Voltemo-nos agora, ó Rei, para os elementos em si mesmos, a fim de deixarmos claro a respeito deles que não são deuses, mas coisas criadas, sujeitas à ruína e à mudança, da mesma natureza que o homem; ao passo que Deus é imperecível, imutável e invisível, ao mesmo tempo em que tudo vê, governa e transforma.
2Aqueles, pois, que creem a respeito da terra que ela seja um deus, enganaram-se até o presente, visto que ela é sulcada, lavrada e plantada; e recolhe em si o refugo imundo de homens, feras e rebanhos. E por vezes torna-se estéril, pois se for queimada até às cinzas fica desprovida de vida, visto que nada germina de um vaso de barro. E além disso, se a água se acumular sobre ela, dissolve-se juntamente com os seus frutos. E eis que é pisada pelos pés de homens e animais e recebe o sangue dos que são mortos; e é cavada, e enchida de mortos, e torna-se sepultura para cadáveres. Mas é impossível que uma natureza que é santa, digna, bendita e imortal tolere qualquer uma destas coisas. E por isso nos parece claro que a terra não é um deus, mas uma criação de Deus.