Pilatos, ouvindo estas palavras de Anás e Caifás, guardou-as todas nos feitos de nosso Senhor e Salvador, nos registros públicos do seu pretório, e escreveu uma carta a Cláudio, imperador da cidade de Roma, dizendo:—
2Pôncio Pilatos a Cláudio, seu soberano, saudações.
3Aconteceu recentemente, como eu próprio também comprovei, que os judeus, por inveja, castigaram a si mesmos e à sua posteridade com uma cruel condenação.
4Em suma, tendo seus pais a promessa de que o seu Deus lhes enviaria do céu o Seu Santo, que devidamente deveria ser chamado o seu rei, e prometendo que O enviaria à terra por meio de uma virgem: quando, portanto, sendo eu procurador, Ele veio à Judeia, e quando viram que Ele iluminava os cegos, limpava os leprosos, curava os paralíticos, fazia os demônios fugirem dos homens, ressuscitava até os mortos, repreendia os ventos, andava a pé enxuto sobre as ondas do mar e fazia muitos outros sinais de milagres; e quando todo o povo dos judeus dizia que Ele era o Filho de Deus, os principais sacerdotes encheram-se de inveja contra Ele, prenderam-n'O e O entregaram a mim; e, contando-me uma mentira após outra, disseram que Ele era um feiticeiro e agia contra a lei deles.
5E eu cri que assim fosse, e entreguei-O para ser açoitado, segundo a vontade deles.
6E crucificaram-n'O, e puseram guardas sobre Ele depois de sepultado.
7E Ele ressuscitou no terceiro dia, enquanto os meus soldados montavam guarda.
8Mas tão flagrante foi a iniquidade dos judeus, que deram dinheiro aos meus soldados, dizendo: Dizei que os Seus discípulos roubaram o Seu corpo.
9Mas, depois de receberem o dinheiro, não puderam manter em segredo o que fora feito; pois deram testemunho tanto de que Ele havia ressuscitado, como de que O tinham visto, e de que haviam recebido dinheiro dos judeus.
10Isto, pois, fiz, para que ninguém dê um relato diferente e falso acerca disto, e para que não penses que se deve crer nas mentiras dos judeus.