Ora, aqueles que redigiram as viagens de Paulo relataram que ele fez muitas outras coisas, e entre elas esta que lhe sucedeu quando estava em Éfeso. Sendo Jerônimo o governador, Paulo usou de liberdade de palavra, e aquele disse que ele era capaz de falar bem, mas que não era tempo para tais palavras. Mas o povo da cidade, ferozmente enfurecido, pôs os pés de Paulo em ferros e o encerrou na prisão, até que fosse exposto como presa aos leões. Porém Êubula e Artemila, mulheres de homens eminentes entre os efésios, sendo suas devotadas discípulas e visitando-o de noite, desejaram a graça da divina ablução. E pelo poder de Deus, com anjos a escoltá-las e a iluminar a escuridão da noite com a abundância do resplendor que neles havia, Paulo, solto de seus grilhões de ferro, foi à praia do mar e as iniciou no santo batismo; e regressando às suas prisões sem que nenhum dos guardas da prisão o percebesse, ficou reservado como presa para os leões.
2Foi, pois, solto contra ele um leão de enorme tamanho e força inigualável, o qual correu para ele no estádio e prostrou-se a seus pés. E quando muitas outras feras selvagens também foram soltas, a nenhuma delas foi permitido tocar o santo corpo, que permanecia em pé como uma estátua em oração. Neste momento, uma violenta e copiosa saraivada desabou de repente com grande ímpeto, e despedaçou a cabeça de muitos homens como também de feras, e decepou a orelha do próprio Jerônimo. E depois disso, com os seus seguidores, ele veio ao Deus de Paulo e recebeu o batismo da salvação. Mas o leão escapou para as montanhas.
3E dali navegou Paulo para a Macedônia e a Grécia, e depois, passando pela Macedônia, veio a Trôade e a Mileto, e de lá partiu para Jerusalém.