E Xantipa saiu ao jardim para aguardar ali, observando atentamente para ter certeza quanto a seu marido; e viu o encanto das árvores e o variado gorjeio das aves, e disse, a gemer: Ó beleza do mundo!
2Pois aquilo que até agora julgávamos surgir por si mesmo, sabemos agora que todas as coisas foram belamente formadas pelo Belo.
3Ó poder e invenção da sabedoria!
4Pois não somente concedeu aos homens milhares de línguas, mas também às aves distinguiu variadas vozes, como em hinos e antífonas, para receber cânticos maviosos e comoventes das Suas próprias criaturas.
5Ó suavidade do ar, que apregoa o Artífice inimitável!
6Quem converterá o meu pranto em alegria?
7E tornou a dizer: Ó Deus, a Quem todo o universo rende louvores, concede-me paz e consolo.
8Enquanto ela dizia estas coisas, regressou Probo da rua para tomar a sua refeição; e ao contemplar o rosto dela desfigurado pelo pranto, começou a arrancar os cabelos da cabeça, não ousando, porém, falar-lhe para não acrescentar nova aflição à sua dor.
9Foi, pois, e prostrou-se sobre o leito, dizendo com gemidos: Ai de mim, que nem sequer o consolo de um filho tive dela, acumulando apenas desgosto sobre desgosto.
10Ainda não se completaram dois anos desde que a desposei, e ela já medita o divórcio.