Ora, aconteceu que certa mulher, esposa de Carísio, o qual era o segundo depois do rei, cujo nome era Migdônia, veio para ver e contemplar o novo nome e o novo Deus que era proclamado, e o novo apóstolo que viera visitar a sua terra; e ela era carregada por seus próprios servos; e por causa da grande multidão e do caminho estreito não podiam fazê-la chegar perto dele. E ela mandou pedir a seu marido que lhe enviasse mais servos para a servirem; e eles vieram e aproximaram-se dela, comprimindo o povo e espancando-o. E o apóstolo viu isto e disse-lhes: Por que derribais os que vêm para ouvir a palavra e estão ávidos por ela? E desejais estar perto de mim, mas estais longe, como se disse da multidão que vinha ao Senhor: Tendo olhos não vedes, e tendo ouvidos não ouvis; e ele disse às multidões: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça; e: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
2E, olhando para os que a carregavam, disse-lhes: Esta bênção e esta admoestação que lhes fora prometida é para vós que agora estais pesadamente sobrecarregados. Vós sois os que levais fardos difíceis de suportar e sois levados de um lado para outro pelo mandado dela. E, conquanto sejais homens, põem sobre vós cargas como sobre animais brutos, pois os que têm autoridade sobre vós pensam que não sois homens tais como eles, quer servos, quer livres. Pois nem as possessões aproveitarão ao rico, nem a pobreza livrará o pobre do juízo; nem recebemos mandamento que não possamos cumprir, nem nos impôs fardos pesados de carregar que não possamos levar; nem edifícios que os homens constroem, nem lavrar pedras e aprontar casas, como fazem os vossos artífices pelo seu próprio conhecimento. Mas este mandamento recebemos do Senhor: que aquilo que a nós não nos agrada quando feito por outrem, isso não o façamos a homem algum.
3Abstende-vos, pois, primeiramente do adultério, pois este é o princípio de todos os males; e depois do furto, o qual seduziu a Judas Iscariotes e o levou a enforcar-se; e da avareza, pois todos quantos cedem à avareza não veem o que fazem; e da vanglória e de todas as ações torpes, especialmente as do corpo, pelas quais sobrevém a condenação eterna. Pois esta é a cidade principal de todos os males; e igualmente conduz à tirania os que mantêm a cerviz altiva, e os arrasta para o abismo, e os subjuga sob as suas mãos, de modo que não veem o que fazem; por isso as coisas por eles feitas lhes são ocultas.
4Mas tornai-vos agradáveis a Deus em todas as boas obras, em mansidão e quietude; pois a estes Deus poupa, e concede a vida eterna, e aniquila a morte. E na benignidade que acompanha todas as boas coisas, e vence a todos os inimigos, e ela só recebe a coroa da vitória; com brandura, e estendendo a mão aos pobres, e suprindo a necessidade dos indigentes, e distribuindo aos que estão em aflição, mormente aos que andam em santidade. Pois isto é escolhido perante Deus e conduz à vida eterna; pois isto é diante de Deus a cidade principal de todo o bem; pois os que não combatem no estádio de Cristo não alcançarão a santidade. E a santidade manifestou-se da parte de Deus, abolindo a fornicação, derribando o inimigo, agradável a Deus; pois ela é uma atleta invencível, tendo honra de Deus, glorificada por muitos; ela é embaixadora da paz, anunciando a paz: se alguém a alcança, permanece sem cuidados, agradando ao Senhor, esperando o tempo da redenção; pois nada faz de errado, mas dá vida, repouso e alegria a todos os que a adquirem.
5Pois a mansidão venceu a morte e a submeteu à autoridade; a mansidão escravizou o inimigo; a mansidão é o bom jugo; a mansidão não teme e não se opõe aos muitos; a mansidão é paz, alegria e exaltação do descanso. Permanecei, pois, na santidade e recebei de mim a liberdade, e chegai-vos à mansidão; pois nestes três pontos está retratado o Cristo que vos proclamo. A santidade é o templo de Cristo, e quem nela habita adquire-a para morada, porquanto durante quarenta dias e quarenta noites jejuou, nada provando; e quem a guarda habitará nela como sobre um monte. E a mansidão é o seu gloriar-se; pois disse a Pedro, nosso companheiro apóstolo: Guarda a tua espada na bainha; pois se eu quisesse fazer assim, não poderia eu trazer mais de doze legiões de anjos de meu Pai?
6E, havendo o apóstolo dito estas coisas aos ouvidos de toda a multidão, atropelavam-se e comprimiam-se uns aos outros; e a esposa de Carísio, parente do rei, saltou da sua liteira e prostrou-se por terra diante do apóstolo, e segurou-lhe os pés, e suplicou e disse: Ó discípulo do Deus vivo, tu vieste a uma terra deserta, pois vivemos no deserto; sendo semelhantes a animais brutos em nossa conduta, mas agora seremos salvos por tuas mãos; rogo-te, pois, tem cuidado de mim e ora por mim, para que a compaixão do Deus que pregas venha sobre mim, e eu me torne sua morada, e me una em oração, esperança e fé nele, e também eu receba o selo e me torne um templo santo, e ele habite em mim.
