LUX VERITAS

Escrituras & Manuscritos

Apócrifos · Capítulo 1 de 12

Oráculos Sibilinos 1

Profecias em Verso

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Principiando desde a primeira geração

2Dos homens mortais até a derradeira,

3Profetizarei cada coisa: o que dantes foi,

4E o que agora é, e o que há de sobrevir

5Ao mundo pela impiedade dos homens.

6Primeiramente agora Deus me impele a relatar

7Verdadeiramente como o mundo veio a existir.

8E tu, mortal prudente, faze saber com discernimento,

9Para que jamais negligencies os meus mandamentos,

10O Rei Altíssimo, que trouxe à existência

11O mundo inteiro, dizendo: "Haja", e houve.

12Pois Ele estabeleceu a terra, pondo-a

13Ao redor do Tártaro, e Ele mesmo

14Deu a doce luz; levantou o céu nas alturas,

15Estendeu o mar resplandecente, e coroou o firmamento

16Com uma abundância de estrelas resplandecentes,

17E adornou a terra com plantas, e misturou o mar

18Com rios, e o ar com zéfiros mesclou

19E nuvens chuvosas; e depois, outra estirpe

20Designando, deu Ele peixes aos mares

21E aves aos ventos, e aos bosques

22As feras de pelagem espessa, e serpentes que rastejam,

23E todas as coisas que agora sobre a terra aparecem.

24Estas coisas por sua palavra Ele fez, e tudo

25Com presteza e precisão foi executado;

26Pois Ele é incausado e desde o céu olhou para baixo,

27E consumado foi o mundo sobremaneira bem.

28E logo depois formou Ele novamente

29Uma criatura viva, modelando um novo homem

30À sua própria imagem, formoso e divino,

31E ordenou-lhe que habitasse em jardim aprazível,

32Para que nobres labores fossem o seu cuidado.

33Mas naquele fértil campo do Paraíso

34Ele anelava por companhia, estando só,

35E rogou que pudesse contemplar outra forma

36Semelhante à que possuía. E logo, do lado do homem

37Tomando uma costela, o próprio Deus fez a formosa Eva,

38Uma esposa desposada, e naquele Paraíso

39A deu para com ele habitar. E, quando ele fitou

40Os olhos nela, subitamente cheio de regozijo,

41Grande admiração possuiu a sua alma, pois viu

42Uma semelhança tão exata; e com sábias palavras

43Que fluíam espontâneas, respondeu ele por sua vez,

44Pois Deus cuidava de tudo. Pois o entendimento

45Eles não obscureciam com paixão, nem ocultavam

46A sua nudez, mas com corações distantes do mal

47Como animais selvagens andavam com os membros expostos.

48E depois, transmitindo-lhes mandamentos,

49Deus lhes indicou que não tocassem em certa árvore;

50Mas a temível serpente os seduziu por astúcia

51A caminharem para a sentença da morte

52E a alcançarem o conhecimento do bem e do mal.

53Mas a mulher mostrou-se a primeira traidora contra Deus;

54Ela deu, e incitou o homem ignorante a pecar.

55E ele, persuadido pelas palavras da mulher,

56Esqueceu de todo o Criador imortal,

57E tratou com desprezo mandamentos claros.

58Portanto, em lugar do bem, receberam o mal

59Segundo a sua obra. E então as folhas

60Da doce figueira entrelaçando, fizeram vestes

61E puseram-nas sobre si, e ocultaram

62As partes pudendas, porque se envergonharam.

63Mas sobre eles o Imortal derramou a sua ira

64E os expulsou da terra imortal.

65Pois a habitação deles agora na terra mortal

66Foi consumada, visto que, ouvindo, não guardaram

67A palavra do Deus forte e imortal.

68E imediatamente eles, sobre o solo fértil

69Saindo, com suas lágrimas e gemidos se umedeceram;

70E a eles então o próprio Deus imortal

71Uma palavra mais excelente falou: "Multiplicai-vos,

72Crescei, trabalhai continuamente sobre a terra,

73Para que, com o suor do trabalho, tenhais

74Alimento suficiente." Assim falou; e fez

75O autor do engano rastejar contra o chão

76Sobre o ventre e sobre o flanco, serpente rastejante,

77Expulsando-o com rigor; e pôs

78Terrível inimizade entre eles, e aquele

79Fica à espreita para guardar a sua cabeça,

80Mas o homem o seu calcanhar; pois a morte é vizinha próxima

81Das víboras conspiradoras do mal e dos homens.

