Principiando desde a primeira geração
2Dos homens mortais até a derradeira,
3Profetizarei cada coisa: o que dantes foi,
4E o que agora é, e o que há de sobrevir
5Ao mundo pela impiedade dos homens.
6Primeiramente agora Deus me impele a relatar
7Verdadeiramente como o mundo veio a existir.
8E tu, mortal prudente, faze saber com discernimento,
9Para que jamais negligencies os meus mandamentos,
10O Rei Altíssimo, que trouxe à existência
11O mundo inteiro, dizendo: "Haja", e houve.
12Pois Ele estabeleceu a terra, pondo-a
13Ao redor do Tártaro, e Ele mesmo
14Deu a doce luz; levantou o céu nas alturas,
15Estendeu o mar resplandecente, e coroou o firmamento
16Com uma abundância de estrelas resplandecentes,
17E adornou a terra com plantas, e misturou o mar
18Com rios, e o ar com zéfiros mesclou
19E nuvens chuvosas; e depois, outra estirpe
20Designando, deu Ele peixes aos mares
21E aves aos ventos, e aos bosques
22As feras de pelagem espessa, e serpentes que rastejam,
23E todas as coisas que agora sobre a terra aparecem.
24Estas coisas por sua palavra Ele fez, e tudo
25Com presteza e precisão foi executado;
26Pois Ele é incausado e desde o céu olhou para baixo,
27E consumado foi o mundo sobremaneira bem.
28E logo depois formou Ele novamente
29Uma criatura viva, modelando um novo homem
30À sua própria imagem, formoso e divino,
31E ordenou-lhe que habitasse em jardim aprazível,
32Para que nobres labores fossem o seu cuidado.
33Mas naquele fértil campo do Paraíso
34Ele anelava por companhia, estando só,
35E rogou que pudesse contemplar outra forma
36Semelhante à que possuía. E logo, do lado do homem
37Tomando uma costela, o próprio Deus fez a formosa Eva,
38Uma esposa desposada, e naquele Paraíso
39A deu para com ele habitar. E, quando ele fitou
40Os olhos nela, subitamente cheio de regozijo,
41Grande admiração possuiu a sua alma, pois viu
42Uma semelhança tão exata; e com sábias palavras
43Que fluíam espontâneas, respondeu ele por sua vez,
44Pois Deus cuidava de tudo. Pois o entendimento
45Eles não obscureciam com paixão, nem ocultavam
46A sua nudez, mas com corações distantes do mal
47Como animais selvagens andavam com os membros expostos.
48E depois, transmitindo-lhes mandamentos,
49Deus lhes indicou que não tocassem em certa árvore;
50Mas a temível serpente os seduziu por astúcia
51A caminharem para a sentença da morte
52E a alcançarem o conhecimento do bem e do mal.
53Mas a mulher mostrou-se a primeira traidora contra Deus;
54Ela deu, e incitou o homem ignorante a pecar.
55E ele, persuadido pelas palavras da mulher,
56Esqueceu de todo o Criador imortal,
57E tratou com desprezo mandamentos claros.
58Portanto, em lugar do bem, receberam o mal
59Segundo a sua obra. E então as folhas
60Da doce figueira entrelaçando, fizeram vestes
61E puseram-nas sobre si, e ocultaram
62As partes pudendas, porque se envergonharam.
63Mas sobre eles o Imortal derramou a sua ira
64E os expulsou da terra imortal.
65Pois a habitação deles agora na terra mortal
66Foi consumada, visto que, ouvindo, não guardaram
67A palavra do Deus forte e imortal.
68E imediatamente eles, sobre o solo fértil
69Saindo, com suas lágrimas e gemidos se umedeceram;
70E a eles então o próprio Deus imortal
71Uma palavra mais excelente falou: "Multiplicai-vos,
72Crescei, trabalhai continuamente sobre a terra,
73Para que, com o suor do trabalho, tenhais
74Alimento suficiente." Assim falou; e fez
75O autor do engano rastejar contra o chão
76Sobre o ventre e sobre o flanco, serpente rastejante,
77Expulsando-o com rigor; e pôs
78Terrível inimizade entre eles, e aquele
79Fica à espreita para guardar a sua cabeça,
80Mas o homem o seu calcanhar; pois a morte é vizinha próxima
81Das víboras conspiradoras do mal e dos homens.