7E o apóstolo disse: Oro e suplico por todos vós, irmãos, que credes no Senhor, e por vós, irmãs, que esperais em Cristo, para que em todos vós a palavra de Deus faça morada e tenha nela o seu tabernáculo; pois não temos poder sobre eles. E começou a dizer à mulher Migdônia: Levanta-te da terra e compõe-te. Pois este adorno que trazes não te aproveitará, nem a formosura do teu corpo, nem os teus vestidos, nem tampouco a fama de tua nobreza, nem a autoridade deste mundo, nem a união carnal com o teu marido te valerão se fores desprovida da verdadeira comunhão; pois a ilusão dos adornos se aniquila, e o corpo envelhece e se corrompe, e as vestes envelhecem, e a autoridade e o domínio passam, e a união da procriação também passa, e torna-se como que em condenação. Somente Jesus permanece para sempre, e os que nele esperam. Assim falou, e disse à mulher: Vai em paz, e o Senhor te fará digna de seus próprios mistérios. Mas ela disse: Temo ir-me embora, para que não me desampares e partas para outra nação. Porém o apóstolo disse-lhe: Ainda que eu vá, não te deixarei só, mas Jesus por sua compaixão estará contigo. E ela prostrou-se e fez-lhe reverência, e partiu para a sua casa.
8Ora, Carísio, parente do rei Misdeu, lavou-se e regressou e assentou-se para jantar. E perguntou por sua mulher, onde estava; pois ela não saíra de seus aposentos para o encontrar como costumava fazer. E as suas servas disseram-lhe: Ela não se sente bem. E ele entrou depressa no aposento e achou-a deitada no leito e coberta com véu; e descobriu-a e beijou-a, dizendo: Por que estás triste hoje? E ela disse: Não estou bem. E ele disse-lhe: Por que, pois, não guardaste o decoro de tua liberdade e não ficaste em tua casa, mas foste ouvir discursos vãos e contemplar obras de feitiçaria? Mas levanta-te e janta comigo, pois não posso jantar sem ti. Ela, porém, disse-lhe: Hoje recuso, pois estou mui atemorizada.
9E, ouvindo Carísio isto de Migdônia, não quis sair para o banquete, mas ordenou aos seus servos que trouxessem a refeição para comer com ela; e quando a trouxeram, pediu-lhe que ceasse com ele, mas ela se escusou; e visto que ela não quis, ceou ele sozinho, dizendo-lhe: Por tua causa recusei jantar com o rei Misdeu, e tu não quiseste jantar comigo? Mas ela disse: É porque não estou bem. Carísio, pois, levantou-se como de costume e quis deitar-se com ela, mas ela disse: Não te disse que por hoje me recuso?
10Ouvindo ele isto, foi para outro leito e dormiu; e, despertando do sono, disse: Minha senhora Migdônia, ouve o sonho que tive. Vi a mim mesmo recostado à mesa junto ao rei Misdeu, e um prato de toda sorte nos foi posto diante; e vi uma águia descer do céu e arrebatar de diante de mim e do rei duas perdizes, as quais pôs contra o seu coração; e novamente ela veio sobre nós e voou sobre nós, e o rei ordenou que lhe trouxessem um arco; e a águia arrebatou de novo de diante de nós um pombo e uma rola, e o rei disparou-lhe uma flecha, e esta a atravessou de um lado a outro e não a feriu; e ela, ilesa, subiu para o seu próprio ninho. E acordei, e estou cheio de temor e sobremodo aflito, porque havia provado da perdiz, e ela não me permitiu levá-la de novo à minha boca. E Migdônia disse-lhe: O teu sonho é bom; pois tu todos os dias comes perdizes, mas esta águia não havia provado de perdiz até agora.
11E, sendo manhã, Carísio foi e vestiu-se, e calçou o pé direito com o calçado esquerdo; e parou, e disse a Migdônia: Que significa isto? Pois olha o sonho e este meu ato! Mas Migdônia disse-lhe: Também isto não é mau, antes me parece muito bom; pois de um ato desastrado haverá mudança para melhor. E ele lavou as mãos e foi saudar o rei Misdeu.