82E então, em verdade, a linhagem se multiplicou

83Conforme o Todo-Poderoso mesmo ordenara,

84E levantou-se povo após povo,

85Inumeráveis. E adornaram casas

86De todas as espécies, e construíram cidades e seus muros

87Com perícia e destreza; e foi-lhes concedido

88Um tempo de longos dias para uma vida mui amada;

89Pois não morriam consumidos de aflições,

90Mas como que vencidos pelo sono; homens mui felizes,

91De grande coração, a quem o Salvador imortal amou,

92O Rei, Deus. Todavia eles também transgrediram,

93Feridos de insensatez. Pois com desfaçatez

94Escarneceram de seus pais e desprezaram suas mães;

95Não reconheciam parentes, e urdiram tramas

96Contra os seus próprios irmãos. E tornaram-se impuros,

97Tendo-se contaminado com sangue humano,

98E suscitaram guerras. E então sobre eles veio

99A calamidade derradeira enviada do céu,

100A qual arrebatou da vida aqueles homens terríveis;

101E o Hades então os recebeu; e chamou-se

102Hades visto que Adão, tendo provado a morte,

103Foi o primeiro a ir, e a terra o cercou ao redor.

104E por isso todos os homens nascidos sobre a terra

105São chamados a descer às moradas do Hades.

106Mas mesmo no Hades todos estes, ao chegarem,

107Tiveram honra, porquanto foram a primeira geração.

108Mas quando o Hades os recolheu, em segundo lugar,

109Dos sobreviventes e mais justos homens,

110Deus formou outra geração mui engenhosa,

111Que se dedicava a formosas obras e nobres fadigas,

112À distinta reverência e à sólida sabedoria;

113E foram instruídos em artes de toda sorte,

114Encontrando invenções pela escassez de recursos.

115E um ideou lavrar a terra com arados,

116Outro trabalhava em madeira, outro cuidava

117Da navegação, e outro perscrutava as estrelas

118E praticava agouros pelas aves aladas;

119E o emprego de ervas e remédios interessava a um,

120Enquanto a outro a magia seduzia;

121E outros em toda sorte de outras artes

122A que os homens se aplicam foram instruídos, vigilantes,

123Industriosos, dignos daquele epônimo,

124Porque tinham dentro de si um espírito infatigável

125E um corpo gigantesco; robustos e de porte poderoso

126Eram; contudo, apesar disso, desceram

127À câmara terrível do Tártaro,

128Guardados em fortes cadeias para pagar todo o castigo

129Na Geena de fogo voraz, furioso e inextinguível.

130E depois destes, uma terceira raça de ânimo obstinado

131Apareceu, estirpe de homens soberbos

132E terríveis, que praticaram entre si

133Inúmeros males. E contendas, homicídios

134E combates destruíam continuamente

135Aqueles homens possuidores de coração arrogante;

136E deles, mais tarde, outra raça

137Procedeu, tardiamente gerada, a mais novel,

138Manchada de sangue, perversa em conselhos; destes homens

139Consistia a quarta raça; muito sangue derramaram,

140Nem temiam a Deus, nem respeitavam os homens,

141Pois ira furiosa e grave impiedade

142Foram enviadas sobre eles. E guerras, homicídios

143E batalhas enviaram alguns ao Érebo,

144Visto que eram homens soberbos e ímpios.

145Mas aos restantes, o próprio Deus celestial

146Em furor removeu depois do seu mundo,

147Lançando-os no poderoso Tártaro,

148Abaixo dos fundamentos da terra.

149E mais tarde ainda outra raça muito pior

150De homens fez, aos quais nenhum bem depois

151O Imortal formou, visto que praticaram muitos males.

152Pois eram sobremaneira mais violentos do que aqueles,

153Gigantes perversos, proferindo palavras torpes.

154Único entre todos os homens, mui justo e verdadeiro,

155Era o mui fiel Noé, cheio de zelo

156Pelas obras mais nobres. E a ele o próprio Deus

157Desde o céu assim falou: "Noé, tem bom ânimo

158Em ti mesmo, e a todo o povo prega

159O arrependimento, a fim de que todos sejam salvos.

