E Xantipa, indo para seu leito e gemendo, disse: Ai de mim, desventurada, jazendo em trevas, que não aprendi o nome do novo mestre, para que pudesse invocar sua oração em meu auxílio, e não sei o que dizer.
2Invocá-lo-ei pelo nome do seu Deus?
3Mas não posso dizer: O Deus que é anunciado por este ou por aquele.
4Contudo, direi assim por conjectura: Ó Deus, que dás luz no Hades e guias os que estão em trevas, Senhor de homens livres e de reis, anunciado por dignos servos em todo o mundo, invocado como irmão pelos pecadores e pronto a escutar, a quem nem sequer os arcanjos podem entoar louvores condignos, que mostraste a mim, humilde e indigna, a semente sempre viva e permanente (embora minha ignorância não me permita recebê-la), apressa também o que me diz respeito, Senhor, já que por Tua vontade Te fizeste ouvir por mim, e em Tua compaixão mostra-me a proclamação do Teu arauto, para que aprenda dele o que Te é agradável.
5Sim, suplico-Te, olha para a minha ignorância, ó Deus, e ilumina-me com a luz da Tua face, Tu que jamais desprezas a nenhum dos que Te invocam em verdade.
6Disse-lhe Probo, seu marido: Por que te afliges tanto, senhora, e de modo algum te entregas ao sono?
7Disse Xantipa: Não posso dormir, pois há em mim uma dor incurável.
8Disse-lhe Probo: E qual é a tua dor ou desgosto, ó senhora, para que eu não seja capaz de consolar-te?
9Em tudo quanto desejaste até o dia de hoje te servi; e agora, que tens que não me revelas?
10Diz-lhe Xantipa: Uma só coisa te peço, meu senhor: permite-me por um pouco e somente por este dia dormir apartada de ti.
11E Probo disse-lhe: Seja como queres, senhora; apenas cessa os teus gemidos.