Agora, visto que me fizeste conhecer e revelaste estas coisas, ó Palavra de vida, chamada agora por mim madeiro, graças te dou, não com estes lábios que estão pregados à cruz, nem com esta língua pela qual procedem a verdade e a mentira, nem com esta palavra que sai por meio de arte cuja natureza é material, mas com aquela voz te dou graças, ó Rei, a qual é percebida no silêncio, que não se ouve publicamente, que não procede por órgãos do corpo, que não entra em ouvidos de carne, que não é ouvida de substância corruptível, que não existe no mundo, nem é lançada sobre a terra, nem escrita em livros, a qual pertence a um e não a outro; mas com esta, ó Jesus Cristo, te dou graças, com o silêncio de uma voz, pela qual o espírito que está em mim te ama, fala contigo, te vê e te suplica. Tu és percebido tão somente pelo espírito; tu és para mim pai, tu minha mãe, tu meu irmão, tu meu amigo, tu meu servo, tu meu despenseiro: tu és o Todo e o Todo está em ti; e tu És, e nada mais há que seja, a não ser tu somente.
2A ele, pois, acolhei-vos também vós, irmãos, e se aprenderdes que somente nele existis, obtereis aquelas coisas de que ele vos fala: as quais nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais subiram ao coração do homem. Pedimos, portanto, aquilo que prometeste dar-nos, ó imaculado Jesus. Nós te louvamos, te damos graças e te confessamos, glorificando-te, ainda nós homens que somos sem forças, porque tu és o único Deus e nenhum outro há: a quem seja a glória agora e por todas as eras. Amém.