82E então, em verdade, a linhagem se multiplicou
83Conforme o Todo-Poderoso mesmo ordenara,
84E levantou-se povo após povo,
85Inumeráveis. E adornaram casas
86De todas as espécies, e construíram cidades e seus muros
87Com perícia e destreza; e foi-lhes concedido
88Um tempo de longos dias para uma vida mui amada;
89Pois não morriam consumidos de aflições,
90Mas como que vencidos pelo sono; homens mui felizes,
91De grande coração, a quem o Salvador imortal amou,
92O Rei, Deus. Todavia eles também transgrediram,
93Feridos de insensatez. Pois com desfaçatez
94Escarneceram de seus pais e desprezaram suas mães;
95Não reconheciam parentes, e urdiram tramas
96Contra os seus próprios irmãos. E tornaram-se impuros,
97Tendo-se contaminado com sangue humano,
98E suscitaram guerras. E então sobre eles veio
99A calamidade derradeira enviada do céu,
100A qual arrebatou da vida aqueles homens terríveis;
101E o Hades então os recebeu; e chamou-se
102Hades visto que Adão, tendo provado a morte,
103Foi o primeiro a ir, e a terra o cercou ao redor.
104E por isso todos os homens nascidos sobre a terra
105São chamados a descer às moradas do Hades.
106Mas mesmo no Hades todos estes, ao chegarem,
107Tiveram honra, porquanto foram a primeira geração.
108Mas quando o Hades os recolheu, em segundo lugar,
109Dos sobreviventes e mais justos homens,
110Deus formou outra geração mui engenhosa,
111Que se dedicava a formosas obras e nobres fadigas,
112À distinta reverência e à sólida sabedoria;
113E foram instruídos em artes de toda sorte,
114Encontrando invenções pela escassez de recursos.
115E um ideou lavrar a terra com arados,
116Outro trabalhava em madeira, outro cuidava
117Da navegação, e outro perscrutava as estrelas
118E praticava agouros pelas aves aladas;
119E o emprego de ervas e remédios interessava a um,
120Enquanto a outro a magia seduzia;
121E outros em toda sorte de outras artes
122A que os homens se aplicam foram instruídos, vigilantes,
123Industriosos, dignos daquele epônimo,
124Porque tinham dentro de si um espírito infatigável
125E um corpo gigantesco; robustos e de porte poderoso
126Eram; contudo, apesar disso, desceram
127À câmara terrível do Tártaro,
128Guardados em fortes cadeias para pagar todo o castigo
129Na Geena de fogo voraz, furioso e inextinguível.
130E depois destes, uma terceira raça de ânimo obstinado
131Apareceu, estirpe de homens soberbos
132E terríveis, que praticaram entre si
133Inúmeros males. E contendas, homicídios
134E combates destruíam continuamente
135Aqueles homens possuidores de coração arrogante;
136E deles, mais tarde, outra raça
137Procedeu, tardiamente gerada, a mais novel,
138Manchada de sangue, perversa em conselhos; destes homens
139Consistia a quarta raça; muito sangue derramaram,
140Nem temiam a Deus, nem respeitavam os homens,
141Pois ira furiosa e grave impiedade
142Foram enviadas sobre eles. E guerras, homicídios
143E batalhas enviaram alguns ao Érebo,
144Visto que eram homens soberbos e ímpios.
145Mas aos restantes, o próprio Deus celestial
146Em furor removeu depois do seu mundo,
147Lançando-os no poderoso Tártaro,
148Abaixo dos fundamentos da terra.
149E mais tarde ainda outra raça muito pior
150De homens fez, aos quais nenhum bem depois
151O Imortal formou, visto que praticaram muitos males.
152Pois eram sobremaneira mais violentos do que aqueles,
153Gigantes perversos, proferindo palavras torpes.
154Único entre todos os homens, mui justo e verdadeiro,
155Era o mui fiel Noé, cheio de zelo
156Pelas obras mais nobres. E a ele o próprio Deus
157Desde o céu assim falou: "Noé, tem bom ânimo
158Em ti mesmo, e a todo o povo prega
159O arrependimento, a fim de que todos sejam salvos.
