Nem mesmo se justifica aquela espécie de impaciência diante da perda dos entes queridos, em que se invoca certo direito à tristeza para defendê-la. Devemos ter presente a declaração do apóstolo: 'Não vos entregueis à tristeza pela morte de alguém como os povos que não têm esperança.' E com razão: se cremos na ressurreição de Cristo, cremos também na nossa, por cuja causa Ele morreu e ressuscitou. Portanto, sendo certa a ressurreição dos mortos, é desnecessário o pesar pela morte e desnecessária a impaciência diante do pesar. Por que te afliges se crês que teu ente querido não pereceu? Por que suportas impacientemente o afastamento temporário daquele que crês que voltará? Aquilo que consideras morte é partida.
2Quem nos precede não deve ser lamentado, embora deva certamente deixar saudade. Também essa saudade deve ser temperada pela paciência. Por que suportarias sem moderação a partida de alguém que logo seguirás? Além disso, a impaciência em tais coisas é mau sinal para nossa esperança e trata a fé com falta de sinceridade. Ferimos Cristo quando não aceitamos com equanimidade que Ele chame alguém para fora deste mundo, como se tal pessoa fosse digna de pena. 'Desejo', diz o apóstolo, 'ser acolhido agora e estar com Cristo.' Que desejo superior ele manifesta! Se, pois, lamentamos impacientemente os que alcançaram o desejo dos cristãos, mostramos que nós mesmos não queremos alcançá-lo.