12E da mesma sorte Migdônia levantou-se de madrugada e foi saudar o apóstolo Judas Tomé, e achou-o conversando com o capitão e com toda a multidão, e ele os admoestava e falava da mulher que recebera o Senhor em sua alma, de quem ela era esposa; e o capitão disse: Ela é esposa de Carísio, parente do rei Misdeu. E disse: O marido dela é homem duro, e em tudo o que ele diz ao rei, este lhe obedece; e ele não permitirá que ela continue neste propósito que prometeu; pois muitas vezes a louvou perante o rei, dizendo que não há outra semelhante a ela em amor: todas as coisas, pois, que tu lhe falas lhe são estranhas. E o apóstolo disse: Se verdadeiramente e com certeza o Senhor despontou sobre a sua alma e ela recebeu a semente que sobre ela foi lançada, ela não terá cuidado desta vida temporal, nem temerá a morte, nem poderá Carísio prejudicá-la em nada; pois maior é aquele a quem ela recebeu em sua alma, se com efeito o recebeu.
13E Migdônia, ouvindo isto, disse ao apóstolo: Na verdade, meu senhor, recebi a semente de tuas palavras, e produzirei fruto semelhante a tal semente. O apóstolo diz: As nossas almas te dão louvor e graças, ó Senhor, pois são tuas; os nossos corpos te dão graças, os quais julgaste dignos de se tornarem morada de teu dom celestial. E disse também aos que estavam presentes: Bem-aventurados os santos, cujas almas nunca os condenaram, pois as conquistaram e não estão divididos contra si mesmos; bem-aventurados os espíritos dos puros, e os que receberam intacta a coroa celestial do século que lhes foi determinado; bem-aventurados os corpos dos santos, pois foram feitos dignos de se tornarem templos de Deus, para que Cristo habite neles; bem-aventurados sois vós, pois tendes poder para perdoar pecados; bem-aventurados sois vós se não perderdes o que vos é confiado, mas, regozijando-vos e partindo, o leveis convosco; bem-aventurados sois vós, os santos, pois a vós é dado pedir e receber; bem-aventurados sois vós, os mansos, pois Deus vos julgou dignos de serdes herdeiros do reino celestial. Bem-aventurados sois vós, os mansos, pois sois os que vencestes o inimigo; bem-aventurados sois vós, os mansos, pois vereis a face do Senhor. Bem-aventurados sois vós que tendes fome por amor do Senhor, pois para vós está guardado o repouso, e as vossas almas se regozijam desde agora. Bem-aventurados sois vós que sois pacíficos, pois fostes julgados dignos de serdes livres do pecado e da troca de animais puros e impuros. E, dizendo o apóstolo estas coisas aos ouvidos de toda a multidão, Migdônia foi ainda mais confirmada na fé, na glória e na grandeza de Cristo.
14Mas Carísio, parente e amigo do rei Misdeu, veio para o almoço e não achou sua mulher em casa; e perguntou a todos os que estavam em sua casa: Para onde foi a vossa senhora? E um deles respondeu e disse: Foi ter com aquele estrangeiro. E, ouvindo isto de seu servo, indignou-se contra os outros servos porque não lhe haviam contado de pronto o que sucedera; e assentou-se e esperou por ela. E, sendo tarde e entrando ela em casa, disse-lhe ele: Onde estiveste? E ela respondeu e disse: Com o médico. E ele disse: Aquele estrangeiro é médico? E ela disse: Sim, ele é médico das almas; pois a maioria dos médicos cura os corpos que se decompõem, mas ele cura as almas que não se destroem. Carísio, ouvindo isto, irou-se muito em seu íntimo contra Migdônia por causa do apóstolo, mas nada lhe respondeu, pois teve medo; porque ela era superior a ele tanto em riquezas como em nascimento; mas retirou-se para jantar, e ela foi para o seu aposento. E ele disse aos servos: Chamai-a para o jantar. Mas ela não quis vir.
15E, ouvindo ele que ela não queria sair do aposento, entrou e disse-lhe: Por que não queres jantar comigo e porventura não dormir comigo segundo o costume? Por certo acerca disto tenho maior suspeita, pois ouvi que aquele mago e enganador ensina que o homem não deve viver com a sua mulher, e subverte aquilo que a natureza exige e a divindade ordenou. Dizendo Carísio estas coisas, Migdônia guardava silêncio. Disse-lhe ele de novo: Minha senhora e consorte Migdônia, não te deixes desviar por palavras enganosas e vãs, nem pelas obras de feitiçaria que ouvi que este homem realiza em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; pois nunca se ouviu no mundo que alguém ressuscitasse os mortos, e, segundo ouço, relata-se deste homem que ressuscita mortos. E quanto ao fato de não comer nem beber, não penses que por amor da justiça não coma nem beba, mas faz isto porque nada possui; pois que faria aquele que não tem sequer o seu pão diário? E tem uma só túnica porque é pobre, e quanto a não receber nada de ninguém.
16E, dizendo Carísio isto, Migdônia permaneceu silenciosa como uma pedra, mas orava, pedindo que amanhecesse para que pudesse ir ao apóstolo de Cristo. E ele retirou-se dela e foi jantar com o ânimo pesado, pois pensava em dormir com ela segundo o costume. E, tendo ele saído, ela dobrou os joelhos e orou, dizendo: Senhor Deus e Soberano, Pai misericordioso, Cristo Salvador, dá-me forças para vencer a desvergonha de Carísio, e concede-me guardar a santidade em que te comprazes, para que eu também por ela ache a vida eterna. E, havendo assim orado, deitou-se em seu leito e cobriu-se com o véu.
