Apócrifos
Apocalipse de Paulo
Visio Pauli
51 capítulos · leitura e narração
Nota de leitura
Viagem guiada pelo paraíso e pelos castigos, com um dia de descanso concedido aos condenados. Influenciou diretamente a Divina Comédia.
Capítulos
Dossiê
A viagem de Paulo ao terceiro céu, escrita para preencher o que ele se recusou a contar em 2 Coríntios: o que exatamente viu quando foi arrebatado.
De onde vem este texto
Escrito por volta do século IV d.C., em grego, e conhecido em latim como Visio Pauli. Sobreviveu em latim, siríaco, copta, armênio, eslavo e etíope, com diferenças grandes entre as versões — sinal de quanto o texto foi lido e reescrito ao longo da Idade Média.
Por que não está na Bíblia
Nunca foi cânone. Agostinho o criticou diretamente, observando que Paulo diz ter ouvido palavras que não é lícito repetir — e que, portanto, um livro que as repete não pode ser dele.
O que você vai encontrar
- A saída da alma do corpo é narrada duas vezes: a do justo e a do pecador, com os anjos de cada um prestando contas.
- O rio de fogo com pessoas mergulhadas em profundidades diferentes conforme a culpa.
- O descanso dominical dos condenados, concedido a pedido de Paulo e do arcanjo Miguel.
- A geografia do paraíso, com os quatro rios e as cidades de Cristo, que atravessou a imaginação medieval inteira.
Perguntas frequentes
- O Apocalipse de Paulo foi escrito pelo apóstolo Paulo?
- Não. É pseudepígrafo, do século IV, escrito para desenvolver o que 2 Coríntios 12 deixa em aberto sobre o arrebatamento ao terceiro céu.
- Esse livro influenciou a Divina Comédia?
- É a leitura corrente dos estudiosos. A visão medieval de inferno organizado por categorias de pecado deve muito à tradição que este texto inaugura, e Dante menciona a viagem de Paulo logo no primeiro canto do Inferno.