Até aqui, ó Rei, tenho falado; pois quanto ao que resta, como dito acima, encontram-se nos seus outros escritos coisas difíceis de proferir e árduas de narrar, as quais não são apenas declaradas em palavras, mas também operadas em ações.
2Ora, os Gregos, ó Rei, como seguem práticas vis no coito com machos e com mãe, irmã e filha, imputam a sua monstruosa torpeza, por sua vez, aos Cristãos. Mas os Cristãos são justos e bons, e a verdade acha-se posta diante de seus olhos, e o seu espírito é longânimo; e por isso, embora conheçam o erro dos Gregos e sejam por eles perseguidos, suportam-no e sofrem-no pacientemente; e na maior parte compadecem-se deles, como de homens destituídos de conhecimento. E de sua parte oram para que estes se arrependam de seu erro; e quando acontece que um deles se arrepende, envergonha-se perante os Cristãos das obras que praticou e confessa a Deus, dizendo: 'Fiz estas coisas por ignorância'. E purifica o seu coração, e os seus pecados lhe são perdoados, porque os cometeu em ignorância no tempo passado, quando costumava blasfemar e falar mal do verdadeiro conhecimento dos Cristãos. E com toda certeza a linhagem dos Cristãos é mais bendita do que todos os homens que estão sobre a face da terra.
3Calem-se doravante as línguas daqueles que proferem vaidade e afligem os Cristãos; e daqui por diante falem a verdade. Pois é de grave consequência para eles que adorem ao Deus verdadeiro, em vez de prestarem culto a um som sem sentido. E deveras tudo o que se profere pela boca dos Cristãos é de Deus, e a sua doutrina é a porta da luz. Pelo que aproximem-se todos quantos estão destituídos do conhecimento de Deus; e receberão palavras incorruptíveis, que são desde todos os tempos e desde a eternidade. Assim comparecerão perante o tremendo juízo que, por meio de Jesus o Messias, está destinado a vir sobre todo o gênero humano.