TODA A DOUTRINA A TIMÓTEO.
2Aqui se manifesta, como dissemos, a mesma insensatez: admitem que os apóstolos nada ignoravam e não pregavam doutrinas contraditórias, mas insistem ao mesmo tempo que não revelaram tudo a todos, pois proclamaram certas coisas abertamente ao
3mundo inteiro, enquanto outras comunicaram em segredo a poucos. Apoiam-se nestas palavras de Paulo a Timóteo: ‘Ó Timóteo, guarda o que te foi confiado’; e ainda: ‘Conserva o bom depósito que te foi entregue.’ Que depósito é esse? É tão secreto que se deva supor uma nova doutrina? Ou faz parte daquela incumbência da qual ele diz: ‘Confio-te esta incumbência, filho Timóteo’; e daquele preceito do qual diz: ‘Ordeno-te diante de Deus, que dá vida a todas as coisas, e de Jesus Cristo, que deu bom testemunho perante Pôncio Pilatos, que guardes este mandamento’? Qual é esse mandamento e qual essa incumbência?
4Pelo contexto anterior e posterior, ficará claro que essas palavras não insinuam obscuramente alguma doutrina rebuscada e misteriosa, mas advertem contra aceitar outra doutrina além daquela que Timóteo ouvira do próprio Paulo, creio eu, publicamente: ‘diante de muitas testemunhas’, como diz. Se recusarem admitir que essas ‘muitas testemunhas’ sejam a Igreja, isso nada altera, pois não poderia ser secreto o que foi apresentado ‘diante de muitas testemunhas’. Tampouco o desejo de que ele ‘confiasse estas coisas a homens fiéis, capazes de ensinar também a outros’ deve ser tomado como prova de um evangelho oculto. Pois, ao dizer ‘estas coisas’, refere-se àquilo sobre que então escrevia.
5Se se tratasse de assuntos ocultos, ele os teria chamado ‘aquelas coisas’, por estarem ausentes, e não ‘estas coisas’, dirigindo-se a alguém que as conhecia juntamente com ele.