E Noé permaneceu rogando a Deus que o livrasse das águas do Dilúvio.
2Falou então Deus a Noé e disse-lhe: De toda espécie de aves toma um casal, macho e fêmea, das limpas; e das imundas também um casal, macho e fêmea.
3Contudo, das aves limpas toma mais seis casais, macho e fêmea.
4E Noé executou tudo isso.
5E quando todos haviam entrado na arca, Deus fechou a porta sobre eles com o Seu poder soberano.
6Ele ordenou então que as comportas do céu se abrissem de par em par e derramassem cataratas de água copiosa.
7E assim se fez, por determinação divina.
8E Ele ordenou que todas as fontes do abismo rebentassem e as profundezas jorrassem água sobre a face da terra, de sorte que as águas do mar transbordaram sobre todo o mundo, encapelando-se as torrentes.
9Ao se abrirem as comportas celestes, libertaram-se todos os mananciais e abismos das águas, e desataram-se os depósitos dos ventos com furacões, densas névoas, trevas e escuridão sobre a terra.
10O sol, a lua e as estrelas retiveram o seu resplendor.
11Foi um dia de pavor indizível, qual jamais houvera antes.
12O mar começou a erguer ondas gigantescas semelhantes a montanhas, cobrindo inteiramente a face da terra.
13Ao verem isso os filhos de Sete, que haviam caído na devassidão e no adultério com as filhas de Caim, compreenderam que Deus Se irara contra eles e que Noé lhes dissera a pura verdade.
14Correram todos ao redor da arca, suplicando e implorando a Noé que lhes abrisse a porta; porquanto não podiam subir à Montanha Sagrada, cujas pedras ardiam como fogo abrasador.
15Mas a arca permaneceu cerrada e selada pelo poder de Deus.
16Um anjo do Senhor pousou sobre a arca e servia de capitão a Noé, a seus filhos e a todos os que estavam dentro dela.
17E as águas do Dilúvio cresceram sobre os filhos de Caim e os submergiram; eles começaram a afundar, e cumpriram-se as palavras que Noé lhes pregara, dizendo que as águas do Dilúvio viriam e os afogariam.
18E as águas continuaram acima e abaixo de Noé e seus filhos, de modo que ficaram suspensos na arca; pela força das águas, a arca se ergueu da terra, e pereceu a carne de todo ser que se movia.
19E as águas subiram até cobrirem a terra e todos os altos montes; elevaram-se quinze côvados acima dos cumes dos altos montes, segundo o côvado do Espírito Santo, que equivale a três côvados humanos.
20Assim as águas superaram em quarenta e cinco côvados o pico das mais altas cordilheiras.
21As águas transportaram a arca e a conduziram ao sopé do jardim sagrado, perante o qual as águas, a chuva, os ventos e tudo o que havia na terra se curvaram em adoração reverente.
22Assim também Noé, seus filhos e todos os que estavam no interior da arca inclinaram-se em adoração ao santo jardim.
23E a inundação destruiu tudo o que existia sobre a face da terra e debaixo de todo o céu.
24A arca vogava sobre as águas e elevava-se impelida pelos ventos, enquanto o anjo de Deus a guiava com segurança de oriente a ocidente.
25Assim vagou a arca sobre a face das águas por cento e cinquenta dias, repousando por fim sobre as montanhas de Ararate no vigésimo sétimo dia do mês de Tkarnt.