160Porém se, com alma desavergonhada, não me ouvirem,

161Toda a geração destruirei inteiramente

162Com caudalosos dilúvios de águas. Depressa agora

163Ordeno-te que construas uma casa incorruptível

164De tábuas fortes e impérveas às águas.

165Porei entendimento no teu coração,

166E habilidade engenhosa, e régua de medida

167E ordem; e de todas as coisas cuidarei

168Para que sejas salvo, tu e todos os que habitam contigo.

169E Eu sou Aquele que é, e em teu coração

170Discernirás. Eu me visto dos céus,

171E lanço o mar ao meu redor, e para mim

172A terra é o escabelo dos meus pés, e o ar derrama-se

173Ao redor do meu corpo; e por toda a parte

174Em meu derredor corre o coro das estrelas.

175Nove letras possuo; de quatro sílabas

176Sou composto; discerne-me. As primeiras três têm cada

177Duas letras, e a restante possui as demais,

178E cinco são consoantes; e da soma inteira

179As centenas são duas vezes oito, e três vezes três dezenas,

180Juntamente com sete. Agora, sabendo quem Eu sou,

181Não sejas tu ignorante no meu ensinamento."

182Assim falou Ele; e grande temor apoderou-se dele

183Pelo que ouviu. E então, em seu íntimo,

184Tendo ponderado cada questão, suplicou

185Ao povo e começou com palavras como estas:

186"Ó homens insaciáveis, feridos de grande demência,

187Todas as coisas que praticastes não hão de

188Escapar aos olhos de Deus; pois Ele tudo conhece,

189Salvador imortal que a tudo contempla,

190Que me mandou admoestar-vos, para que não pereçais.

191Sede sóbrios, apartai a maldade, não pelejeis

192À força uns contra os outros com coração homicida,

193Nem regueis tanta terra com sangue humano.

194Reverenciai, ó mortais, o supremamente grande

195E destemido Criador celestial, o Deus

196Incorruptível, cuja habitação é o céu;

197E suplicai-lhe todos vós — pois Ele é benigno —

198Pela vida das cidades e de todo o mundo,

199E dos animais quadrúpedes e das aves do céu;

200Rogai-lhe que seja propício a todos.

201Pois quando todo o imenso mundo dos homens

202For destruído pelas águas, em alta voz levantareis

203Um clamor estarrecedor. E de repente para vós

204O ar se conturbará, e desde os céus

205O furor do Deus poderoso virá

206Sobre vós. E certamente sucederá

207Que o Salvador imortal contra os homens

208Enviará a sua ira, se não aplacardes a Deus

209E desde agora não vos arrependerdes; e nada mais

210De molestoso e maligno iniquamente havereis

211De fazer uns aos outros, mas haja antes

212Um guardar a si mesmo por uma vida santa."

213Porém, quando o ouviram, cada um torceu o nariz,

214Chamando-o louco, homem ferido de delírio.

215E então novamente Noé entoou este clamor:

216"Ó homens sobremaneira míseros, vis de coração,

217Inconstantes, deixando para trás o pudor

218E amando a desfaçatez, senhores rapaces,

219Pecadores ferozes, falsos, insaciáveis, nocivos,

220Em nada verdadeiros, adúlteros dissimulados,

221Levianos no falar, derramando palavras torpes,

222Não temendo a ira do Deus Altíssimo, guardados

223Até a quinta geração para pagar o castigo!

224De modo algum pranteais, homens duros, mas rides;

225Riso sardônico haveis de rir, quando sobrevier

226Aquilo que falo — o terrível dilúvio iminente de Deus,

227Quando a raça contaminada de Eva, na grande terra

228Florescendo perene em caule endurecido,

229Desaparecerá numa só noite, raiz e ramos,

230E cidades, homens e tudo o mais, o Abalador da terra

231Desde os abismos dispersará e os seus muros destruirá.

232E então o mundo inteiro de inumeráveis homens

233Perecerá. Mas como hei de eu chorar, como lamentar

234Na casa de madeira, como misturar lágrimas com as ondas?

235Porque, se estas águas ordenadas por Deus vierem,

236A terra flutuará, os montes flutuarão, e até o céu flutuará;

237Tudo será água, e todas as coisas

238Serão destruídas pelas águas. E os ventos

239Cessarão, e uma segunda era virá.