17Mas Carísio, tendo jantado, veio sobre ela, e ela clamou em alta voz, dizendo: Não tens mais lugar algum junto a mim, pois o meu Senhor Jesus é maior do que tu, o qual está comigo e repousa em mim. E ele riu e disse: Zombas bem dizendo isto a respeito daquele mago, e bem dele escarneces, o qual diz: Não tendes vida com Deus se não vos purificardes. E, dizendo ele isto, intentou deitar-se com ela, mas ela não o suportou, e clamou amargamente, dizendo: Invoco-te, Senhor Jesus, não me desampares! Pois em ti fiz o meu refúgio; pois quando soube que tu és aquele que busca os que estão encobertos em ignorância e salva os que estão presos no erro. E agora te suplico, cuja notícia ouvi e em quem cri: vem em meu socorro e salva-me da desfaçatez de Carísio, para que a sua impureza não prevaleça sobre mim. E bateu as mãos e fugiu dele nua, e, saindo, arrancou a cortina do quarto nupcial e envolveu-se nela, e foi para a sua ama e dormiu ali com ela.
18Mas Carísio esteve em tristeza durante toda a noite, e bateu em seu rosto com as mãos, e esteve inclinado a ir naquela mesma hora contar ao rei a violência que lhe fora feita; mas ponderou consigo mesmo, dizendo: Se a grande tristeza que está sobre mim me compele a ir agora ao rei, quem me introduzirá a ele? Pois sei que a minha humilhação me derribou de meus altos olhares, de minha vanglória e majestade, e me abateu nesta baixeza, e separou de mim a minha irmã Migdônia. Por certo, se o próprio rei estivesse diante das portas a esta hora, eu não poderia ter saído para lhe responder. Mas esperarei até o amanhecer, e sei que tudo o que eu pedir ao rei ele mo concederá; e dir-lhe-ei da loucura deste estrangeiro, de como tiranicamente derriba os grandes e ilustres para o abismo. Pois não é isto o que me contrista, ser privado de sua companhia, mas por ela estou aflito, porque a grandeza de sua alma foi humilhada; sendo uma senhora honrada, na qual ninguém de sua casa jamais achou falta, fugiu nua, correndo para fora do seu próprio leito, e não sei para onde foi; e pode ser que tenha enlouquecido por meio daquele feiticeiro, e em sua loucura tenha saído à praça para buscá-lo; pois nada há que lhe pareça amável exceto ele e as coisas que por ele são ditas.
19E dizendo isto, começou a lamentar-se e dizer: Ai de mim, ó minha esposa, e de ti também! Pois fui cedo demais despojado de ti. Ai de mim, minha mui amada, pois excedes a toda a minha linhagem; nem filho nem filha tive de ti para que neles achasse descanso; nem sequer habitaste comigo um ano inteiro, e um olho mau te arrebatou de mim. Oxalá a violência da morte te houvesse levado, e eu ainda me contaria entre os reis e nobres; mas ter eu de sofrer isto às mãos de um estrangeiro, que quiçá é um escravo fugitivo, para desdita minha e tristeza da minha desventurada alma! Que não haja impedimento para mim até que o destrua e vingue esta noite, e não seja eu benquisto diante do rei Misdeu se ele não me vingar com a cabeça deste estrangeiro; e também lhe direi a respeito do capitão Sífor, que foi a causa disto. Pois por seu intermédio o estrangeiro apareceu aqui e hospeda-se em sua casa; e muitos são os que entram e saem, aos quais ele ensina uma nova doutrina, dizendo que ninguém pode viver se não renunciar a todos os seus bens e se tornar renunciante como ele; e ele se esforça por fazer muitos participantes consigo.
20E, pensando Carísio nestas coisas, rompeu o dia; e vestiu um hábito humilde, calçou-se e foi cabisbaixo e acabrunhado saudar o rei. E, quando o rei o viu, disse: Por que estás triste e vens com tais vestes? Vejo que o teu semblante mudou. E Carísio disse ao rei: Tenho uma coisa nova para te contar e uma nova desolação que Sífor trouxe à Índia: certo hebreu, um feiticeiro, a quem ele tem assentado em sua casa e que dele não se aparta; e muitos são os que entram ter com ele, aos quais também ele ensina sobre um novo Deus, impondo-lhes novas leis tais como nunca se ouviram, dizendo: É-vos impossível entrar naquela vida eterna que vos proclamo a menos que vos separeis de vossas esposas, e outrossim as esposas de seus maridos. E sucedeu que a minha desditada mulher também foi a ele e se fez ouvinte de suas palavras, e creu nelas, e de noite me desamparou e correu para o estrangeiro. Mas manda buscar tanto a Sífor como àquele feiticeiro que com ele se oculta, e faz cair isto sobre a cabeça deles, para que não pereçam todos os de nossa nação.
