Que homem sensato, então, não reconhecerá que não somos ateus, já que adoramos o Criador deste universo e declaramos, conforme nos foi ensinado, que ele não precisa de rios de sangue, libações nem incenso? Nós o louvamos quanto podemos, com oração e ação de graças por tudo de que somos providos, pois aprendemos que a única honra digna dele não é consumir pelo fogo aquilo que fez existir para nosso sustento, mas usá-lo em nosso benefício e no dos necessitados, e, com gratidão a ele, oferecer-lhe graças por meio de invocações e hinos por nossa criação, por todos os meios de conservar a saúde, pelas diversas qualidades dos diferentes tipos de coisas e pelas mudanças das estações; e apresentar-lhe súplicas para que, pela fé nele, voltemos a existir em incorruptibilidade.
2Nosso mestre dessas coisas é Jesus Cristo, que também nasceu para este fim e foi crucificado sob Pôncio Pilatos, procurador da Judeia, nos tempos de Tibério César; e demonstraremos que com razão o adoramos, tendo aprendido que ele é Filho do próprio Deus verdadeiro, atribuindo-lhe o segundo lugar, e ao Espírito profético, o terceiro. Pois proclamam que nossa loucura consiste em dar a um homem crucificado o segundo lugar depois do Deus imutável e eterno, Criador de tudo; porque não discernem o mistério que aqui se encontra, ao qual pedimos que presteis atenção enquanto vo-lo esclarecemos.