240Ó Frígia, tu dentre as cristas das águas

241Primeiro te erguerás, e tu primeiro outra estirpe

242De homens sustentarás, mais uma vez de novo

243Principiando; e serás a nutriz de todos."

244Mas quando agora à geração sem lei

245Havia assim em vão falado, o Altíssimo

246Apareceu, e mais uma vez clamou em alta voz, dizendo:

247"Chegou agora o tempo, Noé, de proclamar

248Cada coisa, sim, tudo quanto naquele dia a ti

249Prometi e confirmei, e de consumar,

250Por causa de um povo desobediente,

251Por todo o imenso mundo, todas as coisas

252Que as gerações de tempos anteriores

253Praticaram, obras más inumeráveis.

254Entra tu, porém, depressa com os teus filhos

255E as mulheres. Chama tantos quantos Eu ordenar,

256Das espécies de feras, répteis e aves,

257E em tantos quantos Eu designar para a vida

258Porei então a disposição de entrar."

259Assim falou Ele; saiu Noé e em alta voz

260Clamou e chamou. E então mulher, filhos e noras

261Entraram na casa de madeira; então entraram também

262As demais criaturas, tantas quantas Deus determinou

263Encerrar. E quando o ferrolho conveniente foi colocado

264Sobre a entrada, e em seu lugar ajustado

265Foi cerrado de lado, então se cumpriu

266Prontamente o desígnio do Deus dos céus.

267E Ele ajuntou nuvens, e ordenou ao brilhante disco solar,

268À lua, às estrelas e ao círculo dos céus,

269Escurecendo tudo ao redor; trovejou com estrondo,

270Terror dos mortais, despedindo relâmpagos;

271E todos os ventos juntos se suscitaram,

272E todas as fontes das águas se romperam

273Pela abertura das grandes cataratas do céu,

274E das cavernas da terra e do abismo infatigável

275Surgiram as miríades de águas, e toda

276A ilimitada terra foi coberta.

277Mas sobre as águas flutuava aquela casa maravilhosa;

278E açoitada por muitas ondas furiosas, e batida

279Pela força dos ventos, avançava temerosamente;

280Porém com a sua quilha cortava a massa de espuma,

281Enquanto as águas bramidoras se precipitavam ao redor.

282E quando Deus inundou todo o mundo com chuvas,

283Então também Noé cogitou em observar,

284Pelos conselhos do Imortal; pois ele agora

285Já tivera o bastante das águas do mar. E logo

286A casa ele abriu na parede lavrada,

287Que transversalmente estava segura com hábeis travessas.

288E olhando para a imensa massa

289Das águas sem fim Noé, por todos os lados —

290E coube-lhe a sorte de com seus próprios olhos ver! —

291O temor apoderou-se dele e estremeceu fortemente o seu coração.

292E então o ar se acalmou um pouco,

293Pois estava cansado de encharcar todo o mundo

294Por tantos dias; abrindo-se, pois, revelou à luz

295Quão pálido e sanguíneo estava o vasto céu,

296E o brilhante disco solar fatigado; mal sustentava

297Noé a sua coragem. E então para longe

298Enviou ele uma pomba solitária, para que soubesse

299Se já terra firme aparecia. Mas com asas cansadas,

300Voando ao redor de tudo, ela de novo retornou;

301Porque ainda não haviam escoado as águas;

302Pois enchiam profundamente todo lugar.

303Mas depois de repousar serenamente por dias,

304Enviou a pomba outra vez, para saber se já

305Cessado haviam as muitas águas. E ela voou,

306E voou adiante, e foi sobre a terra e, pousando

307O seu corpo suavemente sobre o chão úmido,

308De novo a Noé regressou, e trazia

309Um ramo de oliveira — de novas um grande sinal.

310Ânimo agora encheu a todos eles, e grande regozijo,

311Porque esperavam contemplar a terra firme.

312Mas depois disso ainda outra ave,

313De asas negras, enviou ele com igual presteza;

314A qual, confiando em suas asas, voou de boa mente,

315E chegando à terra, ali permaneceu.

316E soube Noé que a terra estava agora mais próxima.

317E quando sobre as ondas revoltas a embarcação divina

318Navegara de cá para lá sobre os vagalhões do oceano,

319Ficou retida sobre o estreito cume.

320Há na Frígia, na terra firme escura,

321Um monte íngreme e alto; Ararate o seu nome,

322Porque sobre ele todos haviam de ser salvos

323Da morte, e houve ali grande anelo de coração;

324Dali brotam as correntes do grande rio Mársias.

