1Sob o prazer está aquela disposição maligna, a mais variada de todas as paixões.
2Na alma manifesta-se como ostentação, cobiça, ambição, rivalidade e inveja.
3No corpo, como alimentação indiscriminada, gula e glutonaria em solidão.
4Assim como prazer e dor são dois crescimentos do corpo e da alma, muitas paixões destas crescem.
5A razão, o agricultor divino, poda e liga e rega e de todas as maneiras cultiva os crescimentos das disposições e das paixões.
6Pois a razão é guia das virtudes, mas sobre as paixões ela é soberana.
7Observai primeiro que a razão se torna soberana sobre as paixões através da própria lei.
8Assim, se alguém é ávaro, quando age segundo a lei não mais usa injustamente do que é de outros.
9E se alguém é avarento, a lei força-o a não recolher os restos da colheita nem as últimas uvas do vinhedo.
10Em todas as outras coisas podemos reconhecer que a razão é soberana sobre as paixões.