Por que, então, deve ser assim? No nosso caso, nós que nos comprometemos a não praticar nenhuma maldade nem a sustentar tais opiniões ateias, não examinais as acusações contra nós; mas, cedendo à paixão irracional e à instigação dos demônios malignos, punis-nos sem reflexão nem julgamento. Pois direi a verdade: desde a antiguidade, esses demônios malignos, fazendo-se aparecer, corromperam mulheres e rapazes e mostraram aos homens visões tão terríveis que aqueles que não usavam a razão para julgar os acontecimentos ficavam tomados de pavor; e, arrebatados pelo medo, sem saber que eram demônios, chamaram-nos de deuses e deram a cada um o nome que cada demônio escolhera para si.
2E quando Sócrates tentou, por meio da verdadeira razão e da investigação, trazer essas coisas à luz e libertar os homens dos demônios, os próprios demônios, por intermédio de homens que se alegravam com a iniquidade, tramaram sua morte, como ateu e ímpio, sob a acusação de que "introduzia novas divindades"; e, no nosso caso, agem de maneira semelhante. Pois não foi apenas entre os gregos que a razão (Logos) prevaleceu para condenar essas coisas por meio de Sócrates; também entre os bárbaros foram elas condenadas pela própria Razão (ou Palavra, o Logos), que assumiu forma, tornou-se homem e foi chamada Jesus Cristo; e, em obediência a ele, não só negamos que os que fizeram tais coisas sejam deuses, mas afirmamos que são demônios perversos e ímpios, cujas ações não suportam comparação nem mesmo com as de homens que desejam a virtude.