Sendo assim, para que se julgue que a verdade pertence a nós, ‘todos os que caminham segundo a regra’ que a Igreja recebeu dos apóstolos, os apóstolos de Cristo e Cristo de Deus, fica clara a razão de nossa posição: ela determina que não se permita aos hereges recorrer às Escrituras, pois mesmo sem as Escrituras provamos que nada têm a ver com elas. Como são hereges, não podem ser verdadeiros cristãos, porque não recebem de Cristo aquilo que seguem por mera escolha própria e, por essa escolha, assumem o nome de hereges. Assim, por não serem cristãos, não adquiriram direito algum às Escrituras cristãs. Pode-se dizer-lhes com toda justiça: ‘Quem sois? Quando e de onde viestes? Já que não sois dos meus, que tendes a ver com o que é meu?
2Com que direito, Marcião, cortas minha madeira? Com licença de quem, Valentino, desvias as águas de minha fonte? Por que poder, Apeles, removes meus marcos? Esta é minha propriedade. Por que vós, os demais, semeais e vos alimentais aqui a vosso bel-prazer? Esta é, repito, minha propriedade. Possuo-a há muito tempo; já a possuía antes de vós. Tenho títulos seguros dos próprios donos originais, a quem pertencia a herança. Sou herdeiro dos apóstolos. Assim como eles prepararam cuidadosamente seu testamento, confiaram-no a depositários e os conjuraram a ser fiéis, assim também eu o guardo. Quanto a vós, certamente sempre vos consideraram deserdados e vos rejeitaram como estranhos, como inimigos.
3Mas por que motivo os hereges são estranhos e inimigos dos apóstolos, senão pela diferença entre seus ensinamentos, que cada um, por mera vontade própria, apresentou ou recebeu em oposição aos apóstolos?’