Quanto ao costume que alguns têm de sentar-se depois de terminada a oração, não vejo razão para ele, exceto aquela que as crianças apresentam. Pois, se Hermas, cuja obra costuma receber o título de O Pastor, depois de terminar sua oração, não se tivesse sentado em sua cama, mas feito outra coisa, deveríamos também manter isso como regra de observância? Certamente não. A própria frase, Depois que orei e me sentei em minha cama, aparece simplesmente para indicar a sequência da narrativa, não como modelo de disciplina. Caso contrário, não poderíamos orar em lugar algum onde não houvesse uma cama! Mais ainda, quem se sentasse numa cadeira ou num banco agiria contra aquela obra. Além disso, como os pagãos fazem o mesmo, sentando-se depois de adorar suas pequenas imagens, também por esse motivo a prática merece nossa censura, pois é observada no culto dos ídolos.
2Acrescenta-se ainda a isso a acusação de irreverência, compreensível até para os próprios pagãos, se tivessem algum discernimento. Se é irreverente sentar-se sob o olhar e diante daquele a quem mais respeitas e veneras, quanto mais irreligioso é esse ato sob o olhar do Deus vivo, enquanto o anjo da oração ainda está de pé ao nosso lado, a menos que estejamos censurando a Deus porque a oração nos cansou!