160Porém se, com alma desavergonhada, não me ouvirem,
161Toda a geração destruirei inteiramente
162Com caudalosos dilúvios de águas. Depressa agora
163Ordeno-te que construas uma casa incorruptível
164De tábuas fortes e impérveas às águas.
165Porei entendimento no teu coração,
166E habilidade engenhosa, e régua de medida
167E ordem; e de todas as coisas cuidarei
168Para que sejas salvo, tu e todos os que habitam contigo.
169E Eu sou Aquele que é, e em teu coração
170Discernirás. Eu me visto dos céus,
171E lanço o mar ao meu redor, e para mim
172A terra é o escabelo dos meus pés, e o ar derrama-se
173Ao redor do meu corpo; e por toda a parte
174Em meu derredor corre o coro das estrelas.
175Nove letras possuo; de quatro sílabas
176Sou composto; discerne-me. As primeiras três têm cada
177Duas letras, e a restante possui as demais,
178E cinco são consoantes; e da soma inteira
179As centenas são duas vezes oito, e três vezes três dezenas,
180Juntamente com sete. Agora, sabendo quem Eu sou,
181Não sejas tu ignorante no meu ensinamento."
182Assim falou Ele; e grande temor apoderou-se dele
183Pelo que ouviu. E então, em seu íntimo,
184Tendo ponderado cada questão, suplicou
185Ao povo e começou com palavras como estas:
186"Ó homens insaciáveis, feridos de grande demência,
187Todas as coisas que praticastes não hão de
188Escapar aos olhos de Deus; pois Ele tudo conhece,
189Salvador imortal que a tudo contempla,
190Que me mandou admoestar-vos, para que não pereçais.
191Sede sóbrios, apartai a maldade, não pelejeis
192À força uns contra os outros com coração homicida,
193Nem regueis tanta terra com sangue humano.
194Reverenciai, ó mortais, o supremamente grande
195E destemido Criador celestial, o Deus
196Incorruptível, cuja habitação é o céu;
197E suplicai-lhe todos vós — pois Ele é benigno —
198Pela vida das cidades e de todo o mundo,
199E dos animais quadrúpedes e das aves do céu;
200Rogai-lhe que seja propício a todos.
201Pois quando todo o imenso mundo dos homens
202For destruído pelas águas, em alta voz levantareis
203Um clamor estarrecedor. E de repente para vós
204O ar se conturbará, e desde os céus
205O furor do Deus poderoso virá
206Sobre vós. E certamente sucederá
207Que o Salvador imortal contra os homens
208Enviará a sua ira, se não aplacardes a Deus
209E desde agora não vos arrependerdes; e nada mais
210De molestoso e maligno iniquamente havereis
211De fazer uns aos outros, mas haja antes
212Um guardar a si mesmo por uma vida santa."
213Porém, quando o ouviram, cada um torceu o nariz,
214Chamando-o louco, homem ferido de delírio.
215E então novamente Noé entoou este clamor:
216"Ó homens sobremaneira míseros, vis de coração,
217Inconstantes, deixando para trás o pudor
218E amando a desfaçatez, senhores rapaces,
219Pecadores ferozes, falsos, insaciáveis, nocivos,
220Em nada verdadeiros, adúlteros dissimulados,
221Levianos no falar, derramando palavras torpes,
222Não temendo a ira do Deus Altíssimo, guardados
223Até a quinta geração para pagar o castigo!
224De modo algum pranteais, homens duros, mas rides;
225Riso sardônico haveis de rir, quando sobrevier
226Aquilo que falo — o terrível dilúvio iminente de Deus,
227Quando a raça contaminada de Eva, na grande terra
228Florescendo perene em caule endurecido,
229Desaparecerá numa só noite, raiz e ramos,
230E cidades, homens e tudo o mais, o Abalador da terra
231Desde os abismos dispersará e os seus muros destruirá.
232E então o mundo inteiro de inumeráveis homens
233Perecerá. Mas como hei de eu chorar, como lamentar
234Na casa de madeira, como misturar lágrimas com as ondas?
235Porque, se estas águas ordenadas por Deus vierem,
236A terra flutuará, os montes flutuarão, e até o céu flutuará;
237Tudo será água, e todas as coisas
238Serão destruídas pelas águas. E os ventos
239Cessarão, e uma segunda era virá.