21E, ouvindo isto o rei Misdeu, seu amigo, disse-lhe: Não te entristeças nem te angusties, pois mandarei buscá-lo e te vingarei, e recuperarás a tua mulher, e vingarei os outros que não puderem. E saiu o rei e assentou-se no tribunal, e, estando assentado, ordenou que chamassem o capitão Sífor. Foram, pois, à sua casa e acharam-no assentado à mão direita do apóstolo, e Migdônia a seus pés, ouvindo-o com toda a multidão. E os que foram enviados da parte do rei disseram a Sífor: Estás aqui sentado ouvindo palavras vãs, enquanto o rei Misdeu em sua ira intenta destruir-te por causa deste mago e enganador que trouxeste para a tua casa? E Sífor, ouvindo isto, abateu-se, não pela ameaça do rei contra si, mas pelo apóstolo, porque o rei estava contra ele inclinado. E disse ao apóstolo: Entristeço-me por ti; pois te disse desde o princípio que aquela mulher é esposa de Carísio, amigo e parente do rei, e ele não permitirá que ela cumpra o que prometeu, e tudo o que ele pede ao rei, este lho concede. Mas o apóstolo disse a Sífor: Não temas coisa alguma, mas crê em Jesus que advoga por todos nós, pois ao seu refúgio estamos congregados. E Sífor, ouvindo isto, envolveu-se em sua capa e foi ter com o rei Misdeu.
22E o apóstolo perguntou a Migdônia: Qual foi a causa de o teu marido irar-se contra ti e maquinar isto contra nós? E ela disse: Porque não me entreguei à sua corrupção; pois ele desejou na noite passada subjugar-me e sujeitar-me àquela paixão que ele serve; e aquele a quem entreguei a minha alma livrou-me das suas mãos; e fugi dele nua e dormi com a minha ama; mas o que lhe sucedeu não sei, por que razão ele maquinou isto. O apóstolo diz: Estas coisas não nos prejudicarão; mas crê tu em Jesus, e ele abaterá a ira de Carísio, a sua loucura e o seu ímpeto; e ele será teu companheiro no caminho temível, e te guiará para o seu reino, e te conduzirá à vida eterna, dando-te aquela confiança que não perece nem se altera.
23Ora, Sífor compareceu diante do rei, e este lhe perguntou: Quem é esse feiticeiro e donde é, e que ensina ele, o qual tens oculto em tua casa? E Sífor respondeu ao rei: Não ignoras, ó rei, que aflição e tristeza eu e meus amigos tivemos a respeito de minha esposa, a quem conheces e muitos outros lembram, e a respeito de minha filha, a quem estimo mais do que a todos os meus bens, que tempo e provação sofri; pois me tornei escárnio e opróbrio em toda a nossa terra. E ouvi a fama deste homem e fui a ele e roguei-lhe, e tomei-o e trouxe-o para cá. E, vindo pelo caminho, vi coisas admiráveis e espantosas; e aqui também muitos ouviram o jumento selvagem e a respeito daquele demônio que ele expulsou, e curou a minha mulher e a minha filha, e agora estão sãs; e ele não pediu recompensa alguma, mas exige fé e santidade, para que os homens se tornem coparticipantes com ele naquilo que faz; e isto ensina: a adorar e temer a um só Deus, governador de todas as coisas, e a Jesus Cristo seu Filho, para que tenham a vida eterna. E o seu alimento é pão e sal, e a sua bebida é água, de tarde em tarde, e faz muitas orações; e tudo quanto pede ao seu Deus, ele lho concede. E ensina que este Deus é santo e poderoso, e que Cristo vive e vivifica; pelo que também exorta os presentes a que se cheguem a ele em santidade, pureza, amor e fé.
24E ouvindo o rei Misdeu estas coisas de Sífor, enviou muitos soldados à casa do capitão Sífor para trazerem o apóstolo Tomé e todos os que ali fossem achados. E os enviados entraram e acharam-no ensinando a muita gente; e Migdônia estava assentada aos seus pés. E, vendo a grande multidão que o rodeava, temeram e voltaram ao seu rei e disseram: Não ousamos dizer-lhe palavra alguma, pois havia uma grande multidão ao redor dele, e Migdônia, assentada aos seus pés, ouvia as coisas que por ele eram ditas. E ouvindo o rei Misdeu e Carísio estas coisas, Carísio saltou de diante do rei e levou consigo muita gente, dizendo: Eu o trarei, ó rei, e a Migdônia, cujo juízo ele arrebatou. E foi à casa do capitão Sífor, muito perturbado, e achou Tomé ensinando; mas a Migdônia não a achou, pois ela se havia retirado para a sua casa, tendo sabido que fora dito a seu marido que ela ali estava.
