Paulo a Sêneca, saudações. Às vossas meditações foram reveladas aquelas coisas que a Divindade concedeu a poucos. Com confiança, pois, semeio em campo já fértil uma semente mui fecunda, não de matéria sujeita à corrupção, mas a palavra permanente, uma emanação de Deus que cresce e permanece para todo o sempre.
2A isto chegou a vossa sabedoria e haveis de ver que ela é indefectível, de sorte a julgar que os preceitos dos gentios e dos israelitas devem ser evitados. Podeis tornar-vos um novo autor, manifestando com os primores da eloquência a inculpável sabedoria de Jesus Cristo, a qual vós, havendo-a quase alcançado, haveis de incutir no monarca temporal, nos seus servos e nos seus amigos íntimos;
3Contudo, persuadi-los será tarefa árdua e difícil, porquanto muitos deles dificilmente se inclinarão às vossas admoestações. Não obstante, a palavra de Deus, se neles for enxertada, será um proveito vital, gerando um homem novo, incorrupto, e uma alma eterna que daqui se apressará para Deus. Adeus, Sêneca, mui dileto para mim. Dado nas calendas de agosto; sendo cônsules Leão e Sabino.