Anneu Sêneca a Paulo e a Teófilo, saudações. Declaro-me plenamente satisfeito com a leitura das vossas cartas que enviastes aos gálatas, coríntios e aqueus; e oxalá vivamos juntos do modo como vos mostrais inspirado pelo temor sagrado. Pois é o Espírito Santo que habita em vós e sobre vós que exprime estes pensamentos tão sublimes e veneráveis.
2Quisera, pois, que tivésseis cuidado quanto a outros pontos, para que a elegância do estilo não falte à majestade do pensamento. E, irmão, para nada vos ocultar e não carregar a minha consciência, confesso-vos que o Augusto ficou comovido com os vossos sentimentos.
3Quando lhe li o início da virtude que há em vós, foram estas as suas palavras: que se admirava de que um homem sem instrução formal pudesse pensar de tal maneira. Respondi-lhe que os deuses costumam falar pela boca dos inocentes, e não daqueles que tentam ostentar fraudulentamente a sua erudição. E quando lhe citei o exemplo de Vatieno, o homem do campo, a quem apareceram dois varões na região de Reate, os quais depois foram reconhecidos como Castor e Pólux, pareceu ele plenamente persuadido. Adeus.