E enquanto oravam e jejuavam, Deus já estava ensinando a Pedro em Jerusalém acerca daquilo que haveria de acontecer. Pois, cumpridos os doze anos que o Senhor Cristo lhe havia ordenado, mostrou-lhe uma visão deste modo, dizendo-lhe: Pedro, aquele Simão, o mago, a quem lançaste fora da Judeia, convencendo-o, adiantou-se novamente a ti em Roma. E isso saberás em breve; pois a todos os que criam em mim Satanás fez cair pelo seu engano e operação, cujo Poder Simão comprova ser. Mas não te demores: põe-te a caminho no dia seguinte, e ali acharás um navio aparelhado, que zarpa para a Itália, e dentro de poucos dias mostrar-te-ei a minha graça, na qual não há recusa alguma. Pedro, pois, advertido pela visão, relatou-a aos irmãos sem demora, dizendo: É-me necessário subir a Roma para pelejar contra o inimigo e adversário do Senhor e de nossos irmãos.
2E desceu a Cesareia e embarcou depressa no navio, cuja escada já estava recolhida, não levando provisão alguma consigo. Mas o piloto do navio, cujo nome era Téon, olhou para Pedro e disse: Tudo quanto temos é teu. Pois que recompensa teremos se acolhermos a um homem semelhante a nós, que se acha em situação incerta, e não compartilharmos tudo o que temos contigo? Contudo, tenhamos somente uma próspera viagem. Mas Pedro, dando-lhe graças pelo que oferecia, jejuava enquanto estava no navio, triste de ânimo e consolando-se de novo por haver Deus considerado-o digno de ser ministro em seu serviço.
3E passados alguns dias, o piloto do navio levantou-se à hora do seu jantar e pediu a Pedro que comesse com ele, e disse-lhe: Ó tu, quem quer que sejas, não te conheço, mas, segundo calculo, tomo-te por servo de Deus. Pois quando governava o meu navio à meia-noite, percebi a voz de um homem vinda do céu, que me dizia: Téon, Téon! E duas vezes chamou-me pelo meu nome e disse-me: Entre os que navegam contigo, seja Pedro grandemente honrado por ti, pois por ele tu e os demais sereis preservados a salvo, sem dano algum, depois de tal travessia qual não esperas. E Pedro creu que Deus se dignaria manifestar a sua providência no mar àqueles que estavam no navio, e dali em diante começou Pedro a anunciar a Téon as maravilhas de Deus, e como o Senhor o havia escolhido de entre os apóstolos, e por qual mister navegava para a Itália; e diariamente comunicava-lhe a palavra de Deus. E considerando-o, percebeu pelo seu proceder que ele era de um mesmo ânimo na fé e um digno ministro.
4Ora, havendo calmaria sobre o navio no Ádria, Téon mostrou-o a Pedro, dizendo-lhe: Se me considerares digno, a quem possas batizar com o selo do Senhor, tens uma oportunidade. Pois todos os que estavam no navio haviam adormecido, estando embriagados. E Pedro desceu por uma corda e batizou a Téon em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; e ele subiu da água regozijando-se com grande alegria, e Pedro também se alegrou porque Deus havia julgado a Téon digno do seu nome. E aconteceu que, tendo Téon sido batizado, apareceu no mesmo lugar um jovem resplandecente e formoso, dizendo-lhes: Paz seja convosco. E imediatamente Pedro e Téon subiram e entraram na câmara; e Pedro tomou pão e deu graças ao Senhor, que o havia reputado digno de seu santo ministério, e por ter o jovem aparecido a eles, dizendo: Paz seja convosco. E disse: Tu, que és o melhor e o único santo, foste tu quem nos apareceu, ó Deus Jesus Cristo, e em teu nome foi este homem agora lavado e selado com o teu santo selo. Portanto, em teu nome ministro-lhe a tua eucaristia, para que seja o teu servo perfeito e irrepreensível para sempre.
5E enquanto banqueteavam e se regozijavam no Senhor, subitamente veio um vento, não impetuoso, mas brando, à proa do navio, e não cessou durante seis dias e outras tantas noites, até que chegaram a Putéolos.