Agora abandono deliberadamente essa linha de argumentação. Admitamos que as palavras ‘Buscai e encontrareis’ tenham sido dirigidas igualmente a todos os homens. Ainda assim, cumpre determinar cuidadosamente seu sentido de acordo com a razão, princípio orientador de toda interpretação. Nenhuma palavra divina é tão desligada
2e vaga que se devam considerar apenas suas palavras sem determinar sua relação com o contexto. Desde o início, portanto, estabeleço que há um ensinamento único e definido de Cristo no qual os gentios devem crer, e que devem, para esse fim, ‘buscar’, a fim de poderem crer depois de o ‘encontrar’. Não pode, porém, haver busca indefinida daquilo que foi ensinado como uma única coisa determinada. Deves ‘buscar’ até ‘encontrar’ e crer depois que encontrares; nada mais te cabe senão conservar aquilo em que creste, contanto que também creias que nenhuma outra coisa deve ser crida nem, portanto, buscada, depois de encontrares e creres no que foi ensinado por aquele que te manda buscar somente o que ele ensinou.
3Se alguém duvidar disso, virá a prova de que possuímos aquilo que Cristo ensinou. Por ora, confio tanto em nossa prova que a antecipo sob forma de advertência a certas pessoas: não ‘busquem’ nada além daquilo em que creram. Isso é o que deveriam ter buscado, para não interpretarem ‘Buscai e encontrareis’ sem atender à regra da razão.