25E disse Carísio ao apóstolo: Levanta-te, homem perverso, destruidor e inimigo de minha casa; pois a mim a tua feitiçaria não prejudica, porque farei cair a tua feitiçaria sobre a tua própria cabeça. E dizendo ele isto, o apóstolo olhou para ele e disse-lhe: As tuas ameaças recairão sobre ti, pois a mim em nada prejudicarás; porque maior do que tu, do que o teu rei e de todo o vosso exército é o Senhor Jesus Cristo em quem ponho a minha confiança. E Carísio tomou um lenço de um de seus servos e lançou-o ao redor do pescoço do apóstolo, dizendo: Arrastai-o e levai-o embora; vejamos se o seu Deus é capaz de livrá-lo de minhas mãos. E arrastaram-no e levaram-no ao rei Misdeu. E o apóstolo compareceu perante o rei, e o rei disse-lhe: Dize-me quem és e com que autoridade fazes estas coisas. Mas o apóstolo guardou silêncio. E o rei ordenou aos seus ministros que o açoitassem com cento e vinte e oito golpes, e o atassem, e o lançassem na prisão; e ataram-no e levaram-no. E o rei e Carísio deliberavam como o haviam de matar, pois a multidão o venerava como a Deus. E tinham em mente dizer: O estrangeiro insultou o rei e é um sedutor.
26Mas o apóstolo foi para a prisão regozijando-se e exultando, e disse: Louvo-te, Jesus, porque não somente me fizeste digno da fé em ti, mas também de padecer muito por teu amor. Dou-te graças, pois, Senhor, porque cuidaste de mim e me deste paciência; agradeço-te, Senhor, porque por amor de ti sou chamado feiticeiro e mago. Recebe-me, pois, com a bênção dos pobres, com o repouso dos cansados e com as bênçãos daqueles a quem os homens odeiam, perseguem, insultam e de quem falam mal. Pois eis que por teu amor sou odiado; eis que por teu amor sou separado da multidão, e por teu amor me chamam de coisas que não sou.
27E, orando ele, todos os prisioneiros olhavam para ele e suplicavam-lhe que orasse por eles; e, havendo orado e assentando-se, começou a entoar um salmo deste modo: Quando eu era criancinha no palácio de meu Pai e repousava na riqueza e no luxo dos que me criavam, do Oriente, nossa pátria, meus pais me aprovisionaram e me enviaram. E da riqueza daqueles seus tesouros compuseram uma carga ao mesmo tempo grande e leve, para que eu a pudesse carregar sozinho. Ouro é a carga, dos que estão no alto, e prata dos grandes tesouros, e pedras calcedônias dos indianos, e pérolas dos cusanos. E armaram-me com diamante, e despiram-me da túnica bordada de pedrarias e salpicada de ouro, que haviam feito para mim porque me amavam, e o manto de cor amarela, feito à minha estatura. E fizeram uma aliança comigo e inscreveram-na em meu entendimento para que dela não me esquecesse, dizendo: Se desceres ao Egito e trouxeres de lá a pérola única que ali está cercada pela serpente voraz, vestirás de novo a túnica bordada de pedrarias e o manto que sobre ela repousa, e te tornarás, com o teu irmão que é o segundo após nós, herdeiro em nosso reino. E saí do Oriente por um caminho difícil e temível, com dois guias, e eu não estava afeito a viajar por ele; e passei pelas fronteiras de Mesena, onde se reúnem os mercadores do Oriente,
28e cheguei à terra dos babilônios. Mas quando entrei no Egito, deixaram-me os guias que haviam viajado comigo. E dirigi-me pelo caminho mais rápido até a serpente, e junto à sua cova fiquei vigiando para quando ela adormecesse e dormisse, a fim de arrebatar-lhe a minha pérola. E, como eu estava sozinho, disfarcei o meu aspecto e pareci estranho ao meu povo. E ali vi o meu parente do Oriente, nascido livre, um jovem formoso e belo, filho de príncipes. Ele veio a mim e habitou comigo, e tive-o por companheiro, e fiz dele meu amigo e parceiro em minha jornada. E ordenei-lhe que se guardasse dos egípcios e de provar daquelas coisas impuras. E vesti-me com as vestes deles, para que não parecesse forasteiro, como alguém que viera de fora para resgatar a pérola, e para que os egípcios não despertassem a serpente contra mim. Mas, não sei por que ocasião, souberam que eu não era da terra deles. E com astúcia misturaram para mim um engano, e provei da comida deles. E não me lembrei mais de que era filho de rei, e tornei-me servo do rei deles. E esqueci-me também da pérola para a qual meus pais me haviam enviado, e pelo peso da comida deles caí num sono profundo. Mas, sobrevindo-me isto, meus pais também o souberam e se entristeceram por mim,
29e uma proclamação foi divulgada em nosso reino, para que todos se reunissem às nossas portas. E então os reis da Pártia e os magistrados e os grandes do Oriente tomaram uma resolução a meu respeito, para que eu não fosse abandonado no Egito; e os príncipes escreveram-me, expressando assim: De teu Pai, o Rei dos reis, e de tua mãe que governa o Oriente, e de teu irmão que é o segundo após nós; a nosso filho que está no Egito, paz. Levanta-te e desperta do sono, e ouve as palavras desta carta, e lembra-te de que és filho de reis; eis que caíste sob o jugo da servidão. Lembra-te da pérola pela qual foste enviado ao Egito. Lembra-te de tua túnica resplandecente de ouro; o teu nome está inscrito no livro da vida, juntamente com o teu irmão a quem recebeste em nosso reino. E o Rei, [como embaixador], selou-a por causa dos malignos, os filhos dos babilônios e os demônios tiranos de Labirinto. Ela voou e pousou junto a mim, e tornou-se toda em fala. E eu, à voz dela e ao seu toque, despertei do sono, tomei-a, beijei-a e li-a. E estava escrito conforme o que fora gravado em meu coração.