240Ó Frígia, tu dentre as cristas das águas
241Primeiro te erguerás, e tu primeiro outra estirpe
242De homens sustentarás, mais uma vez de novo
243Principiando; e serás a nutriz de todos."
244Mas quando agora à geração sem lei
245Havia assim em vão falado, o Altíssimo
246Apareceu, e mais uma vez clamou em alta voz, dizendo:
247"Chegou agora o tempo, Noé, de proclamar
248Cada coisa, sim, tudo quanto naquele dia a ti
249Prometi e confirmei, e de consumar,
250Por causa de um povo desobediente,
251Por todo o imenso mundo, todas as coisas
252Que as gerações de tempos anteriores
253Praticaram, obras más inumeráveis.
254Entra tu, porém, depressa com os teus filhos
255E as mulheres. Chama tantos quantos Eu ordenar,
256Das espécies de feras, répteis e aves,
257E em tantos quantos Eu designar para a vida
258Porei então a disposição de entrar."
259Assim falou Ele; saiu Noé e em alta voz
260Clamou e chamou. E então mulher, filhos e noras
261Entraram na casa de madeira; então entraram também
262As demais criaturas, tantas quantas Deus determinou
263Encerrar. E quando o ferrolho conveniente foi colocado
264Sobre a entrada, e em seu lugar ajustado
265Foi cerrado de lado, então se cumpriu
266Prontamente o desígnio do Deus dos céus.
267E Ele ajuntou nuvens, e ordenou ao brilhante disco solar,
268À lua, às estrelas e ao círculo dos céus,
269Escurecendo tudo ao redor; trovejou com estrondo,
270Terror dos mortais, despedindo relâmpagos;
271E todos os ventos juntos se suscitaram,
272E todas as fontes das águas se romperam
273Pela abertura das grandes cataratas do céu,
274E das cavernas da terra e do abismo infatigável
275Surgiram as miríades de águas, e toda
276A ilimitada terra foi coberta.
277Mas sobre as águas flutuava aquela casa maravilhosa;
278E açoitada por muitas ondas furiosas, e batida
279Pela força dos ventos, avançava temerosamente;
280Porém com a sua quilha cortava a massa de espuma,
281Enquanto as águas bramidoras se precipitavam ao redor.
282E quando Deus inundou todo o mundo com chuvas,
283Então também Noé cogitou em observar,
284Pelos conselhos do Imortal; pois ele agora
285Já tivera o bastante das águas do mar. E logo
286A casa ele abriu na parede lavrada,
287Que transversalmente estava segura com hábeis travessas.
288E olhando para a imensa massa
289Das águas sem fim Noé, por todos os lados —
290E coube-lhe a sorte de com seus próprios olhos ver! —
291O temor apoderou-se dele e estremeceu fortemente o seu coração.
292E então o ar se acalmou um pouco,
293Pois estava cansado de encharcar todo o mundo
294Por tantos dias; abrindo-se, pois, revelou à luz
295Quão pálido e sanguíneo estava o vasto céu,
296E o brilhante disco solar fatigado; mal sustentava
297Noé a sua coragem. E então para longe
298Enviou ele uma pomba solitária, para que soubesse
299Se já terra firme aparecia. Mas com asas cansadas,
300Voando ao redor de tudo, ela de novo retornou;
301Porque ainda não haviam escoado as águas;
302Pois enchiam profundamente todo lugar.
303Mas depois de repousar serenamente por dias,
304Enviou a pomba outra vez, para saber se já
305Cessado haviam as muitas águas. E ela voou,
306E voou adiante, e foi sobre a terra e, pousando
307O seu corpo suavemente sobre o chão úmido,
308De novo a Noé regressou, e trazia
309Um ramo de oliveira — de novas um grande sinal.
310Ânimo agora encheu a todos eles, e grande regozijo,
311Porque esperavam contemplar a terra firme.
312Mas depois disso ainda outra ave,
313De asas negras, enviou ele com igual presteza;
314A qual, confiando em suas asas, voou de boa mente,
315E chegando à terra, ali permaneceu.
316E soube Noé que a terra estava agora mais próxima.
317E quando sobre as ondas revoltas a embarcação divina
318Navegara de cá para lá sobre os vagalhões do oceano,
319Ficou retida sobre o estreito cume.
