Mas que sentido há em ir à oração com as mãos lavadas, mas com o espírito sujo? Pois até para as próprias mãos é necessária a pureza espiritual, a fim de que sejam erguidas puras, livres da falsidade, do homicídio, da crueldade, dos envenenamentos, da idolatria e de todas as outras manchas que, concebidas pelo espírito, se concretizam pela ação das mãos. Essas são as verdadeiras purificações, não aquelas das quais a maioria cuida supersticiosamente, recorrendo à água em toda oração, mesmo quando acaba de sair de um banho do corpo inteiro. Quando investiguei escrupulosamente essa prática e procurei sua razão, descobri que era um gesto de lembrança relacionado à entrega de nosso Senhor.
2Nós, porém, oramos ao Senhor; não o entregamos. Mais ainda, devemos opor-nos ao exemplo daquele que o entregou e, por isso, não lavar as mãos. A menos que alguma sujeira adquirida no convívio humano seja motivo consciencioso para lavá-las, elas já estão suficientemente limpas, pois uma vez as lavamos em Cristo juntamente com todo o nosso corpo.