A quem deseja viver a verdadeira vida ordena-se, primeiro, conhecer Aquele 'a quem ninguém conhece, a não ser que o Filho O revele'. Depois, deve conhecer a grandeza do Salvador que vem após Ele e a novidade da graça; pois, segundo o apóstolo, 'a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo'. Os dons concedidos por meio de um servo fiel não se igualam aos conferidos pelo verdadeiro Filho. Se a lei de Moisés bastasse para dar a vida eterna, teria sido inútil que o próprio Salvador viesse e sofresse por nós, percorrendo toda a vida humana desde o nascimento até a cruz; e inútil que aquele que desde a juventude observara todos os mandamentos da lei se ajoelhasse e suplicasse a outro a imortalidade. Ele não apenas cumprira a lei, mas começara a fazê-lo desde a primeira juventude. Pois que há de grande ou especialmente ilustre numa velhice que não produz faltas? Mas, se alguém, em meio aos ímpetos e ao ardor da juventude, demonstra discernimento maduro além de seus anos, esse é um campeão admirável e distinto, notavelmente ancião no espírito.
2Contudo, esse homem, sendo assim, está plenamente persuadido de que nada lhe falta quanto à justiça, mas de que carece inteiramente de vida. Por isso a pede àquele que, sozinho, pode concedê-la. Quanto à lei, mostra confiança; mas dirige sua súplica ao Filho de Deus. É conduzido de fé em fé. Agitado perigosamente e ancorado num abrigo inseguro da lei, dirige-se ao Salvador para encontrar um porto.