E Probo levantou-se do leito com o semblante muito carregado, pois durante o sono tivera um sonho e andava profundamente perturbado com ele.
2O guarda, porém, ao vê-lo prestes a sair para a praça pública com semblante tão sombrio, temeu em extremo, dizendo de si para si: Não suceda que ele tenha descoberto o ocorrido e me tire a vida miseravelmente.
3Contudo Probo, tendo saído e indicado aos que estavam na praça o que convinha àquele dia e àquela estação, regressou rapidamente à casa e disse a seus servos: Chamai-me depressa os sábios Barando e Gnosteas.
4Chegados à sua presença, disse-lhes: Tive uma visão pavorosa, e o que nela se manifestou transcende a nossa capacidade de interpretação.
5Revelai-ma vós, porém, que sois considerados os mais insignes em sabedoria.
6Exponde-ma quando eu vo-la relatar.
7Disse-lhe Barando: Se a visão puder ser explicada pela sabedoria deste mundo, nós to declararemos; mas se pertencer à fé que agora se anuncia, não a podemos decifrar, pois procede de outro entendimento superior.
8Todavia, conte o nosso senhor e mestre o seu sonho, e vejamos se há para ele explicação.
9Disse Probo a Gnosteas: Por que nada respondes?
10Disse Gnosteas: Não ouvi o sonho; e que poderei dizer, seja ele qual for, se tem relação com Paulo?
11Conta-o agora, e verás que assim é.
12Disse Probo: Parecia-me estar de pé numa terra estranha e desconhecida, onde estava assentado um rei etíope que dominava sobre toda a terra e aparentava não ter sucessor algum.
13Junto dele achava-se uma multidão incontável de servos, e todos se precipitavam na destruição e exerciam cruel domínio por toda parte.
14E quando o etíope supunha ter consumado o seu intento, surgiu um corvo que, pousando sobre ele, grasnou com voz lamentável.
15E subitamente ergueu-se das bandas do oriente uma águia que despojou o reino dele, anulando-lhe todo o poder; e os que estavam ao seu redor fugiram para a águia.
16Lutou então aquele rei contra os fugitivos, mas a águia arrebatou-os até ao céu; e eis que veio um socorredor aos que se acolheram à águia e entregou-lhes o seu cajado.
17Segurando-o eles com firmeza, não foram vencidos pela fúria daquele tirano.
18E quantos acorriam aos que empunhavam o cajado eram lavados em águas puríssimas, e os que eram lavados adquiriam poder sobre o império do ímpio.
19E por meio daquele cajado foram postos em fuga os inimigos do rei; pelo que homens valorosos, sustentando o cajado, atraíram para si grandes multidões.
20Aquele monarca lutava contra eles sem prevalecer; contudo estorvava a muitos de crerem naquele que enviara tais arautos ao mundo para darem testemunho, pelo que muitos andavam contristados.
21Todavia este não constrangia ninguém como o outro, pois ele próprio era senhor de toda a luz.
22E este foi o termo da visão.