30E lembrei-me logo de que era filho de reis, e a minha liberdade ansiou pela sua própria estirpe. Lembrei-me também da pérola pela qual fora enviado ao Egito, e comecei a proferir encantamentos contra a terrível serpente, e venci-a invocando sobre ela o nome de meu Pai. E arrebatei a pérola e voltei para levá-la a meus pais. E despi a veste imunda e deixei-a na terra deles, e encaminhei-me sem demora para a luz de minha pátria no Oriente. E no caminho achei a carta que me havia despertado; e ela, assim como tomara voz e me erguera quando eu dormia, assim também me guiava com a luz que dela provinha. Pois às vezes a veste real de seda brilhava diante de meus olhos; e conduzindo-me o amor e atraindo-me para diante, passei por Labirinto, deixei a Babilônia à minha esquerda e cheguei à grande Mesena, que jaz à beira do mar, para onde, das alturas de Hircânia, meus pais a haviam enviado pela mão de seus tesoureiros, aos quais a confiaram por causa de sua fidelidade. Mas eu não me recordava de seu resplendor, pois eu era ainda criança e muito jovem quando a havia deixado no palácio de meu Pai;
31mas de repente, [quando] vi a túnica, ela se assemelhava a mim como num espelho. E contemplei nela todo o meu ser e conheci-me e vi-me através dela, que estávamos separados, sendo de um só, e novamente éramos um em uma só forma. Sim, os tesoureiros também que me trouxeram a túnica contemplei, que eram dois, contudo uma só semelhança estava sobre ambos, um só selo real estava posto sobre ambos. O dinheiro e a riqueza tinham em suas mãos, e pagaram-me o devido preço; e a formosa túnica, que era variegada com cores resplandecentes, com ouro, pedras preciosas e pérolas de formosa cor, estavam fixadas nas alturas. E a semelhança do Rei dos reis estava em toda ela; pedras de safira estavam ajustadas nela no alto. E novamente vi que por toda ela impulsos de conhecimento eram emitidos, e ela estava pronta para articular a fala. E ouvi-a dizer:
32Sou daquele que é mais valente que todos os homens, por amor do qual fui criado junto com o próprio Pai. E percebi também a sua estatura. E todos os seus régios movimentos repousavam sobre mim à medida que se estendia para o seu impulso. E apressava-se, estendendo-se da mão dos que a traziam para aquele que a havia de receber; e a mim também o anseio despertou para correr ao seu encontro e recebê-la. E estendi a mão e recebi-a, e adornei-me com a beleza de suas cores; e em meu régio manto que excede em formosura revesti-me inteiramente. E, havendo-o vestido, fui elevado ao lugar da paz e da reverência; e inclinei a cabeça e adorei o resplendor do Pai que ma enviara. Pois eu cumprira os seus mandamentos, e ele da mesma sorte aquilo que prometera; e às portas de seu palácio, que existia desde o princípio, misturei-me entre (seus nobres); e ele regozijou-se por mim e recebeu-me consigo em seu palácio, e todos os seus servos o louvam com vozes suaves. E prometeu-me que com ele serei conduzido às portas do rei, para que com as minhas dádivas e a minha pérola compareçamos juntos perante o rei.
33E Carísio foi para casa alegre, pensando que sua esposa estaria com ele e que voltara a ser tal como era antes, mesmo antes de ouvir a palavra divina e crer em Jesus. E foi, e achou-a com os cabelos desgrenhados e as vestes rasgadas; e, vendo isto, disse-lhe: Minha senhora Migdônia, por que esta cruel enfermidade se apegou a ti? E por que fizeste isto? Eu sou o teu marido desde a tua virgindade, e tanto os deuses como a lei me concedem governar sobre ti; que grande loucura é esta tua, pela qual te tornaste em opróbrio em toda a nossa nação? Mas afasta a preocupação que provém daquele feiticeiro; e tirarei a sua presença de entre nós, para que não mais o vejas.