325Ali, sobre um cume elevado, a arca repousou

326Quando as águas cessaram, e então novamente do céu

327A voz divina do grande Deus esta palavra

328Proclamou: "Ó Noé, guardado, fiel e justo,

329Sai valorosamente, com teus filhos e tua mulher,

330E as três noras, e enchei vós toda a terra,

331Crescendo, multiplicando-vos, administrando a justiça

332Uns aos outros por todas as gerações,

333Até que ao juízo toda a linhagem dos homens

334Venha; pois haverá juízo para todos."

335Assim falou a voz divina. Então de seu leito

336Noé, encorajado, apressou-se sobre a terra,

337E com ele saíram seus filhos, sua mulher e suas noras,

338E répteis, e aves e quadrúpedes,

339E todas as demais criaturas saíram da casa de madeira

340Para um mesmo lugar. E então saiu Noé

341Como o oitavo, o mais justo dos homens, quando sobre as águas

342Completara quarenta e um dias inteiros,

343Por causa dos conselhos do Deus poderoso.

344Então uma nova linhagem de vida outra vez surgiu,

345Áurea a princípio, que na verdade foi a sexta e melhor,

346Desde o tempo em que o homem primeiro formado surgiu;

347Celestial o seu nome, porque todas as coisas para Deus

348Serão objeto de cuidado. Ó primeira raça da sexta era!

349Ó grande regozijo de que depois participei,

350Quando escapei da ruína total, pelas ondas

351Mui sacudida, com marido e com cunhados,

352Sogro e sogra, e com as mulheres

353Dos irmãos de meu marido padecendo terrivelmente.

354Coisas convenientes agora cantarei: Haverá

355Na figueira uma flor de muitas cores,

356E depois o poder real e o domínio

357Terá Cronos. Pois três reis de grande alma,

358Homens mui justos, distribuirão então quinhões,

359E reinarão por muitos anos, fazendo o que é justo

360Aos homens que se dedicam ao trabalho e a obras de amor.

361E a terra se gloriará em seus muitos frutos

362Que brotam por si mesmos, produzindo muito trigo para a raça.

363E os patriarcas, sem envelhecer em todos os seus dias,

364Das enfermidades frias e temíveis estarão

365Mui distantes; morrerão como quem cai no sono,

366E para o Aqueronte, nas moradas

367Do Hades eles irão, e ali

368Terão honra, visto que foram uma geração

369De benditos, heróis afortunados, a quem

370O Senhor dos Exércitos concedeu nobre espírito,

371E com os quais sempre os seus conselhos compartilhou.

372Porém benditos serão mesmo quando descerem

373Ao Hades. E então depois novamente,

374Opressora e forte, outra segunda raça

375De homens nascidos da terra, os Titãs. Todos sobressaem

376Em porte, estatura e corpulência; e haverá

377Uma só língua, como outrora desde a primeira raça

378Deus em seus peitos implantou. Mas até estes,

379Tendo o coração soberbo e precipitante

380Para a perdição, resolverão por fim pelejar

381Contra o céu estrelado. E então a torrente

382Do grande oceano derramará sobre eles

383As suas águas furiosas. Mas o poderoso Senhor

384Dos Exércitos, ainda que irado, refreará o seu furor,

385Porque prometeu que nunca mais dilúvio algum

386Seria trazido sobre homens de alma perversa.

387Mas quando o grande Deus que troveja nas alturas fizer

388O transbordar sem fim das muitas águas —

389Com suas ondas erguendo-se altas por toda parte —

390Cessar da fúria, e para outros abismos

391Do mar abater a sua medida, fixando limites

392Por portos e promontórios escarpados ao redor da terra;

393Então também um Filho do grande Deus

394Virá, vestido em carne, aos homens, e feito semelhante

395Aos mortais na terra; e Ele traz

396Quatro vogais, e duas consoantes nEle

397São duas vezes repetidas; a soma inteira declararei:

398Pois oito unidades, e outras tantas dezenas sobre estas,

399E ainda oitocentos hão de revelar o nome

400Aos homens insaciáveis; e discerne tu

401Em teu próprio entendimento que o Cristo

402É Filho do imortal Deus Altíssimo.