320Há na Frígia, na terra firme escura,
321Um monte íngreme e alto; Ararate o seu nome,
322Porque sobre ele todos haviam de ser salvos
323Da morte, e houve ali grande anelo de coração;
324Dali brotam as correntes do grande rio Mársias.
325Ali, sobre um cume elevado, a arca repousou
326Quando as águas cessaram, e então novamente do céu
327A voz divina do grande Deus esta palavra
328Proclamou: "Ó Noé, guardado, fiel e justo,
329Sai valorosamente, com teus filhos e tua mulher,
330E as três noras, e enchei vós toda a terra,
331Crescendo, multiplicando-vos, administrando a justiça
332Uns aos outros por todas as gerações,
333Até que ao juízo toda a linhagem dos homens
334Venha; pois haverá juízo para todos."
335Assim falou a voz divina. Então de seu leito
336Noé, encorajado, apressou-se sobre a terra,
337E com ele saíram seus filhos, sua mulher e suas noras,
338E répteis, e aves e quadrúpedes,
339E todas as demais criaturas saíram da casa de madeira
340Para um mesmo lugar. E então saiu Noé
341Como o oitavo, o mais justo dos homens, quando sobre as águas
342Completara quarenta e um dias inteiros,
343Por causa dos conselhos do Deus poderoso.
344Então uma nova linhagem de vida outra vez surgiu,
345Áurea a princípio, que na verdade foi a sexta e melhor,
346Desde o tempo em que o homem primeiro formado surgiu;
347Celestial o seu nome, porque todas as coisas para Deus
348Serão objeto de cuidado. Ó primeira raça da sexta era!
349Ó grande regozijo de que depois participei,
350Quando escapei da ruína total, pelas ondas
351Mui sacudida, com marido e com cunhados,
352Sogro e sogra, e com as mulheres
353Dos irmãos de meu marido padecendo terrivelmente.
354Coisas convenientes agora cantarei: Haverá
355Na figueira uma flor de muitas cores,
356E depois o poder real e o domínio
357Terá Cronos. Pois três reis de grande alma,
358Homens mui justos, distribuirão então quinhões,
359E reinarão por muitos anos, fazendo o que é justo
360Aos homens que se dedicam ao trabalho e a obras de amor.
361E a terra se gloriará em seus muitos frutos
362Que brotam por si mesmos, produzindo muito trigo para a raça.
363E os patriarcas, sem envelhecer em todos os seus dias,
364Das enfermidades frias e temíveis estarão
365Mui distantes; morrerão como quem cai no sono,
366E para o Aqueronte, nas moradas
367Do Hades eles irão, e ali
368Terão honra, visto que foram uma geração
369De benditos, heróis afortunados, a quem
370O Senhor dos Exércitos concedeu nobre espírito,
371E com os quais sempre os seus conselhos compartilhou.
372Porém benditos serão mesmo quando descerem
373Ao Hades. E então depois novamente,
374Opressora e forte, outra segunda raça
375De homens nascidos da terra, os Titãs. Todos sobressaem
376Em porte, estatura e corpulência; e haverá
377Uma só língua, como outrora desde a primeira raça
378Deus em seus peitos implantou. Mas até estes,
379Tendo o coração soberbo e precipitante
380Para a perdição, resolverão por fim pelejar
381Contra o céu estrelado. E então a torrente
382Do grande oceano derramará sobre eles
383As suas águas furiosas. Mas o poderoso Senhor
384Dos Exércitos, ainda que irado, refreará o seu furor,
385Porque prometeu que nunca mais dilúvio algum
386Seria trazido sobre homens de alma perversa.
387Mas quando o grande Deus que troveja nas alturas fizer
388O transbordar sem fim das muitas águas —
389Com suas ondas erguendo-se altas por toda parte —
390Cessar da fúria, e para outros abismos
391Do mar abater a sua medida, fixando limites
392Por portos e promontórios escarpados ao redor da terra;
393Então também um Filho do grande Deus
394Virá, vestido em carne, aos homens, e feito semelhante
395Aos mortais na terra; e Ele traz
396Quatro vogais, e duas consoantes nEle
397São duas vezes repetidas; a soma inteira declararei:
398Pois oito unidades, e outras tantas dezenas sobre estas,
399E ainda oitocentos hão de revelar o nome
400Aos homens insaciáveis; e discerne tu
401Em teu próprio entendimento que o Cristo
402É Filho do imortal Deus Altíssimo.
