não contendeu nem clamou em alta voz, nem se ouviu Sua voz nas ruas.

2Não quebrou a cana ferida nem apagou o pavio que fumegava, pois o profeta — ou antes, o testemunho do próprio Deus, que pôs no Filho Seu Espírito juntamente com toda a paciência — não falou falsamente. Não havia ninguém que desejasse unir-se a Ele e que Ele não acolhesse. Não desprezou a mesa nem o teto de ninguém; Ele mesmo se pôs a lavar os pés dos discípulos. Não afastou pecadores nem publicanos; tampouco Se irou contra a cidade que recusara recebê-Lo, embora os discípulos quisessem que o fogo do céu caísse imediatamente sobre aquela cidade tão insolente. Cuidou dos ingratos e cedeu aos que Lhe armavam ciladas. Tudo isso seria pouco se não tivesse mantido em Sua companhia até o próprio traidor, abstendo-Se firmemente de apontá-lo.

3Além disso, ao ser traído e conduzido como ovelha ao sacrifício — pois, como cordeiro diante do tosquiador, não abre a boca —, Ele, a quem legiões de anjos se apresentariam do céu a uma só palavra, caso quisesse, não aprovou sequer a espada vingadora de um discípulo. A paciência do Senhor foi ferida na ferida de Malco. Assim também amaldiçoou, para o futuro, as obras da espada e, restituindo a saúde àquele a quem Ele próprio não ferira, ofereceu-lhe reparação por meio da Paciência, mãe da Misericórdia. Passo em silêncio pelo fato de ter sido crucificado, pois para esse fim viera; mas seria necessário que a morte que devia sofrer fosse acompanhada também de ultrajes? Sim: prestes a partir, quis saciar-Se com o prazer da paciência.

4Cospem-Lhe no rosto, açoitam-No, escarnecem Dele, vestem-No indignamente e O coroam de modo ainda mais indigno. Admirável fidelidade à equanimidade! Aquele que decidira ocultar-Se sob a forma humana não imitou em nada a impaciência do homem. Por isso, fariseus, mais do que por qualquer outro traço, deveríeis ter reconhecido o Senhor. Nenhum homem alcançaria semelhante paciência. Tão grandes testemunhos — cuja própria grandeza é, para as nações, motivo de rejeição da fé, mas, para nós, sua razão e seu alimento — demonstram com bastante clareza, àqueles a quem é dado crer, que a paciência pertence à natureza de Deus como efeito e excelência de uma qualidade que Lhe é inerente; e o demonstram tanto pelos ensinamentos com que o Senhor a ordena quanto pelos sofrimentos com que a suporta.

Palavras deste capítulo

O que estas palavras diziam no original — e onde mais elas aparecem.

Sobre Sobre a Paciência (Tertuliano)

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Publicado aqui a partir de tradução em domínio público, revisado para leitura corrida.