Além disso, quando censura as dissensões e os cismas, males incontestáveis, ele acrescenta logo as heresias. Ora, aquilo que inclui entre os males ele reconhece, naturalmente, como um mal; e mal ainda maior, pois nos diz que acreditou na existência dos cismas e dissensões entre eles por saber que ‘também é necessário que haja heresias’. Mostra, assim, que foi a perspectiva de um mal maior que o levou a acreditar prontamente na existência dos menores. Longe estava de considerar boas as heresias, entre males dessa espécie: sua intenção era advertir-nos de que não devemos surpreender-nos com provações ainda piores, visto que servem ‘para manifestar os aprovados’, isto é, aqueles que não puderam perverter.
2Em suma, já que toda a passagem recomenda preservar a unidade e conter as divisões, e que as heresias afastam os homens da unidade tanto quanto os cismas e as dissensões, sem dúvida ele as coloca sob a mesma censura que os cismas e as dissensões. Assim, considera ‘não aprovados’ os que caíram nas heresias, sobretudo quando, por meio de repreensões, exorta os homens a afastar-se delas, ensinando-lhes que todos devem ‘dizer e pensar a mesma coisa’, precisamente aquilo que as heresias não permitem.