Da mesma forma, novamente, erraram aqueles que creram ser as águas deuses. Pois as águas foram criadas para o uso do homem e estão de muitas maneiras sob o seu domínio. Porque sofrem alteração, admitem impureza, são destruídas e perdem a sua natureza quando fervidas em muitas substâncias. E tomam cores que não lhes pertencem; são também congeladas pela geada e misturadas e contaminadas com a imundícia de homens e feras e com o sangue dos degolados. E sendo represadas por hábeis artífices por meio de aquedutos, correm e são desviadas contra a sua inclinação, entrando em hortos e outros lugares a fim de serem recolhidas e jorrarem como meio de fertilidade para o homem, e para purificarem toda sujidade e desempenharem o serviço que o homem delas requer. Pelo que é impossível que as águas sejam um deus, mas são uma obra de Deus e parte do mundo.
2De igual modo erraram em grau não pequeno aqueles que creram que o fogo é um deus. Pois também ele foi criado para o serviço dos homens e está sujeito a eles de muitas maneiras: na preparação dos alimentos, como meio de fundir metais e para outros fins de que Vossa Majestade bem sabe. Ao mesmo tempo, é apagado e extinto de múltiplos modos.
3Novamente erraram também aqueles que creram ser um deus o movimento dos ventos. Pois nos é bem notório que tais ventos estão sob o domínio de outrem: por vezes o seu sopro aumenta, por vezes desfalece e cessa à ordem Daquele que os controla. Porque foram criados por Deus por amor dos homens, para suprir a necessidade das árvores, dos frutos e das sementes, e para conduzir sobre o mar os navios que transportam para os homens o necessário e as mercadorias dos lugares onde existem para aqueles onde faltam, e para governar os quadrantes do mundo. E quanto a si mesmo, por vezes cresce e de novo abranda; e num lugar traz auxílio e noutro causa desastre ao mandado Daquele que o rege. E os homens também são capazes, por meios conhecidos, de contê-lo e refreá-lo a fim de que cumpra para eles o serviço que dele exigem. E de si mesmo não possui autoridade alguma. E por isso é impossível que os ventos sejam chamados deuses, mas antes coisas feitas por Deus.