403E Ele cumprirá a lei de Deus, não a destruirá,
404Trazendo a sua própria imagem, e todas as coisas
405Ensinará. A Ele sacerdotes hão de trazer
406E oferecer ouro, mirra e incenso;
407Porque todas estas coisas Ele também fará cumprir.
408Mas quando uma voz através da terra deserta
409Vier trazendo novas aos homens, e a todos
410Clamar que endireitem as veredas, e do coração
411Lancem fora a maldade e iluminem
412Com água todos os corpos da humanidade,
413Para que, nascidos de novo, não mais
414Se desviem em nada daquilo que é justo —
415E um de mente bárbara, cativo por danças,
416Cortando aquela voz dará a recompensa —
417Então de repente haverá um sinal
418Para os mortais, quando, guardada, vier
419Da terra do Egito uma pedra formosa;
420E nela o povo hebreu há de tropeçar;
421Mas sob o seu governo as nações serão ajuntadas
422Juntas; pois ao Deus que reina nas alturas
423Elas também conhecerão por meio dEle, e o caminho
424Em luz comum. Pois aos homens eleitos
425Mostrará a vida eterna, porém o fogo
426Trará por eras sobre os transgressores.
427E então há de Ele curar os enfermos, e todos
428Os culpados que nEle confiarem.
429E então os cegos verão, os coxos andarão,
430Os surdos ouvirão, e os mudos falarão.
431Expulsará demônios, e dentre os mortos
432Haverá ressurreição; sobre as ondas
433Andará; outrossim num lugar deserto
434Saciará cinco mil com mantimento,
435De cinco pães e um peixe tirado do mar,
436E com os pedaços que sobejarem, para esperança
437Dos povos, encherá doze cestos repletos.
438E então Israel, embriagado, não discernirá,
439Nem ouvirão, oprimidos com ouvidos tardos.
440Mas quando o furor enlouquecedor do Altíssimo
441Vier sobre os hebreus, e lhes tirar a fé,
442Porquanto mataram o Filho
443Do Deus celestial; então também com lábios impuros
444Israel lhe dará bofetadas e escarros amargos.
445E fel por mantimento e vinagre puro
446Por bebida hão de dar, com maligno furor feridos
447No peito e no coração, impiamente oferecendo,
448Não vendo com os seus olhos, mais cegos que toupeiras,
449Mais terríveis que peçonhentas feras rastejantes,
450Fortemente atados por pesado sono. Mas quando as suas mãos
451Ele estender e medir todas as coisas,
452E levar a coroa de espinhos, e traspassarem
453O seu lado com lanças, pelo que trevas medonhas
454Cobrirão a terra por três horas em pleno dia,
455Então também o templo de Salomão
456Dará cumprimento a um poderoso sinal para os homens,
457Quando Ele for à morada do Hades
458Proclamando ressurreição aos mortos.
459Porém quando ao terceiro dia ressurgir
460Para a luz, e mostrar a sua forma aos homens
461E tudo ensinar, ascendendo nas nuvens
462Para a morada do céu Ele irá,
463Deixando ao mundo a aliança do Evangelho.
464E em seu nome florescerá um novo renovo
465Dentre as nações que são guiadas pela lei
466Do Poderoso. Mas outrossim depois disto
467Haverá sábios condutores, e logo a seguir
468Haverá a cessação dos profetas.
469Depois disso, quando o povo hebreu colher
470A sua má colheita, um rei romano há de
471Muito ouro e prata inteiramente destruir.
472E mais tarde outros poderes reais
473Continuamente hão de surgir enquanto perecem reinos,
474E oprimirão os mortais. Mas grande queda
475Haverá para aqueles homens, quando principiarem
476Sua arrogância iníqua. Mas quando o templo
477De Salomão na terra santa cair,
478Derrubado por homens bárbaros de couraças de bronze,
479E da sua terra os hebreus forem expulsos,
480Errantes e desolados, e entre o trigo
481Misturarem muito joio, então haverá
482Maligna contenda entre toda a humanidade;
483E as cidades que sofrerem ultraje prantearão
484Umas às outras, acolhendo em seus peitos a ira
485Do grande Deus, visto que praticaram obras más.