LUX VERITAS

Apócrifos

Evangelho de Tomé

GNOSTICISMO

1 capítulo · leitura e narração

Nota de leitura

114 ditos de Jesus, sem narrativa, sem paixão e sem ressurreição. Encontrado em Nag Hammadi em 1945, é a peça central de todo debate sobre os evangelhos não canônicos.

Capítulos

Dossiê

Cento e catorze ditos atribuídos a Jesus, um atrás do outro, sem nascimento, sem milagres, sem cruz e sem ressurreição — só a voz, dizendo que quem encontrar o sentido destas palavras não provará a morte.

De onde vem este texto

Encontrado em 1945 em Nag Hammadi, no Egito, num códice de papiro em copta. Fragmentos gregos do mesmo texto já haviam sido achados em Oxirrinco no fim do século XIX, sem que se soubesse o que eram. A composição é estimada entre o fim do século I e meados do século II d.C.

Por que não está na Bíblia

Nunca esteve em cânone algum e foi combatido cedo pelos padres da igreja. Falta-lhe o que definia um evangelho para a igreja antiga: narrativa da paixão e ressurreição. Vários ditos têm sabor gnóstico, embora muitos outros sejam variantes de frases que estão em Mateus, Marcos e Lucas.

O que você vai encontrar

  • Cerca de metade dos ditos tem paralelo nos evangelhos canônicos — às vezes em forma mais curta, o que alimenta o debate sobre qual versão veio antes.
  • O dito 77: "Levanta a pedra e ali me encontrarás; racha a madeira e ali estou".
  • A parábola do assassino que crava a espada na parede de casa para ver se a mão aguenta, antes de sair para matar — que não existe em nenhum outro lugar.
  • O dito final, sobre Maria, é o mais discutido do texto e alimenta boa parte da literatura sobre mulheres no cristianismo primitivo.

Perguntas frequentes

O Evangelho de Tomé foi escrito pelo apóstolo Tomé?
Não há como sustentar isso. A atribuição a Dídimo Judas Tomé é convenção da própria obra, prática comum na literatura antiga. A datação e a língua apontam para uma comunidade posterior.
Por que o Evangelho de Tomé não entrou na Bíblia?
Porque não conta a vida, a morte e a ressurreição de Jesus — é uma coleção de ditos. Para a igreja antiga, um evangelho sem paixão não era evangelho. Somaram-se a isso os ditos de teor gnóstico.
Quantos ditos tem o Evangelho de Tomé?
Cento e catorze, na numeração adotada desde a descoberta de Nag Hammadi.

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