34Mas Migdônia, ouvindo isto, entregou-se ao luto, gemendo e lamentando; e Carísio disse de novo: Porventura agravei tanto os deuses que me afligiram com tal mal? Qual é a minha grande ofensa para me haverem lançado em tamanha humilhação? Rogo-te, Migdônia, não atormentes mais a minha alma com a tua visão lastimável e a tua vil aparência, e não aflijas o meu coração de cuidados por ti. Eu sou Carísio, o teu marido, a quem toda a nação honra e teme. Que hei de fazer? Não sei para onde me voltar. Que hei de pensar? Devo calar e suportar? Contudo, quem pode ter paciência quando lhe tiram o seu tesouro? E quem pode suportar a perda de tuas maneiras suaves? E que resta para mim? O teu perfume está em minhas narinas, e a tua face luminosa está gravada em meus olhos. Estão tirando a minha alma, e o formoso corpo que eu me alegrava em contemplar estão destruindo, e o mais aguçado dos olhos estão cegando, e cortando a minha mão direita: a minha alegria converte-se em luto, e a minha vida em morte, e a luz dela tingida de trevas. Nenhum de vós, parentes meus, olhe para mim doravante; de vós socorro algum me veio, nem adorarei daqui em diante os deuses do Oriente que me envolveram em tais calamidades, nem mais orarei a eles nem lhes sacrificarei, pois estou despojado de minha esposa. E que mais lhes pediria? Pois toda a minha glória foi tirada, sendo eu um príncipe e o segundo após o rei em poder; mas Migdônia me desprezou e despojou-me de todas estas coisas.
35E, falando Carísio estas coisas com lágrimas, Migdônia permanecia calada e olhando para a terra; e novamente aproximou-se dela e disse: Minha senhora Migdônia, por mim sumamente desejada, lembra-te de que dentre todas as mulheres da Índia escolhi-te e tomei-te como a mais formosa, embora pudesse ter desposado muitas outras mais belas: mas ainda nisso minto, Migdônia, pois pelos deuses não teria sido possível achar outra igual a ti na terra da Índia; mas ai de mim a todo tempo, pois nem sequer uma palavra me respondes: porém, se quiseres, injúria-me, contanto que me seja concedida tão somente uma palavra tua. Olha para mim, pois sou mais formoso do que aquele feiticeiro; mas tu és a minha riqueza e honra, e todos sabem que ninguém há semelhante a mim; e tu és a minha estirpe e parentela; e eis que ele te arrebata de mim.
36E havendo Carísio dito isto, Migdônia disse-lhe: Aquele a quem amo é melhor do que tu e as tuas possessões; pois as tuas possessões são da terra e à terra tornam; mas aquele a quem amo é do céu e levar-me-á consigo para o céu. As tuas riquezas passarão, a tua beleza desvanecerá, e as tuas vestes e tuas muitas obras; e ficarás sozinho, nu, com as tuas transgressões. Não me tragas à memória as tuas ações para comigo, pois peço ao Senhor que me esqueça de ti, de sorte a não mais me lembrar daqueles prazeres passados e dos costumes do corpo, os quais passarão como sombra; mas tão somente Jesus permanece para sempre, e as almas que nele esperam. O próprio Jesus me livrará das ações vergonhosas que contigo pratiquei. E ouvindo isto Carísio, deitou-se para dormir, angustiado em sua alma, dizendo-lhe: Pondera contigo mesma durante toda esta noite: e se quiseres estar comigo tal como eras antes, e não ver aquele feiticeiro, farei tudo segundo a tua vontade; e se retirares a tua afeição dele, tirá-lo-ei da prisão e deixá-lo-ei ir e mudar-se para outra terra, e não te afligirei, pois sei que tens apreço pelo forasteiro. E não começou contigo este assunto, pois a muitas outras mulheres também enganou juntamente contigo; e elas acordaram sóbrias e voltaram a si: não desprezes, pois, as minhas palavras nem faças com que eu seja motivo de opróbrio entre os indianos.
37E tendo Carísio falado assim, foi dormir; mas ela tomou dez denários e foi secretamente entregá-los aos carcereiros para que pudesse entrar até o apóstolo. Mas no caminho Judas Tomé veio e encontrou-se com ela, e ela viu-o e temeu, pois julgou que fosse um dos governadores, porquanto uma grande luz ia adiante dele. E disse para si mesma enquanto fugia: Perdi-te, ó minha infeliz alma! Pois não mais verás a Judas, apóstolo do Deus vivo, e ainda não recebeste o santo selo. E fugiu e correu para um lugar estreito e ali se escondeu, dizendo: Antes escolheria ser morta pelos mais pobres, a quem é possível persuadir, do que cair nas mãos deste poderoso governador, que desprezará os subornos.