Há impunidade no erro se não há falta, embora errar já seja, por si, uma falta. Repito: um homem vagueia impunemente quando não abandona deliberadamente coisa alguma. Mas, se cri naquilo em que devia crer e depois penso que há algo novo a buscar, evidentemente espero encontrar outra coisa, embora de modo algum devesse nutrir tal
2expectativa, a menos que nunca tivesse realmente crido, apesar de parecer crente, ou tivesse deixado de crer. Se assim abandono minha fé, revelo-me seu negador. Digo-o de uma vez por todas: só busca quem nunca possuiu ou quem perdeu aquilo que procura. A velha do Evangelho perdera uma das dez moedas de prata e por isso a procurou; ao encontrá-la, deixou de procurar. O vizinho não tinha pão e por isso bateu à porta; logo que esta se abriu e ele recebeu o pão, parou de bater. A viúva continuou a pedir audiência ao juiz porque não era recebida; quando sua causa foi ouvida, calou-se. Portanto, há um limite para buscar, bater e pedir.
3‘Pois a todo aquele que pede’, diz ele, ‘será dado; ao que bate, será aberto; e o que busca encontrará.’ Fora com aquele que sempre busca porque nunca encontra: busca onde nada pode ser encontrado. Fora com aquele que sempre bate porque nunca lhe abrirão: bate onde não há ninguém que abra. Fora com aquele que sempre pede porque nunca será ouvido: pede a quem não ouve.