403E Ele cumprirá a lei de Deus, não a destruirá,

404Trazendo a sua própria imagem, e todas as coisas

405Ensinará. A Ele sacerdotes hão de trazer

406E oferecer ouro, mirra e incenso;

407Porque todas estas coisas Ele também fará cumprir.

408Mas quando uma voz através da terra deserta

409Vier trazendo novas aos homens, e a todos

410Clamar que endireitem as veredas, e do coração

411Lancem fora a maldade e iluminem

412Com água todos os corpos da humanidade,

413Para que, nascidos de novo, não mais

414Se desviem em nada daquilo que é justo —

415E um de mente bárbara, cativo por danças,

416Cortando aquela voz dará a recompensa —

417Então de repente haverá um sinal

418Para os mortais, quando, guardada, vier

419Da terra do Egito uma pedra formosa;

420E nela o povo hebreu há de tropeçar;

421Mas sob o seu governo as nações serão ajuntadas

422Juntas; pois ao Deus que reina nas alturas

423Elas também conhecerão por meio dEle, e o caminho

424Em luz comum. Pois aos homens eleitos

425Mostrará a vida eterna, porém o fogo

426Trará por eras sobre os transgressores.

427E então há de Ele curar os enfermos, e todos

428Os culpados que nEle confiarem.

429E então os cegos verão, os coxos andarão,

430Os surdos ouvirão, e os mudos falarão.

431Expulsará demônios, e dentre os mortos

432Haverá ressurreição; sobre as ondas

433Andará; outrossim num lugar deserto

434Saciará cinco mil com mantimento,

435De cinco pães e um peixe tirado do mar,

436E com os pedaços que sobejarem, para esperança

437Dos povos, encherá doze cestos repletos.

438E então Israel, embriagado, não discernirá,

439Nem ouvirão, oprimidos com ouvidos tardos.

440Mas quando o furor enlouquecedor do Altíssimo

441Vier sobre os hebreus, e lhes tirar a fé,

442Porquanto mataram o Filho

443Do Deus celestial; então também com lábios impuros

444Israel lhe dará bofetadas e escarros amargos.

445E fel por mantimento e vinagre puro

446Por bebida hão de dar, com maligno furor feridos

447No peito e no coração, impiamente oferecendo,

448Não vendo com os seus olhos, mais cegos que toupeiras,

449Mais terríveis que peçonhentas feras rastejantes,

450Fortemente atados por pesado sono. Mas quando as suas mãos

451Ele estender e medir todas as coisas,

452E levar a coroa de espinhos, e traspassarem

453O seu lado com lanças, pelo que trevas medonhas

454Cobrirão a terra por três horas em pleno dia,

455Então também o templo de Salomão

456Dará cumprimento a um poderoso sinal para os homens,

457Quando Ele for à morada do Hades

458Proclamando ressurreição aos mortos.

459Porém quando ao terceiro dia ressurgir

460Para a luz, e mostrar a sua forma aos homens

461E tudo ensinar, ascendendo nas nuvens

462Para a morada do céu Ele irá,

463Deixando ao mundo a aliança do Evangelho.

464E em seu nome florescerá um novo renovo

465Dentre as nações que são guiadas pela lei

466Do Poderoso. Mas outrossim depois disto

467Haverá sábios condutores, e logo a seguir

468Haverá a cessação dos profetas.

469Depois disso, quando o povo hebreu colher

470A sua má colheita, um rei romano há de

471Muito ouro e prata inteiramente destruir.

472E mais tarde outros poderes reais

473Continuamente hão de surgir enquanto perecem reinos,

474E oprimirão os mortais. Mas grande queda

475Haverá para aqueles homens, quando principiarem

476Sua arrogância iníqua. Mas quando o templo

477De Salomão na terra santa cair,

478Derrubado por homens bárbaros de couraças de bronze,

479E da sua terra os hebreus forem expulsos,

480Errantes e desolados, e entre o trigo

481Misturarem muito joio, então haverá

482Maligna contenda entre toda a humanidade;

483E as cidades que sofrerem ultraje prantearão

484Umas às outras, acolhendo em seus peitos a ira

485Do grande Deus, visto que praticaram obras más.

Palavras deste capítulo

O que estas palavras diziam no original — e onde mais elas aparecem.

Sobre Oráculos Sibilinos

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Publicado aqui a partir de tradução em domínio público, revisado para leitura corrida.